SUPERSTIÇÃO? EU NÃO!


CENÁRIO: UM PONTO DE ÔNIBUS.

UM HOMEM, DE CHAPÉU, USANDO UM SOBRETUDO, LÊ UM LIVRO. UM OUTRO SE APROXIMA.

Homem 2 – Você sabe se o 515 já passou?

O HOMEM 1, SEM DESVIAR-SE DA LEITURA, APENAS BALANÇA A CABEÇA QUE NÃO E VOLTA A LER.

Homem 2 – Será que vai demorar? Não gostou de ficar na rua em noite de dia treze!

O HOMEM 1 TIRA OS OLHOS DA LEITURA E OS LANÇA SOBRE O OUTRO. DEPOIS BALANÇA A CABEÇA NEGATIVAMENTE E VOLTA A LER.

Homem 2 – Sabe o quê é? Não é que eu seja supersticioso, não, viu? Muito pelo contrário, mas sabe como é, né? Não se pode duvidar.

O HOMEM 1 REPETE O GESTO NEGATIVO COM A CABEÇA SEM TIRAR OS OLHOS DO LIVRO.

Homem 2 – Não sei se você conhece aquele ditado: No creo en brujas, pero que las hay, lãs hay!

Homem 1 – (SEM TIRAR OSOLHOS DA LEITURA) Acho melhor o amigo pegar um táxi!

Homem 2 – Quem me dera, meu amigo, quem me dera! Sou pobre professor, não tenho dinheiro para esses luxos.

O HOMEM 2 OLHA PARA OS LADOS.

Homem 2 – Você está aqui muito tempo?

O HOMEM 1 FAZ COM A CABEÇA, POSITIVAMENTE, SEM TIRAR OS OLHOS DO LIVRO. OUVE-SE UM MIADO DE GATO.

Homem 2 – (PREOCUPADO) Olha aí, escutou? Dizem que a noite, todos os gatos são pardos! Mas se for um gato preto? Ninguém vê, né? (RI TENTANDO DISFARÇAR O MEDO).

Homem 1 – (SEM TIRAR OS OLHOS DO LIVRO) O amigo é muito supersticio-so, hein?

O HOMEM 2 ANDA DE UM LADO PARA O OUTRO NO PONTO.

Homem 2 – Não é superstição! É cuidado!

Homem 1 – (SEM TIRAR OS OLHOS DO LIVRO) Sei!

Homem 2 – É verdade!

Homem 1 – (SEM TIRAR OS OLHOS DO LIVRO) Acredito.

Homem 2 – Eu não sou dado há essas crendices populares, não!

Homem 1 – (SEM TIRAR OS OLHOS DOLIVRO) Se o amigo diz!

Homem 2 – Sou apenas um pouco precavido. Se eu posso passar por fora da escada, por que vou passar embaixo dela? Agora me diz: Que mal tem bater na madeira três vezes? Usar pé de coelho de chaveiro, tem problema?

O HOMEM 1 SEM TIRAR OS OLHOS DO LIVRO, APENAS BALANÇA A CABEÇA QUE NÃO.

Homem 2 – Eu até confesso que tenho umas manias, mas, quem não tem? Vai dizer que o amigo não tem sua camisa preferida? A gente precisa ajudar a sorte. É verdade, ou não é? Superstição é outra coisa!

O HOMEM 1 NÃO TIRA OS OLHOS DO LIVRO. O HOMEM 2 SE MOSTRA BEM AFLITO.

Homem 2 – Esse ônibus que não chega!

O HOMEM 2 TIRA DE DENTRO DA CAMISA UMA CORENTINHA E COMEÇA A BEIJAR A MEDALINHA PENDURADA. FALA BAIXINHO, FEITO LADAINHA. TEM OS OLHOS FECHADO. O HOMEM 1 FECHA O LIVRO.

Homem 1 – O amigo acredita no azar?

Homem 2 – (AINDA DE OLHOS FECHADOS) Que azar o quê! Azar não existe!

Homem 1 – E se eu lhe disser que azar existe, o amigo acredita?

Homem 2 – (AINDA DE OLHOS FECHADOS) Claro que não!

O HOMEM 2, SEM ABRIR OS OLHOS, TIRA DO BOLSO UM TREVO DE QUATRO FOLHAS, AMARRADO NUMA FIGA E COMEÇA A REZAR.

Homem 1 – Mas devia acreditar!

Homem 2 – (ABRINDO OS OLHOS) Por que o amigo está dizendo isso?

Homem 1 – Porque o 515 acabou de passar!

Homem 2 – É mentira!

Homem 1 – Olha ele lá, ó!

O HOMEM 1 APONTA PARA UMA DIREÇÃO. O HOMEM 2 SAI CORRENDO NA DIREÇÃO APONTADA. O HOMEM 1 SE VIRA DE COSTAS E SAI UIVANDO.

– FIM –

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