A gente quer paz


Essa história que eu vou contar pra vocês agora, não tem nada de aventura, nem de alegre, pra falar a verdade, ela é muito triste, pois fala de uma briga muito grande que teve lá no meu colégio. Vou contar tudo.

Aquele dia tinha tudo pra ser um dia bem legal. Era o dia de gincana geral na escola. É que lá na minha escola, uma vez por ano, tem a gincana geral. Tem muita brincadeira, jogos e muita diversão. A gente faz a maior bagunça nesse dia!

– Então, Joana, trouxe muitas prendas?

– Trouxe um monte de latinha! E você, Helena?

– Eu trouxe um monte de garrafa de plástico.

– Desta vez a nossa classe vai ganhar!

Não demorou muito pra começarem os jogos. Era o primeiro ano contra o segundo ano, o terceiro contra o quarto, até o pessoal do nono ano participava da nossa gincana.

De repente, começou uma confusão com os meninos do nono ano que fez todo mundo sair correndo. Fizeram uma roda em volta do Zé Augusto e começaram a chamá-lo do apelido que ele não gostava.

– Palito Zoiudo! Palito Zoiudo!

E mais e mais gente foi chegando na roda e gritando o apelido do Zé Augusto. Ele tava muito nervoso. Muita gente gritava pro pessoal parar de chamar o Zé Augusto de “Palito Zoiudo”, mas, aqueles meninos chamavam mais alto. Coitado do Zé Augusto! Ele é tão legal! Não sei por que essa coisa de ficar dando apelido pro’s outros, a gente não tem nome?

A tia Célia chegou bem brava e acabou logo com a brincadeira daqueles meninos sem graça. E na primeira oportunidade, o Zé Augusto saiu correndo pro banheiro. Ficou lá um montão de tempo. Quando ele saiu, eu e a Joana corremos pra falar com ele.

– Zé Augusto, não fica assim! Eu falei pra ele.

– Não liga, esses meninos são todos bobos! Disse a Joana.

Mas ele passou pela gente e nem ouviu. Ele tava vermelho de raiva. Tava até chorando. Subi pra classe, correndo. Alguns meninos que o viram subindo, ainda chamavam: Palito Zoiudo! Palito Zoiudo!

– Ei, vocês não vão jogar queimada? Disse a Thalita já nos chamando.

Mesmo com pena do Zé Augusto, eu e a Joana fomos com a Thalita para o jogo de queimada.

A nossa classe ganhou quase todos os jogos e na hora de contar as prendas, perdemos por causa de duas latinhas.

– Poxa, Joana, você podia ter trazido mais latinhas, né?

– Por que você não trouxe? Respondeu a Joana.

– Mas eu trouxe um montão de garrafas!

– Eu também trouxe um monte de latinhas!

De repente a gente ouviu uma nova gritaria vinda lá no meio do pátio.

– Olha lá, o Zé Augusto está brigando com o Renato! Disse a Thalita.

Na hora, eu e a Joana paramos de brigar e corremos pr’o pátio onde os dois estavam brigando. Os meninos do nono ano gritavam o apelido do Zé Augusto, sem parar.

– Palito Zoiuido! Palito Zoiudo! – Pega ele, Renato!

Mas, o Zé Augusto estava muito bravo. Nunca tinha visto o Zé Augusto tão bravo assim. Ele bateu tanto no Renato que saiu até sangue do rosto dele. Quando o Renato caiu no chão, os meninos foram pra cima do Zé Augusto e começaram a bater nele. Todo mundo junto.

Eles iam batendo no Zé e gritando o apelido dele. E ele gritava que todo mundo ia se vê com ele.

De uma hora pra outra, a roda do pessoal que batia no Zé abriu, bem na hora que chegaram os tios da segurança pra acabar com a briga. Só que quando a roda abriu, um menino do nono ano que eu não me lembro o nome, caiu segurando a barriga cheia de sangue.

Os tios da segurança seguravam o Zé Augusto que tinha uma faca suja de sangue na mão. Na verdade não era uma faca, mas parecia.

E aquele que tinha tudo pra ser um dia super legal, acabou de uma maneira muito triste. E tudo porque os meninos estavam chamando o Zé Augusto pelo apelido que ele não gostava. Se a gente tem nome, pra que apelido?

Quando alguém chama alguém pelo apelido, eu fico muito brava, pois por causa dessa coisa de apelido, o Zé Augusto machucou aquele menino e acabou sendo expulso da escola.

Ah, o outro menino? Ficou bom. Na verdade foi só um arranhão. Agora, ele fica no recreio com a turma do Ensino Médio, chamando o Pedro, de “camarão gordo”.

Eu já falei pra minha mãe e pro meu pai, que se alguém inventar algum apelido pra mim, vou querer sair na hora da escola, pois não quero ter que um dia fazer o que o Zé Augusto fez. Porque quando a gente fica com raiva, sempre faz coisas que não deve. Meu pai sempre diz isso!

Bom, agora vou indo, pois tenho uma prova muito difícil de matemática e preciso estudar, senão, acabou ficando de recuperação e vou ficar sem parte das minhas férias. Esse ano o papai tá prometendo me levar para um Hotel Fazenda, mas pra isso, preciso passar de ano.

Então, tchauzinho pra tudo mundo!

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One Response to A gente quer paz

  1. Boa sorte na prova. E nada de apelidos sem noção que a coisa acaba bem

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