Um fio de esperança


Vivemos tempos difíceis, pregamos aos quatro cantos sermos politicamente corretos, mas temos desvios profundos de caráter, pois perdemos a noção de discernimento entre o limite do que é certo ou errado. Andamos apressados pela vida em busca do vil metal e trocamos sem nenhuma vergonha e sem nenhum sentimento de culpa, o “ser”, pelo “ter”.

Trocamos abraços apertados, por meros recados em sites de relacionamentos, trocamos telefonemas, por breves torpedos enviados por celulares e, a cada dia que passa, nos afastamos mais e mais do convívio humano, perdendo assim a capacidade de nos importarmos com a vida alheia. A menos que essa vida alheia esteja exposta nas telas da televisão como uma simples mercadoria a venda.

Nos importamos cada vez mais com coisas que pouco, ou quase nada, importam, enchemos nossas vidas de assuntos fúteis e preocupações banais, ocupando nosso tempo com espiadinhas em programas vazios, esquecendo de como o tempo passa rápido demais. E, com tudo isso, acabamos deixando de fora de nossas vidas, algo que só tem a nos engrandecer: a cultura. E segundo uma recente pesquisa, as pessoas não se interessam mais por cultura.

Vejo com muita tristeza o resultado desta pesquisa, pois ela só vem corroborar com a idéia de que estamos num caminho quase sem volta e que a escolha de trocar o “ser”, pelo “ter” é cada vez mais evidente. Tanto que este resultado mostra, que já não nos importamos com nós mesmos. Deixamos de dar atenção às nossas vidas, para enchê-las de vazio. Não nos preocupamos mais no que somos e sim no quanto temos.

Mas, mesmo com este resultado estarrecedor mostrado pela pesquisa, que pinta um quadro muito triste para o nosso futuro, devido ao desinteresse em obter cultura que atinge um número enorme de pessoas, resta ainda um pequeno fio de esperança, pois ainda existem aqueles que se propõem a fazer e a levar cultura, mesmo que as pessoas não queiram dela se servir.

Esses dias ouvi um parábola que falava sobre um palestrante que chegava atrasado para sua palestra e encontra apenas um espectador. Ao indagá-lo sobre se deveria ou não dar-lhe a palestra que havia preparado, recebeu como resposta, o seguinte: “Se eu entrasse no galinheiro para dar comida e encontrasse só uma galinha, daria comida à ela”. E o palestrante então, proferiu sua palestra. 

Usando desta parábola, convido todos que militam com cultura, para prosseguirem com suas jornadas como um fio de esperança, mesmo que ainda só haja um único ser interessado em se servir daquilo que vocês tenham a oferecer-lhe em termos de cultura.

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