O Saci

Novembro 14, 2008

Oi pessoal, deixa eu me apresentar primeiro: Meu nome é Helena, tenho nove anos e gosto muito de aventuras. Estou chegando agora no blog do tio Paulo. Sabe, ele deixou que eu viesse aqui para contar á vocês as minhas aventuras. Espero que vocês gostem!

 

Falando em aventura, preciso contar essa pra vocês! Nas férias de Julho fui visitar meus primos que moram no interior, pra falar a verdade, eu não conhecia nenhum deles.

 

No começo, foi aquele encheção (vocês sabem como é, não é mesmo?) Veio um tio, puxou a minha bochecha e disse: “Que menina, mais linda!”. A outra tia veio e: “Como cresceu essa menina!”. A outra tia cismou de me pegar no colo e disse: “Deixa eu pegar de novo essa menina no colo” Meus pais, não faziam nada, só riam, riam e riam. (Aquele riso sem graça, sabe?) Eu já estava com vontade de voltar pra casa.

 

De repente, atravessaram a sala feito uns foguetes, dois meninos, eram os meus primos, João e Antônio. Antes de atravessarem a porta que dava pra rua, tia Ana gritou: “Onde vocês pensam que vão?” O tio Onofre bravo disse: “Não vão cumprimentar os tios e a prima? Aí pensei: “Lá vai começar a encheção!”

 

Que nada, os primos disseram seus nomes me puxaram pela mão e saímos todos em disparada, porta afora. Só paramos quanto estávamos bem no meio de uma floresta. Eu nunca tinha visto nada igual, só em filmes! Confesso que estava um pouco assustada, até os primos começarem a rir de mim.

 

“Ta com medo, Helena?” Disse Antônio. “Claro que ta! Olha a cara dela!” Disse se gabando, o primo João. Mas, eu precisava colocar aqueles dois moleques nos seus lugares. Então, emendei: “O que tem aqui nessa floresta que pode me deixar com medo?”

 

Foi aí que o primo Antônio disse: “Você tem medo de assombração?”

 

“Eu não! Assombração não existe!”

 

“E de Saci, você tem medo?” Disse o primo João.

 

“Saci não existe! Saci é folclore!”

 

“Então hoje você vai ajudar a gente pegar um!” Disse o primo Antonio.

 

Eu não acredito nessas coisas de lendas, a professora já contou todas elas na escola, e lá na cidade onde eu moro, nunca ninguém viu um saci. Então, o primo Antonio abriu a mochila que trazia nas costas e os dois tiraram de dentro dela, uma garrafa, uma rolha e uma peneira.

“Está vendo essas coisas aqui, Helena?” Disse Antônio.

 

“Tô! É uma garrafa, uma peneira e uma rolha.

 

“Pois é com isso que vamos capturar um saci” Disse o primo João.

 

Não agüentei. Comecei a rir sem parar. “Onde já se viu, pegar Saci!” Primeiro: porque Saci não existe e segundo: porque nunca vi ninguém pegar coisa alguma com uma peneira!

 

De repente começou uma ventania tão grande, era até difícil conseguir se equili-brar com os pés no chão. Tive que segurar no tronco de uma árvore, senão o vento me carregava.

 

No meio daquela ventania, eu comecei a ouvir um monte de risadas. Volta e meia, sentia puxarem o meu cabelo. Até briguei com os primos. Foi então que eles me disseram: “Olha o Saci!” Eu não via nada.

 

Só via o primo Antônio segurando a peneira e o primo João segurando a garrafa e a rolha. Eles mal conseguiam ficar em pé no meio daquela ventania. E as risadas aumentavam, aumentavam, e os puxões em meus cabelos também. Eu tive que admitir para os primos que estava morrendo de medo.

 

“Não se preocupe, Helena! Já, já a gente pega esse Saci!” Disse o primo Antonio.

 

“É agora, Antonio. Joga a peneira!” Disse o primo João.

 

O primo Antônio entrou no meio daquele redemoinho de vento e prendeu o Saci na peneira. O primo João foi em seguida, pegou a garrafa e enviou o Saci dentro, tampando a garrafa com a rolha.

 

Eu não acreditei. Mas lá dentro daquela garrafa, tinha um serzinho de uma perna só, gorro vermelho e um cachimbo na boca que gritava sem parar: “Me tira daqui! Me tira daqui!”

 

Foi assim que descobri que o Saci existe. Vocês podem até não acreditar nessa minha aventura. Foi uma pena eu não ter levado nem a minha máquina digital, nem meu celular. Pois, seu tivesse fotografado o primo João segurando a garrafa com o Saci dentro, vocês iriam acreditar.

 

Bem, deixa eu ficar por aqui, pois não posso ficar abusando do blog do tio Paulo, senão ele não me deixa voltar aqui pra contar mais das minhas aventuras.

 

Um beijão à todos e até uma hora dessas.