A perigosa “moda” da ostentação


Houve um tempo que a palavra ostentação era quase um xingamento, ofendia a dignidade do pobre trabalhador. Como era possível se esbanjar tanto dinheiro com festas e futilidades? Tudo aquilo era uma afronta a quem precisava levantar às cinco da manhã, pegar três conduções e passar horas trabalhando duro para no final do mês ainda ver que havia faltado dinheiro para despesas. O verbo ostentar era coisa só para a mais alta sociedade.

Mas de uns tempos para cá esse conceito mudou e ostentar deixou de ser um verbo conjugado apenas pela alta burguesia endinheirada que se dava ao desplante de esbanjar luxuria em festas e futilidades a qualquer dia da semana. Ostentar virou moda e passou a ser um verbo conjugado pela classe média e baixa que, embaladas ao som do funk (argh!) estão se deixando contaminar por essa conduta, se expondo a sérias situações inconsequentes.

Ao estimular esse comportamento de ostentação, os tais “MCs” (argh!) estão causando um problema muito grave, principalmente entre os jovens de baixa renda da periferia e até mesmo em jovens da classe média que estão se envolvendo cada vez mais com drogas, bebidas e até cometendo pequenos furtos para poderem demonstrar o quanto também podem ostentar. Esbanja-se dinheiro como se ele não valesse nada.

Junto a isso, o que vemos com essa prática da disseminação da ostentação, estimulada até mesmo pela mídia, é a crescente promiscuidade entre os jovens, são meninas se entregando em orgias regadas a drogas lícitas e ilícitas e a incursão no mundo da criminalidade. E para quê? Para se fazer notar, se fazer importante, pois esse é o objetivo dos jovens de hoje em dia. Uma vida de luxos, festas e de coisas caras é o que faz sentido e isso está ficando cada vez mais perigoso.

Parece que querem criar uma nova demonstração de poder, onde quem consegue mostrar mais ostentação, tem mais influência e vira referência para o outro. Nada mais pode ser simples, tudo tem que ter impacto sobre o outro. Estamos criando uma sociedade doente, com jovens sem responsabilidades, que não anseiam produzir nada de útil e que só estão preocupados no luxo e na riqueza, mesmo que para isso seja necessário cometerem atos inconsequentes.

É… nada mais será como antes, amanhã, já dizia a canção, pois o que vemos hoje em dia é que a vida perdeu a poesia, a simplicidade deixou de ser sedutora, tudo ficou mais perigoso. Agora vemos todos, cada vez mais escravos da ostentação, o melhor telefone, o melhor tênis, a melhor roupa, o melhor carro, a melhor festa, a melhor, o melhor, a melhor… Hoje a ostentação desnudou o quanto as pessoas estão impregnadas dos setes pecados capitais.

Estamos caminhando perigosamente para uma grande encruzilhada e em pouco tempo veremos um retrato cruel de nossa sociedade. Hoje já vemos que nossos jovens estão cada vez mais sendo estimulados a obter e a ostentar sem nenhuma responsabilidade. Por sede de capital e de poder, sufocaremos a simplicidade em troca de uma disputa ensandecida entre aqueles que só pensam ser importante, a ostentação.

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3 Responses to A perigosa “moda” da ostentação

  1. Oi Paulo!
    Gostei do texto, um artigo muito bom. O que devemos analisar é a fonte disso tudo. O funk, por mais que com letras péssimas e exemplos idem é a cultura de massa, no caso, a população pobre. Ontem, um menino que apenas assistia tudo de longe, sem poder ter nada, hoje é o homem que bebe e dá festinhas todos os dias… Como eles chegam lá? Muitas vezes pela criminalidade e trabalhos por “de baixo do pano”. Há, de fato, aqueles que roubam por necessidade (que é ruim) e aqueles que roubam mais e mais para ter sempre mais e mais (péssimo). A fonte disso tudo, imagino eu, vem do consumismo e do capitalismo selvagem, além de uma pequena parcela de deficiência psicológica. Isso não vai mudar, o que vai mudar é o comportamento com o tempo. “Moda” é algo que muda de tempos e tempos, portanto se hoje a moda é ostentar, talvez amanhã seja o contrário; meio difícil, mas pode ser, rsrs.
    Um beijo!

  2. Paulo Sacaldassy disse:

    É verdade, Ingrid! Vamos torcer para moda passar. Obrigado por seu comentário. Bjs

  3. Soares Vieira Ilma disse:

    Gostei do texto! Os jovens não querem mais ter o orgulho de ser trabalhador. O salário mínimo de 937,00 e ainda a reforma da Previdência. :fizeram uma lavagem no cérebro dos adolescentes que ser traficante de drogas ilícitas ou garoto de programa ou político corrupto ou carreira de modelo ou artista ou jogador de futebol é que vai conseguir mais dinheiro e vai realizar os sonhos e ter uma vida “melhor” abundante e cheia de bens materiais.
    a mídia não vendeu a imagem do trabalhador como herói da nação. Trabalhador e professor é sinônimo de ganhar pouco. Vai morrer na miséria. É humilhação de diretoria no ambiente de trabalho aos jovens que estão começando uma carreira.
    Os jovens não se interessam por leitura. A lavagem cerebral foi forte na mente dos adolescentes com cabeça em formação. Meteram esse envenenamento mental. A mente fraca acreditou.

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