A Educação não dá conta


Há tempos que a Educação não sai dos discursos dos governantes, entra governo e sai governo, e sempre a mesma promessa de dar a Educação, a importância que ela realmente tem na construção do país. Mas, mal acaba a contagem dos votos e a Educação deixa de ser novamente prioridade e isso se repete, há mais de vinte anos, ininterruptamente, fazendo com que surgisse no país uma lacuna que jogou uma geração na marginalidade.

Sem investimentos relevantes há anos, com as suas estruturas sucateadas, os professores desvalorizados, com os alunos desmotivados, com os conteúdos ultrapassados, a Educação foi perdendo espaço ano a ano, afastando das escolas, centenas de milhares de jovens, que, se ter com o quê se ocupar, foi par ruas ficar à mercê da criminalidade e, as organizações criminosas, não se fizeram de rogadas, abraçaram os menos desavisados.

Hoje, o que temos é uma sociedade refém de centenas de jovens que foram criados pela criminalidade e tudo isso por conta do descaso que todos os governantes deram para a Educação até os dias de hoje. E agora o atual governo está pagando um preço muito alto por tanta omissão, pois a sociedade, assustada e acuada, briga pela redução da maioridade penal, buscando punir esses jovens que, desprovidos da Educação de ontem, se fez o marginal de agora.

É claro que ninguém queria ver seus jovens sendo tratados com pequenos bandidos, mas, os governantes, há mais de vinte anos, jogaram, todos a Deus dará e, agora, o quadro é de jovens irrecuperáveis, pois foram corrompidos pela criminalidade, vivendo uma vida ilegal e sem apreço à vida alheia. Ainda que busquemos alguma saída, poucos desses jovens que hoje estão no crime, serão resgatados, ainda mais com o descaso que ainda é dado à Educação.

Talvez a redução da maioridade penal não seja mesmo uma boa medida e nem resolva o problema de fato e é, por isso, que vem dividindo o brasileiro, que, no fundo, sempre teve uma característica humanista, porém, é preciso analisar o quadro atual como uma doença muito grave e tentar enxergar essa medida, até certo ponto radical, como um remédio amargo, para tentar coibir que novos jovens acabem se perdendo no mundo da criminalidade, já que a Educação continua sendo tratada com desdém pelos governos.

É legítimo que algumas instituições de defesa dos direitos humanos busquem incansavelmente persuadir a idéia da redução da maioridade com o discurso de apelo humanitário, mas os governantes não têm como se eximirem do problema e muito menos insinuar que parte da sociedade está tomada pelo radicalismo, taxando a medida de incabível e retrógrada, o fato é que a violência praticada pelos jovens marginais (que todos os governos deixaram crescer ao léu) e a impunidade dos atos por eles praticados, tem assombrado parte do país que já não suporta não ver nada acontecer.

O mais importante nessa história toda e o que o governo tem a obrigação de fazer, de fato, a partir de ontem, é procurar correr atrás do tempo perdido para que, mesmo que a redução da maioridade penal seja aprovada, não existam mais novos jovens em confronto com a lei e, para isso, a Educação deve realmente se tornar prioridade número um para o país, pois, do jeito que as coisas estão querer jogar a salvação nas costas da Educação, não dá, isso ela não dá conta.

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