De quem é a culpa?


É voz corrente que a mudança que o país precisa, passa necessariamente pela Educação e que só vamos conseguir igualdade social quando todos tiverem as mesmas escolhas, ainda que muitos não as queiram. Mas por que há tanto ruído no meio do caminho? Por que os esforços que propagam uma Educação cada vez melhor, ainda não surtiram efeito? De quem é a culpa?

É necessário olhar para as quatro correntes que compõem a engrenagem da Educação, o governo, a escola, o professor e o aluno para tentar identificar quais seriam os ruídos e os esforços sem efeitos que tornam essa equação tão difícil de resolver. Talvez o problema esteja em cada uma das peças dessa engrenagem, pois uma pode estar interferindo na outra.

Deitando os olhos sobre as atitudes que os governos tomam para fazer da Educação uma atividade que cumpra a sua função social de levar às crianças e jovens, o despertar pelo conhecimento, podemos observar que estes pecam no momento em que desprestigiam o responsável por fazer essa transmissão. Não remunerar adequadamente o professor, emperra a evolução da Educação.

Partindo para observar a instituição escolar, na sua estrutura gerencial e psico pedagógica, podemos notar facilmente que as escolas estão muito mais interessadas e preocupadas em verificar os números que atendam as recomendações governamentais, do que se verificar a eficácia do aprendizado das crianças e jovens. A escola virou uma repartição pública que deve cumprir metas. Isso também emperra a evolução da Educação.

Se chegarmos às salas de aulas, encontraremos professores cansados, desmotivados, desprestigiados, desvalorizados, já se o mesmo interesse em transmitir conhecimento aos alunos, sem a mesma disposição de discutir com seus pares sobre novas formas de aprendizagem, sem ânimo para uma educação continuada e, tudo isso, muito por conta dos problemas elencados acima.

Já nas salas de aulas, encontramos crianças e jovens totalmente mal-educados, desinteressados, sem força de vontade de aprender e sem dar valor à importância que é ter conhecimento nessa nossa República Tupiniquim, um país elitista, que discrimina, que seleciona e que despreza quem não pode contar com as oportunidades de obtenção de Educação.

Diante desse quadro, podemos considerar que todas as engrenagens que movimentam a máquina da Educação estão emperradas, deterioradas e que para fazer deste país, um país onde a Educação seja excelência, talvez seja preciso começar tudo outra vez, porque senão, viveremos num eterno jogo de empurras, onde ninguém se considera culpado, transferindo ao outro, a sua parcela de culpa.

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2 Responses to De quem é a culpa?

  1. Acompanhei com super interesse toda a tua (excelente) opinião. Mas como é que se “começa tudo outra vez”? De fato, não tenho ideia de como isso, que é a finalização do tua opinião, poderia ser feito, assim, pensando logisticamente. Perdi algo do raciocínio?

  2. Paulo Sacaldassy disse:

    Talvez repensando toda a cadeia educacional, desde as ações governamentais até o resgate do interesse do aluno. “Um começar de novo no meio do caminho”.

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