Quem não quer uma oportunidade?


Mais e mais as notícias nos dão conta de um superaquecimento no setor do audiovisual, pois a obrigatoriedade de uma programação que disponibilize um mínimo de produção de conteúdo nacional pelas TVs por assinaturas, somada ao avanço de outros formatos de mídias, abrem portas para um mercado cada vez mais promissor e, para alimentar tantas produções, precisa-se de roteiristas, quem não quer uma oportunidade?

O engraçado é que o mercado vem com a conversa fiado dizendo que faltam roteiristas. Será mesmo? Acho que não! O que falta de fato é a oportunidade de apostar no novo, de dar a chance para que um novo trabalho seja apresentado e realmente reconhecido. É muito fácil gritar aos quatro cantos a falta de roteiristas quando não vemos nenhum movimento apostando em algo diferente.

O que vemos é um círculo vicioso que gira e gira sempre com as mesmas peças e, não me cabe aqui contestar o talento de muitos que atuam no mercado, pois muito deles já são devidamente reconhecidos. A questão é a opção de apostar sempre nos mesmos e depois pregar que o mercado vai entrar em colapso por falta de mão de obra. Enquanto o trabalho tiver menos importância que outros fatores, esse quadro não muda mesmo.

Está certo que alguns concursos que surgem aqui e ali, até buscam encontrar novos roteiristas, mas se pode garimpar muitas pedras brutas apenas em um simples passeio pela internet, até porque, existem muitos profissionais que fazem acontecer, seja fazendo um curta-metragem, ou mesmo escrevendo para teatro, pois não podem se dar ao luxo de esperar a grande oportunidade para mostrarem do que são capazes.

Quem escreve, escreve porque gosta e vai fazer isso sempre, não vai deixar para fazer isso só quando a grande chance chegar. Quem não quer uma oportunidade? Mas, o que não é aceitável é a afirmação de que faltam roteiristas. Isso é mentira. Tem muita gente de talento, com projetos maravilhosos engavetados, por falta de ter alguém que aposte verdadeiramente em suas criações.

O que parece mesmo é que a grande questão é mercadológica, pois imputam a falta de roteiristas como um grande complicador, quando na verdade, o problema vem do não interesse em arriscar na produção de algo novo. Outro detalhe também é que hoje em dia, o mercado está muito mais interessado em adquirir um produto pronto do que produzir, pois assim, obtém o lucro fácil, sem ter despesa alguma. Acontece que roteirista não produz, ele cria.

Enquanto usarem a desculpa da falta de roteiristas para alimentar as produções do mercado, enquanto apostarem no mesmo círculo vicioso de criadores, enquanto houver interesse apenas em produções prontas, o mercado vai continuar patinando e os novos roteiristas vão continuar sem chance de mostrarem os seus trabalhos. Mas, se um dia isso mudar, quem não quer uma oportunidade?

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