Disciplina e Humildade


O ser humano se acha o máximo e por se achar assim, tem a certeza que já sabe o suficiente, pelo menos para começar a criticar. Basta ter um pouco de noção de como se faz a coisa, para se achar a maior sumidade. E é no campo das artes onde encontramos mais sumidades. Os chamados: sabe-tudo!

Tem gente que escreve um livro de poesia e já se diz escritor, tem gente que encena uma peça e já se sente um ator consagrado, tem outros que escrevem peças e se acham grandes dramaturgos, tem outros que fazem curtas e já des-filam como diretores consagrados, e todos se vangloriam de seus feitos, não aceitam críticas e ainda se enchem de glamour.

Pode parecer que não, mas tem muita gente assim. E ai de quem discorda de seus pontos de vistas! São auto-suficientes e não precisam mais aprender, pois já mostraram que sabem, pois já fizeram uma vez. Pelo menos é o que eles acham. Mal sabem eles, que o campo das artes pede aperfeiçoamento continuo e muita disciplina.

Só através da disciplina se chega à perfeição, muito embora saibamos que em arte, a perfeição é muito relativa, por isso, disciplina é fundamental. Quem acha que só por que já sabe fazer alguma coisa, já tem capacidade de fazer outra, morre no meio do caminho. Quem escreveu um livro de poesia, só vai poder escrever um romance se tiver disciplina. Um ator precisa de horas e horas de disciplina para enfrentar tantos outros papéis. Aquele que teve a felicidade de escrever um texto para teatro, precisará de muita disciplina para refazer várias e várias vezes a mesma história. E um diretor precisará fazer muitos “curtas” até atingir o ponto ideal de filmar o seu longa-metragem.

É assim, a vida na arte não tem espaço para seres humanos que se acham o máximo. Nas artes o trabalho é duro e ninguém vai se transformar em escritor de novelas da noite pro dia. Há muita estrada para se caminhar e muitas expe-riências para serem acumuladas. Nas artes não tem espaço para pressa. Não há espaço para pular etapas. Há muita dedicação e disciplina.

E a maior lição de todas: a humildade. Para reconhecer que ainda não está pronto. Para aceitar que não atingiu o que se queria passar. Que não se deu o suficiente para um certo papel. Que podia escrever bem melhor do que fez. E, acima de tudo, reconhecer como é necessário aprender, aprender e aprender.

É triste quando recebemos críticas sobre aquilo em que dedicamos toda a nos-sa verdade, corta o coração. Mas é preciso perceber que o ser humano só será o máximo, quando entender a sua pequenez diante da magnitude daquilo que ele tanto quer fazer. O artista jamais será maior que sua arte.

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