O discurso da demagogia


Sabe aquela expressão: “vamos jogar pra torcida!”? Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu no discurso da Presidente quando ela bradou aos quatro ventos que o lema de seu novo governo seria: A Pátria Educadora. Balela! Discurso demagógico de político, como sempre. Pois, mesmo antes de lançar o slogan do país, o mesmo governo lançou medidas que dificultam o ingresso dos mais carentes à universidade, colocando regras mais duras para o acesso ao financiamento estudantil.

O mais engraçado nisso tudo é que não se escuta absolutamente nada sobre esse assunto, palavras voam com o vento e, em dois tempos, a tal Pátria Educadora não ficará nem para segunda época. Ainda mais agora que o governo acabou de anunciar um pequeno corte de sete bilhões de reais no Ministério da Educação. Ora, como os entusiastas do governo podem explicar como se transformar o país em Pátria Educadora cortando verbas e investimentos?

Não me venham dizer que o piso salarial dos professores foi reajustado no patamar de trinta e um por cento e que isso já indica que o governo sinaliza para um novo momento na educação brasileira. Outra balela. Nos últimos dias ouvi de um amigo meu que, enquanto se briga pelo reajuste de um piso decente aos professores, os políticos discutem até aonde elevarão o teto de seus salários. Adoçar a boca dos professores com papel de bala é covardia.

Não adianta continuar tratando a educação com o velho discurso demagógico de sempre, transformar o país em Pátria Educadora vai muito mais além do dizer que vai fazer isso e aquilo, até mesmo porque, atos anteriores e seguintes, já desmentiram o discurso. É preciso mais do que um slogan, é preciso um programa que vá além de bandeiras partidárias, que clame o esforço da sociedade civil e que pense a educação de uma maneira transformadora de fato.

A mesma velha tática de promessas, misturada à velha prática de iniciativas eleitoreiras não pode continuar, sob o risco de se atrasar ainda mais o já atrasado sistema educacional brasileiro. É preciso deixar para trás, de uma vez por todas, os arremedos de programas, as esmolas salariais e os planos mirabolantes de ensino, nada disso resolverá de fato a questão da educação no país e, muito menos, discursos inflamados e demagógicos em dia de posse presidencial.

Não se faz uma Pátria Educadora tendo pelos quatro cantos do país, escolas sem um mínimo de estrutura, que não tem quadro negro, lousa, carteiras, material didático e condições pedagógicas. Não se faz uma Pátria Educadora, sem um projeto que invista na educação continuada para os professores, com valorização e plano de carreira. Não se faz uma Pátria Educadora com métodos de ensinos e práticas docentes, ultrapassados.

Como se vê, no discurso, fica até bonito o slogan de Pátria Educadora, mas, como dizem por aí, na prática, a teoria é outra. Continuar jogando com palavras é se aproveitar da falta de escolaridade da população para iludi-la com promessas vãs, pois quem conhece a Educação no país, sabe muito bem que, para transformar realmente a Nação em uma Pátria Educadora, precisa muito mais do quê o mesmo velho discurso da demagogia.

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