O Amor e a Violência


O Amor sempre foi considerado um sujeito esquisitão, ás vezes meio calado, outras falante demais, ás vezes sossegado, outras temperamental. O boato que corre a boca pequena é que ele é bipolar. Mas, no fundo, bem lá no fundo, todo mundo curte o Amor, pois, apesar de tudo, o Amor é boa praça e quando ele está de bem com a vida, tudo fica mais leve.

O Amor flerta com todo mundo, mas quem ele quer mesmo é a Paz. Só que a Paz é muito complicada, volta e meia está envolvida em confusão. A Paz é o sonho de qualquer um, mas chegar até ela não é nada fácil. Dizem até que ela gosta mesmo do Amor, mas nenhum dos dois teve coragem de se declarar um para o outro. É o Amor de um lado e a Paz de outro e todo mundo correndo atrás dos dois. 

Dizem que os dois não ficam juntos por conta da Violência. Ela é apaixonada pelo Amor, é muito possessiva e basta ouvir falar que o Amor e a Paz estão flertando que ela fica furiosa e entra em campo, faz barraco e o Amor, coitado, de tão inocente, tenta contemporizar. Mas todo mundo sabe que o Amor faz isso só para manter a Paz em segurança, longe da Violência.

Mas, numa noite dessas, o Amor, depois de beber três ou quatro copos de coragem, levantou a cabeça, estufou o peito e partiu decidido a se declarar para Paz. Justamente naquela noite em que a Paz não estava bem. Ela estava preocupada demais com tudo que vinha acontecendo na cidade. O clima estava muito pesado, promessas de manifestações por todos os cantos. 

E o Amor chegou de mansinho, se sentou ao lado da Paz e, ainda que um pouco sem jeito, ele começou a levantar o astral da Paz. E conversa vai, conversa vem, e o Amor e a Paz já estavam aos beijos no canto. Ficaram assim a noite inteira. O Amor e a Paz terminaram a noite juntos. Mas a notícia correu feito rastilho de pólvora e chegou aos ouvidos da Violência, que ficou furiosa.

Quando o Sol deu seu bom dia, Amor e Paz eram uma felicidade só e resolveram que passariam o dia juntos. Mas apesar da harmonia entre os dois, a Paz estava preocupada com as manifestações marcadas na cidade e pediu que o Amor fosse junto com ela, pois temia que algo de muito rim acontecesse, já que o ânimos estavam bem exaltados. 

O Amor, mesmo não gostando de participar desses movimentos, não recuou, deu o braço para a Paz e, então, os dois partiram em direção à praça. Chegaram de mansinho e, aos poucos, todos já estavam envolvidos pelo Amor e ela Paz. Só que do outro lado da rua, a Violência tinha sangue nos olhos e assistiam tudo enquanto esperava o seu amigo Caos chegar.

E tudo corria com tranquilidade, até que de repente, Caos e Violência invadiram a praça e ninguém mais teve razão. A Esperança que espiava tudo da esquina, não teve coragem de se aproxima. Mas assistiu com lágrimas nos olhos, quando os paramédicos colocaram o Amor e a Paz dentro da ambulância, que saiu em disparada. No meio da confusão formada, Caos e Violência riam e comemoravam.

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