Uma lição de humildade


E se fez a festa. Ainda que muitos acreditassem que ela não seria realizada, a felicidade de realizar um campeonato do esporte em que nos julgamos os melhores do mundo contagiou a população. Não demorou muito para que todo o país estivesse enfeitado e que nossa alegria ganhasse as ruas, nossa simpatia habitual encantou os turistas e nossa beleza natural fez todos os estrangeiros conhecerem de verdade, nossa terra.

A fé e a esperança, companheiras inseparáveis do nosso povo se fez presente e abraçamos a seleção com a certeza de que tudo daria certo, ainda que no fundo, não acreditássemos no potencial do grupo que, aos trancos e barrancos, seguia sua jornada rumo ao tão esperado campeonato. E cada partida era um sofrimento só, muito nervosismo, muito choro, muita angústia, mas a esperança e a fé se renovavam ao final de cada partida.

Havia no ar um misto de euforia e medo, mas a injeção de otimismo era aplicada a cada dia, pelos comandantes, pelos comandados, pela imprensa, pelo povo, cada vez mais entusiasmado. Mesmo que fosse sofrido, doído, era líquido e certo que chegaríamos ao nosso objetivo, pois sofrimento já faz parte do dia a dia do nosso povo e a certeza de ainda sermos os melhores no esporte, atestava e avalizava a capacidade da seleção.

Mas eis que o imponderável se fez presente e como tudo na vida, não existe certeza de nada. A seleção se desmantelou por causa da baixa de seu pretenso herói e foi justamente neste momento que se fez presente a prepotência, a arrogância e o desequilíbrio daqueles que comandavam uma seleção que ainda não tinha certeza se era formada pelos melhores do esporte, ainda que isso fosse apregoado aos quatro cantos.

Usando as roupas da soberba, da prepotência e da arrogância, partimos para o mais temido desafio, enfrentar uma equipe realmente e sabidamente forte e a realidade mostrou sua face, dura, cruel e impiedosa. Em pouco menos de meia hora nosso castelo ruiu, a máscara caiu e o inimaginável aconteceu, e quando era chegado o momento de se colocar em campo a humildade, o comandante vestiu a armadura da superioridade, achando tudo normal.

Ao final da partida, o povo estava destruído, desmantelado e viu incrédulo, o sonho de ser campeão se esvair de forma vexatória e o que se verificou após, foram olhos chorando, rostos perplexos, buscando explicações para aquela derrota avassaladora. Nossos algozes, travestidos da mais legítima humildade habitual dos grandes, ainda se desculpavam pelo que nos fizeram, enquanto a arrogância de nosso comandante classificava o fato com um simples apagão.

É… a festa ainda não acabou, mas é certo que ela perdeu o sentido para todo o nosso povo, que, ainda perplexo, envergonhado e se sentindo traído, aguarda a hombridade do comandante da seleção, que se nega admitir a sua total incapacidade de lidar com a humildade, insistindo em classificar tudo como algo natural, como ter a faca cravada no peito fosse algo natural. A lição que fica é que quando não se tem humildade, tropeça-se na própria prepotência.

Anúncios

One Response to Uma lição de humildade

  1. Espero que a topada nos leve pra frente. Depois, foi uma copa divertida.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: