O funk e as cachorras


Há tempos que as mulheres tomaram pulso sobre suas próprias vidas, desde a revolução dos sutiãs até os dias de hoje, muita coisa mudou. A mulher tomou as rédeas da sua vida sexual, conquistou a sua independência, partiu para o mercado de trabalho, se transformou em chefe de família, ousou e marcou sua posição firme dentro da sociedade. Mas, acontece que o funk pode estar colocando tudo isso a perder.

Você pode me perguntar: O funk? O que esse movimento tem a ver com as conquistas das mulheres? Bem, ainda vivemos uma sociedade machista e a mulher tem que lutar todos os dias para fincar suas posições dentro da sociedade, uma luta diária e desigual. Quem é mulher sabe muito bem do quê estou falando, só que o famigerado funk tem condicionado a mulher a subjugar sua sensualidade e a transformando em um objeto de prazer sexual.

Assistindo a um documentário sobre os bailes funk dentro de comunidades carentes, fiquei estarrecido com o que vi; a submissão que as meninas são submetidas, o oferecimento do próprio corpo para excitar os “MC’s’, as colocam, simplesmente, escravas sexuais a disposição de satisfazer os sonhos eróticos e as necessidades machistas de homens que não estão nem aí com a dignidade daquelas meninas.

E o pior de tudo é que no meio do salão, exalando “sex appeal”, achando que são as poderosas do lugar, as meninas nem se dão conta do papel que fazem, de simples mulheres objetos a atiçar a libido masculina, apenas sensualizando com o corpo e repetindo as letras de conotação sexual. Muitas até se vangloriam da fama de cachorra, só que a população masculina sabe muito bem para que servem as mulheres que se comportam dessa forma.

Foi lamentável constatar a exploração do corpo da mulher como um mero objeto de prazer e assistir as declarações das meninas funkeiras, se achando a frente de seu tempo, sexy’s, lindas e poderosas, as cachorras. Foi o fim! Uma pena, nem percebem que são subjugadas. O que elas não sabem, na verdade, é que, se submetendo a esse comportamento de vulgaridade, só contribuem para tornar ainda mais difícil a luta que as mães, tias e avós de cada uma delas, travaram até os dias de hoje.

O que ficou pra mim depois que terminei de ver o documentário é a certeza de que o funk, ainda que muitos considerem um movimento cultural, além de não acrescentar nada em termos de cultura, ainda escancara o lado machista e a submissão feminina que se esconde entre becos e vielas. Enquanto mulheres travam uma luta diária por igualdade, o funk presta o desserviço de continuar tratando a mulher como um objeto sexual, e o pior disso tudo é que elas estão gostando.

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