Calando a boca da arte pra quê?


Censura: substantivo feminino; adjetivo: Repressão: substantivo feminino; adjetivo: Proibição. É sempre muito triste quando tenho como assunto de um artigo, a censura, ainda mais quando esta censura vem de encontro à proibição e repressão da liberdade da expressão artística, tolhendo a criação e podando na raiz o que é a maior função da arte: retratar o homem pelo homem.

A arte não é feita para ser certa ou errada, nem para agradar Gregos ou Troianos, muito menos para ser entendida ou compreendida, a arte é feita à luz do reflexo do homem no espelho. Mas é sempre chocante quando o reflexo no espelho mostra o homem distorcido da imagem que a sociedade quer ver. Então, por isso, a culpa é da arte?

A arte é o retrato da vida e nem sempre a vida é cor de rosa, muito embora alguns finjam em acreditar que ela possa ser. Tolos ou Hipócrita? Não me cabe aqui, fazer julgamentos, o que me interessa é não deixar que a arte retrate apenas a mentira de uma vida cor de rosa, pois isso é quimera. Calar a boca da arte é como querer tapar o Sol com uma peneira, impossível!

Não cabe a arte, julgar o comportamento humano, apenas retratá-lo fielmente como ele o é, aliás, desde a Grécia Antiga que o homem é desnudado em sua natureza. Mostrar a face mais negra do ser humano sempre foi e sempre será uma das funções da arte. Censurar, reprimir, proibir, impedir, seja lá qual for o substantivo usado, fazer isso contra a arte é achar que o ser humano é sempre bom. Pura ingenuidade!

Agora eu pergunto a todos aqueles que acham que censurar a arte é o caminho mais justo: – Quantas Medéias a vida já não nos mostrou? Quantos casos de incestos? Quantos casos de violência contra crianças? E desde a Grécia Antiga elas são retratadas pela arte, causando indignação, repúdio, repulsa, seja lá qual o nome que você queira dar. A vida é assim, trágica.

Não é proibindo esta ou aquela expressão artística que vamos conseguir varrer da face da Terra, a maldade do ser humano, ela está lá, escondida em cada um de nós. Mas que bom que na grande maioria ela esteja bem adormecida. E, para mantê-la assim, é preciso que vejamos refletida pelo espelho da arte, o quanto é perversa a maldade do ser humano.

É lógico que quando compramos arte, queremos dela apenas o seu lado colorido, mas a nossa vida não é assim. Por que querer apenas o lado mais leve da arte? Esperar que a arte possa sempre nos fazer rir das situações humanas numa eterna comédia, não dá. A vida também é feita de tragédias, duras, violentas, sangrentas e, na vida, não conseguimos impedir que o ser humano faça delas o seu espetáculo. Censurar a arte não vai impedi-las de acontecer.

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