A cultura do ódio


Ainda custo a entender como é que as pessoas dizem que estão buscando mudanças tendo como arma a cultura do ódio. Há tempos vem lutando comigo para me tornar uma pessoa melhor, não deixar a ira cegar meus olhos e nem encobrir minha razão com uma exacerbada emoção sem limites, pois venho aprendendo a duras penas, o quanto é prejudicial para mim mesmo, deixar que a emoção conduza o meu discurso.

E o que vejo com o nosso processo eleitoral, que tende a piorar nesse segundo turno, é que não está se procurando uma mudança de conduta, de conceito, de relações interpessoais e sim, buscando as mazelas das políticas, o sentimento de vingança e a mesquinhez desmedida para disseminar o ódio no país. Como pode haver algum tipo de mudança quando ao invés de buscar discutir propostas, busca-se a atacar a honra do outro?

É preciso ter muito cuidado com o que se fala, com o que se propaga, principalmente pelas redes sociais, pois, mesmo sem querer, pode-se estar contribuindo para aumentar o ódio, que alimenta a emoção, que é capaz de atos que a razão não consegue controlar. Não precisamos plantar em nosso território esse sentimento de ódio, de desavenças, onde se busca a desqualificação do outro, porque isso só fará piorar o que já não é bom.

Que cada qual tenha seus pontos de vistas, suas convicções, suas ideologias, mas a disputa tem e deve pairar sempre no nível das idéias, dos argumentos, das discussões que busquem uma convergência para o bem comum, porque quando se parte para situações que visam apenas atacar a vida pessoal, perde-se o sentido de se fazer política e forma-se a cultura do ódio, onde o que o outro faz, nunca lhe servirá, ainda que lhe sirva.

É certo que não é fácil controlar as emoções quando se está no calor da discussão, mas esse equilíbrio é fundamental, e isso não vale apenas neste momento eleitoral, vale para nossa conduta de vida. Quando controlamos nossos ímpetos, evitamos desgraças anunciadas ou, ao menos, amenizamos conflitos inadiáveis. É preciso buscar sempre a conciliação e não propagar a guerra, pois está é sempre ruim para todos.

Portanto, ricos e pobres, nortistas e sulistas, brancos e negros, heterossexuais e homossexuais, católicos e umbandistas, os da situação e os da oposição, os de direita e os de esquerda, cada qual tem o direito legítimo às suas convicções, deixemos as discussões no âmbito das discussões ideológicas e não pessoais e jamais busquemos desafiar o ódio de um pelo o outro. Não se faz nenhuma mudança, cultivando o ódio em qualquer que seja a situação.

Só construiremos algo melhor de verdade, quando aprendemos a respeitar opiniões contrárias as nossas, a discordância é salutar para o desenvolvimento do ser humano e só tem a contribuir para as relações interpessoais, mas, quando, insistentemente buscamos cultivar o ódio, continuaremos vivendo no lugar de sentimentos pequenos e ambições baratas. Foi difícil, mas hoje sei o quanto disseminar a cultura da paz me faz bem.

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