O individualismo gerou a intolerância


Houve um tempo em que as pessoas viviam realmente em sociedade, quando a preocupação com o bem-estar do outro era mesmo verdadeira e a vida parecia sim ter valor, mas com o passar dos tempos, não sei se pela correria do dia a dia, se pelo estresse, se por status, por poder, ou sei lá o quê, as pessoas foram se afastando cada vez mais umas das outras e se preocupando cada vez menos com o outro.

A vida passou a ser individual demais, agora é cada um por isso e Deus salve quem puder, as relações estão cada vez mais superficiais e cada qual muito mais preocupado com o seu próprio umbigo. Vivemos em uma sociedade individualista e esse individualismo tem gerado sintomas de muita intolerância. Tudo aquilo que aborrece o indivíduo passa ser motivo para um descontrole desmedido e desproporcional. Mata-se por um piscar de olhos.

Mais e mais, o lado exterior, ganha espaço na formação nesse novo indivíduo que habita essa sociedade em dissolução e é nítida a busca pela ostentação, pela felicidade aparente, pelas coisas fúteis da vida, deixando claro o quanto esse novo indivíduo está impaciente, intolerante, antissocial e capaz de atrocidades quando tem contrariada, às suas vontades. Não lhe faz bem viver com aqueles que discordam de seus atos, modos, ideias e ideais.

E o que vemos nos noticiários todos os dias, senão reportagens sobre crimes banais, por motivos fúteis, cometidos por pessoas comuns, contrariadas em suas individualidades? Esse novo indivíduo não aceita conselhos, não aceita outros pontos de vistas, não aceita ver outro indivíduo melhor do que ele, ainda que esse melhor seja apenas uma vida feliz, junto à pessoas felizes, em pequenas sociedades onde essas pessoas ainda se preocupem umas com as outras e buscam viver em paz.

Aonde vai se parar com isso? Não sei, mas está cada vez mais preocupante viver, pois se corre o risco iminente de se encontrar um desses indivíduos intolerantes, que já perdeu a noção do que seja amor ao próximo, do que seja compaixão, que já não dê mais nenhum valor à sua própria vida, e acabe despejando a sua individualidade intolerante em cima do primeiro que cruzar o seu caminho. E esse risco está cada vez mais frequente.

Uma pena que depois de tanta evolução tecnológica, de tantas descobertas da ciência, em que viver ganhou mais longevidade, esse novo indivíduo tenha preferido deixar de conviver em sociedade, preocupando-se apenas com a sua paz individual, com o que rodeia o seu umbigo, e tenha se tornado tão intolerante, ao ponto de ser capaz de trocar a sua própria liberdade para tirar a vida daquele que invadiu a sua individualidade, e sem nenhum remorso.

É preciso que os indivíduos que vivam em pequenos clãs sociais busquem de uma forma mais contundente, a integração entre si, a fim de fortalecer a convivência em sociedade, quem sabe assim, seja possível combater de uma vez por todas essa intolerância individual que vem se instalando dia após dia à nossa volta, ou veremos, cada vez mais, a possibilidade de sermos nós, as próximas vítimas de mais um crime banal por qualquer motivo fútil.

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