O discurso evangélico-suicida


O que sempre caracterizou o Brasil como o éden, a terra prometida, foi a característica natural de seu povo de conviver pacificamente com as pessoas de quaisquer credos, raças e nacionalidades. Qualquer estrangeiro que vive tempos de guerra em seus países, escolhe nosso país para se refugiarem, pois aqui eles têm a certeza que poderão reconstruir suas vidas e terão seus hábitos, costumes e crenças, devidamente respeitados.

Acontece que as coisas parecem estar tomando um novo rumo por aqui e, o que então seria um país laico na sua essência, está sobre uma grande ameaça, pois um novo neopentecostal cristão ortodoxo fundamentalista, vem articulando nos porões das religiões evangélico-cristãs um movimento radical contra a liberdade do povo brasileiro e dos estrangeiros que chegam por aqui , querendo, em nome de um Deus, ditar regras comportamentais.

E todo esse fascismo travestido de defesa da verdadeira família é, na verdade, uma grande ameaça a paz que sempre reinou em nosso país, principalmente no que tange as opções religiosas de cada brasileiro. Não há legitimidade na atitude desses apedeutas para incentivar, provocar e disseminar o ódio por, de uma hora para outra, não mais concordar com os hábitos e os costumes arraigados na construção da personalidade do nosso povo.

O que parece ficar claro é que esse movimento em defesa de Deus e da família, que esses senhores travestidos de pastores e homens de cristo vêem tentando disseminar entre os seus rebanhos, e forçando que seja estendido a todo país, tem um único objetivo: o poder. Diante de tanta desfaçatez, como não duvidar de quem esses senhores se preocupam apenas em explorar a fé de seus crentes para depois se locupletarem com o dízimo suado dado por seus seguidores?

A religião é uma opção individual, cada um crê naquilo que lhe convém e que está de acordo com o que acredita ser o correto para sua vida, não podemos deixar que, como em outros países, façam do nosso, um lugar onde não se tenha liberdade de se cultuar o santo e o Deus que se quer, pois quando isso acontece, acabamos por criar territórios de guerras, como já estamos tão acostumados de ver pelos quatro cantos desse mundo.

O que esses homens, ditos de Deus estão querendo fazer é um crime contra a nossa maior riqueza: que é a de ser um país formado por um povo misturado, vindo de todos os lugares do mundo, que traz na bagagem seus costumes e suas crenças e consegue, muitas vezes depois de tanto sofrimento, recuperar a alegria e ainda descobrir a felicidade de poder conviver pacificamente com pessoas tão diferentes. O que esses homens escondem, vai muito além do discurso, é quase uma tentativa de extermínio de um povo de paz.

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