De cabeça baixa


O vai e vem da vida é tão rápido que nem damos conta de tudo que deixamos passar bem a frente dos nossos olhos, coisas que certamente nos fariam ver o mundo sobre uma ótica melhor. Mas, nossa vista embaçada, ainda inebriada pela sonolência do acordar preguiçoso da manhã, só nos permite ficar de cabeça baixa para vermos em nosso computador de mão, quantas curtidas teve o nosso último “post” de boa noite.

E tomamos apressadamente aquele café, sem nem mesmo olhar nos olhos daqueles que compartilham um momento que poderia ser único e mágico, cheio de revelações e felicidade plena. Mas, nossa vida apressada, que nos faz cada vez mais acelerados por conta de tantas responsabilidades, só nos dá tempo de ficar de cabeça baixa para desejar através do nosso computador de mão, um bom dia para aqueles que nos cercam.

Já com o Sol a pino, com a metade do dia desperdiçado, nem percebemos que em todas as manhãs, de todos os dias, só sentimos a claridade e o calor que invade a janela aberta de nossa sala porque nosso corpo esquenta. Mas, os compromissos dos tempos modernos, nos fazem manter a cabeça baixa, trocando sentimentos e experiências pelo nosso computador de mão e não desfrutamos de um almoço regado a boas histórias e muitas gargalhadas.

Ao cair da tarde, com a cabeça a mil e o corpo dando sinais claros de cansaço por mais um dia de suor estampado nas roupas, saímos pelas ruas sem nem perceber a chuva fina que caí sobre nós, um banho necessário que lava nossas almas, mandando embora toda a energia negativa que nos perseguiu durante todo o dia. Mas, olhos titubeantes, só nos fazem permanecer de cabeça baixa, rindo, das banalidades mostradas pelo nosso computador de mão.

Já em casa, de banho tomado, com o corpo estendido em nossa cama, nos refazendo de mais um dia de luta e nos preparando para um novo amanhã, lutamos para que nossos olhos resistam, clamamos pelo silêncio da noite vazia e, o isolamento de monge, só nos dá força para manter a cabeça baixa enquanto publicamos em nosso computador de mão como foi o nosso dia, mas, ao nosso lado, nosso amor dorme sem um: boa noite!

E assim, a vida passou por mais uma dia sendo desperdiçada, e os abraços não foram dados, os beijos apaixonados permaneceram guardados em bocas fechadas, a solidariedade, a amizade, a afetividade, o amor e tudo mais, que misturado, só pode dar em felicidade, se foram lembrados, por mais um dia, não foram compartilhados, porque permanecemos o tempo todo de cabeça baixa, olhando nosso computador de mão e fazendo tudo aquilo que poderíamos fazer de corpo e alma.

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2 Responses to De cabeça baixa

  1. Antonio Cruz disse:

    De “corpo e alma” te deixo o meu abraço e minha admiração pela tua inspiração.

  2. Valeu pelo puxão de orelha. Em nome dele, passei o dia no parque

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