E AÍ, SEU GÊNIO?

junho 12, 2012

Em cena, um homem de meia idade, sentado no proscênio, tem uma corda amarrada no pescoço.

HOMEM – Não adianta! Não adianta!… Coragem, homem! Pula logo e acaba com essa vida miserável! Coragem!

O HOMEM SE LEVANTA, ANDA PELA CENA ATRÁS DE ALGO PARA AMAR-RAR A CORDA E TROPEÇA EM UMA GARRAFA.

HOMEM – Droga! É tanto lixo nesta droga de cidade que nem pra se matar um homem pode!

O HOMEM PEGA A GARRAFA.

HOMEM – Olha só isso: uma garrafa!

O HOMEM SACODE A GARRAFA.

HOMEM – Droga! Tá vazia! Bem que podia tá cheia! Assim eu aproveitava e tomava mais um pouco de coragem!

O HOMEM JOGA A GARRAFA, UMA NUVEM DE FUMAÇA ENCHE A CENA.

HOMEM – Que isso?

DA FUMAÇA, SURGE UM HOMEM VESTIDO DE GÊNIO.

GÊNIO – Obrigado por me libertar da garrafa, agora, o amigo tem direito a fazer três pedidos.

HOMEM – O quê?:

GÊNIO – Três pedidos! Qualé, tu nunca ouvi falar nas histórias de gênios?

HOMEM – Isso é uma alucinação! Deve ser efeito de tanto remédio e tanta bebida que misturei arrumando coragem pra me matar!

GÊNIO – E aí, mané? Vai ficar aí parado ou vai fazer logo os seus pedidos?

HOMEM – Quer dizer que você é um gênio?

GÊNIO – Um legítimo representante da classe dos gênios das lâmpadas mara-vilhosas! Taqui o meu cartão!

O HOMEM PEGA O CARTÃO QUE O GÊNIO LHE ENTREGA.

HOMEM – (LENDO O CARTÃO) Adamastor, o gênio! Trago o seu amor em três horas, tiro olho gordo, faço banho de descarrego, faço amarração, simpatia pra tudo de ruim na sua vida! Faça agora mesmo o seu pedido! Aliás, três pedidos!

GÊNIO – É isso! Serviço garantido! Pode pedir!

O HOMEM TIRA A CORDA DO PESCOÇO E A JOGA NO CHÃO.

HOMEM – Então tá certo! Quer dizer que posso pedir o que quiser?

GÊNIO – Pode!

HOMEM – Então, vamos lá!

GÊNIO – Mas pense bem, pois pedido feito é pedido atendido!

HOMEM – É qualquer coisa mesmo?

GÊNIO – Qualquer coisa! Aliás, três coisas! Tu tem direito a três desejos!

O HOMEM ANDA PELA CENA, PENSATIVO.

GÊNIO – Como que é? Eu não tenho o dia todo!

HOMEM – Calma aí! São só três pedidos, não posso errar!

O HOMEM CONTINUA ANDANDO. O GÊNIO PEGA A CORDA E COLOCA NO SEU PESCOÇO.

HOMEM – Seu gênio, posso pedir qualquer coisa?

GÊNIO – Já não falei que pode?

HOMEM – Então vou fazer o primeiro pedido.

GÊNIO – Manda!

HOMEM – Eu quero que você me dê coragem!

GÊNIO – É pra já!

O GÊNIO BATE PALMAS E DÁ UM ASSOPRO EM DIREÇÃO AO HOMEM.

GÊNIO – Pronto! Agora tu é o cabra mais macho desta terra!

HOMEM – Já to me sentido bem corajoso!

GÊNIO – Então, agora manda outro!

O HOMEM ANDA DE NOVO PELA CENA.

HOMEM – Um outro pedido… um outro pedido… Já sei!

GÊNIO – Vê se capricha, hein?

HOMEM – Eu quero ter muita força!

GÊNIO – É pra já!

O GÊNIO BATE PALMAS E DÁ UM ASSOPRO EM DIREÇÃO AO HOMEM.

GÊNIO – Agora você é o homem mais forte do mundo!

O HOMEM FAZ POSE DE FORTÃO. MOSTRA OS BÍCIPS.

HOMEM – É, já estou me sentido bem mais forte!

GÊNIO – Agora vê se capricha, porque é teu último pedido.

HOMEM – Deixa eu pensar!

O HOMEM ANDA PELA CENA.

GÊNIO – E aí, como é que é? Qual o seu terceiro pedido?

O HOMEM SE COLOCA NA FRENTE NO GÊNIO, LHE ARRANCA A CORDA DO PESCOÇO E LHE ACERTA UM SOCO. O GÊNIO DESABA, DESA-CORDADO.  O HOMEM PEGA A CORDA, A COLOCA EM SEU PESCOÇO E SE COLOCA EM PÉ NO PROSCÊNIO.

HOMEM – Eu não consigo nem concretizar um desejo, aí vem um maluco dizendo que é um gênio e me diz que vai me realizar três pedidos? Será que nem me matar em paz eu posso?

O GÊNIO SE LEVANTA.

GÊNIO – Teu desejo é uma ordem!

O GÊNIO BATE PALMAS E DÁ UM ASSOPRO EM DIREÇÃO DO HOMEM. A MÃO DO HOMEM GRUDA NA CORDA E ELE VAI APERTANDO A CORDA, MAIS, MAIS E MAIS.

HOMEM – (Quase sem ar) Socorro!!.. E aí, seu gênio, não vai me ajudar?

GÊNIO – Não posso fazer mais nada, o Mané aí já fez os três pedidos!

HOMEM – (Já de joelhos) Socorro!… Eu vou morrer!! Me ajuda!!

GÊNIO – Pediu, o Gênio realizou!

O HOMEM FAZ MÍMICAS PEDINDO QUE O GÊNIO LHE AJUDE, VAI TENTANDO SOLTAR A CORDA DO PESCOÇO.

GÊNIO – Agora preciso ir. Bye, bye… Manézão!

O GÊNIO BATE PALMAS, UMA NUVEM DE FUMAÇA ENCHE A CENA. O HOMEM CAI ESTIRADO NO CHÃO. BLACK-OUT.

FIM


O amador é quem faz o teatro

maio 7, 2011

Por mais que procurem não dar importância e, às vezes, até menosprezar o teatro feito de forma amadora, é preciso deixar claro que se comete a maior das injustiças, pois é justamente entre os amadores, que a arte de fazer de Teatro, respira e se revigora dia-a-dia. É no Teatro amador que a arte se preserva e onde se é capaz de ver brotar novos atores de verdade.

Porque é no teatro amador que se vive de fato, toda a dificuldade que se tem para colocar um espetáculo em cartaz, a necessidade de se custear a produção, de viabilizar a montagem, muitas vezes com recursos ínfimos e escassos e compartilhados pelos integrantes do grupo. E é no teatro amador que se aprende a abdicar da própria vida em favor da arte.

Não podemos renegar, diminuir, ou até mesmo desdenhar de quem faz teatro de uma forma amadora devemos sim, louvá-los, pois, todos eles, são desprendidos de quaisquer outros valores, e, levam muito mais em conta a coisa artística do que o lado financeiro, e, em nome do teatro, preocupam-se apenas em mostrar a grandeza na arte de interpretar, esperando apenas alguns sinceros aplausos.

Muito me entristece quando desqualificam e diminuem os esforços destes “dom-quixotes” do teatro, pois não leva-se em conta, nem mesmo a boa intenção de mostrar a arte do Teatro. É claro que muitos tem defeitos e mostram deficiência nas suas apresentações, mas, precisamos aprender a enxergar em cada uma dessas apresentações, a semente do teatro germinado, que, por certo, manterará viva a cultura teatral.

Seja na escola, na igreja, na associação de classe, a iniciativa de levar a arte do teatro para as pessoas, deve ser respeitada, pois, mesmo que não haja a mesma qualidade que se espera e que se encontra em produções de quem vive da arte do Teatro, a intenção de preservar a magia que a arte de interpretar desperta nas pessoas, precisa ser levada em conta.

Somente com a preservação do Teatro amador, onde se planta a semente do fazer teatral, que o Teatro sobreviverá. Quem achar que a má qualidade de quem produz teatro de forma amadora pode contribuir para a desvalorização da arte, pode estar comentando um grande equívoco, pois, que atire a primeira pedra, aquele que hoje é um artista famoso, que no início de sua carreira, não fez parte de um grupo amador.

O Teatro amador precisa ser respeitado e incentivado, ao invés de ser desqualificado e desprestigiado. Quem sabe, a contribuição dos que hoje já são unanimidades do meio teatral, não venha fortalecer e fazer com que o Teatro Amador continue sendo o grande celeiro de novos talentos do teatro nacional?


ERA UMA VEZ UM HOMEM…

março 5, 2009

ERA UMA VEZ UM HOMEM…

Peça Infantil de: PAULO SACALDASSY

PERSONAGENS

TATU

TAMANDUÁ

JAGUATIRICA

HOMEM

    

OBS.: Os diálogos estão em linguagem coloquial característica do pessoal do interior, portanto não obedecem à norma culta da língua.

 

CONTATO: sacaldassy@yahoo.com.br

TEL.: 0 XX 13 – 3363-3942

 

 

 

 

CENÁRIO: UMA FLORESTA.

AO ABRIR AS CORTINAS, UM TATU ESTÁ EM CENA SENTADO EM UMA PEDRA, ENROLANDO UM FUMINHO DE ROLO, TEM UMA VIOLA AO LADO. UM TAMANDUÁ E UMA JAGUATIRICA SE APROXIMAM.

Tamanduá     - Boa tarde, cumpade Tatu!

Tatu                - Tarde!

Jaguatirica    - Tudo tranquilo por aqui?

Tatu                - Tudo!

Tamanduá     - O cumpade tá sabendo que tentaram entrá na floresta outra vez?

Tatu                - Tô sabendo sim! É sempre assim…

Jaguatirica    - Mas num havera de se preocupá, não, viu cumpade Tamanduá! Se arguém se atrevê tirá a nossa paz, eu põe pra corrê.

Tatu                - Tá certo, cumade! Tâmo sabendo de sua corage!

Tamanduá     - Essa sua tranquilidade é impressionante, vice?

Tatu                - Pressa pra quê cumpade?

Jaguatirica    - Pra fugí do inimigo, ara!

Tatu                - Inimigo, a gente enfrenta com a cabeça, sô! Aliás, já que ocês tão por aqui mesmo, vô contá um causinho pr’ocês…

Tamanduá     - Lá vem o cumpade com suas histórias!

Jaguatirica    - Com suas mentiras, isso sim! Pois o cumpade não passa de um mentiroso, isso é que é!

Tatu                - Mas, essa ocês sabem que é verdade! Ou ocês num alembram?

Tamanduá     - Quar? Num vai dizê que é aquele da cumade galinha que quase morreu entalada com o seu próprio ovo?…

Jaguatirica    - Nem aquela do cumpade Jacaré que tava cansado de nadá e qua-se morreu tomando sol na beira do rio…

Tatu                - Nada disso! É a história daquele outro bicho… o bicho home!…

Tamanduá     - Essa eu num gosto nem de me alembrar!

Jaguatirica    - Mas, quar? São tantas!

Tatu                - É aquele que o tar bicho home…

SOM DE TIROS. OS BICHOS SAEM CORRENDO. BLACK-OUT.

LUZ GERAL, UM HOMEM VESTIDO DE CAÇADOR TRAZENDO UMA MOCHILA,  ENTRA EM CENA.

Homem          - Nessa mata devastada

                          Onde quase não há nada

                          Ainda haverei de encontrar

                          Um bicho de pêlo grosso

                          Um outro de casca dura

                          Quem sabe uma onça pintada

                          Para fazer uma moldura

                          Um tal bicho em extinção

                          Que seja uma raridade

                          Aumentando a devastação

                          Dessa fauna tão selvagem

                          Mesmo porque o que interessa

                          É a vida do homem da cidade

                          Porque bicho da floresta

                          Serve só pra fazer maldade

                          E assim que eu encontrar

                          Serei reconhecido como aventureiro

                          Vou ter uma vida melhor

                          Vou ganhar muito dinheiro

                         Mas, onde estão os bichos desta floresta? Não acredito que não viva por aqui nenhum bicho que valha a pena ser capturado. Uma espécie em ex-tinção será bem melhor, pois o dinheiro será maior… Tem bicho que não serve pra nada mesmo. (O HOMEM TIRA DE SUA MOCHILA ALGUNS OBJETOS E PRE-PARA UMA ARMADILHA) Vou deixar essa bem aqui. Enquanto isso vou procurar algum lugar para armar acampamento, depois eu volto para ver se algum bicho esperto caiu em minha armadilha.

O HOMEM SAI DE CENA. ENTRAM O TATU, O TAMANDUÁ E A JAGUATIRICA. O TATU, COMO SEMPRE, SENTA EM SUA PEDRA E CONTINUA ENROLANDO O SEU FUMINHO DE ROLO. TEM SUA VIOLA ENCOSTADA A PEDRA.

Tamanduá     - Esse tiro não é um bão sinar!

Tatu                - É verdade, cumpade!    

Jaguatirica    - Já tô sentindo cheiro de home por aqui.

Tatu                - E olha só! (MOSTRANDO A ARMADILHA) Ele já chegou por aqui!

Tamanduá     - Então, agora tâmo perdido, cumpade!

Jaguatirica    - Vou arrancá o coro desse home!

Tatu                - É só prestá a atenção pra num pisá na armadilha. Se o home vê que num pegô bicho nenhum, ele vai embora!

Tamanduá     - Mas, ocê é muito tranquilo, mesmo, hein cumpade?

O TATU SE PÕE PENSATIVO.

Jaguatirica    - É que ele sabe que se precisá, eu tô aqui!

                          De uma linhagem felina

                          Sou uma onça brasileira

                          Vivo embrenhada nas matas

                          Num faço mar a ninguém

                          Há aqueles que tem medo

                          Quando dou o meu rugido

                          Mas é só auto defesa

                          Não quero ferir ninguém

  Só se me atacam primeiro

  Viro de fato uma fera

  Onça feroz e viril

                          E com o meu bote certeiro

                          Quando ninguém mais espera

                          Eu firo assim quem me feriu.

SONS DE TIRO. OS BICHOS TRATAM DE SAIR CORRRENDO. O RABO DO TAMANDUÁ FICA PRESO NA ARMADILHA. ENTRA O HOMEM.

Homem          - Olha só! Um belo tamanduá em extinção caiu na minha armadilha!

A JAGUATIRIGA ATRAVESSA A CENA TIRANDO A ATENÇÃO DO HOMEM. O TATU VAI E LIVRA O TAMANDUÁ DA ARMADILHA.

Homem          - Droga! Não é que aquele tamanduá conseguiu escapar! Se não fosse aquela onça!… Mas isso é um bom sinal! Deve ter outros bichos em extinção prontos para caírem nas minhas armadilhas. Desta vez vou armar logo duas arma-dilhas. Assim, tenho certeza que consigo pegar algum.     

O HOMEM ARMA SUAS ARMADILHAS E SAI. OS BICHOS ENTRAM.

Tamanduá     - Essa foi por pouco!

Tatu                - É cumpade! Precisa prestá mais atenção!

Jaguatirica    - Da próxima vez, esse home num me escapa!

Tamanduá     - Olha lá! O home agora armô duas armadilha!

Tatu                - Num se preocupe, cumpade, a gente é mais esperto que ele!

Jaguatirica    - E temos uma vantagem, já conhecemos muito bem a mata.

Tamanduá     - Num sei que esse bicho home quer tanto aqui na floresta!

Tatu                - Vai vê ele gosta do ar puro, né mesmo, cumade?

Jaguatirica    - É verdade, cumpade!

OS DOIS CAEM NA GARGALHADA.

Tamanduá     - Já faz tempo que aqui

                          Num se tem paz pra vivê

                          Há alguém a nos perseguir

                          Temo sempre que corrê

                          Como pode ser assim

                          Num se ter tranquilidade

                          Tâmo quase no fim

                          Por conta de tanta mardade

                          Precisamo encontrá

                          Uma solução certeira

                          Uma forma derradeira

                          De acabá com a perseguição

OUVE-SE SOM DE TIRO

                         Corre Tatu e se esconde

                         Que o homem vai te pegá

                          Eu também já vou indo

                          Pois preciso escapá

OS BICHOS CORREM, MENOS A JAGUATIRICA QUE FICA PRESA EM UMA DAS ARMADILHAS. ENTRA O HOMEM.

Homem          - Olha só! Que bela onça pintada!

Jaguatirica    - Me sorta daqui!

Homem          E não é que a tal onça é valente! Esse belo exemplar vai me render um bom dinheiro. Só que sua cabeça vou pendurar na minha sala como um troféu, pois não é sempre que se consegue capturar uma onça, não é mesmo? Bom, acho que vou descansar dessa caçada, mesmo porque, já não vou embora de mãos abanando. (PARA A JAGUATIRICA) E você, trate de se comportar, viu?

Jaguatirica    - Preciso dá um jeito de me livrá dessa armadilha, senão vou acabá morrendo, isso sim!

ENTRAM O TATU E O TAMANDUÁ.

Tatu                - Ê cumade, tanta valentia e acabô caindo na armadilha, hein?

Tamanduá     - Eu bem que avisei pra corrê!

Jaguatirica    - Me tirem daqui, por favô! Ele disse que vai me matá!

Tatu                - Carma, cumade! Sempre tem uma saída.

Tamanduá     - Mas, quar?

Jaguatirica    - Me tira daqui! Me tira daqui!

Tatu                - Nem sempre é com a força

                          Que se ganha uma batalha

                          Ou se escapa do perigo

                          Precisa ser astuto

                          Muito mais que destemido

                          Pra enfrentá o inimigo

                          Aí sim será possível

                          Revertê toda a situação

                          Deixá de sê o perseguido

                          Pra fazê a perseguição

                          E no momento certo

                          Quanto menos se esperá

                          Dá o bote certeiro

                          E o inimigo capturá

O TATU SE SENTA NA PEDRA E SE PÕE PENSATIVO.

Jaguatirica    - (PARA O TAMANDUÁ) Ocê precisa me tirá daqui. Quando ocê caiu na armadilha eu ajudei ocê a escapá!       

Tamanduá     - Eu sei, cumade! Mas, como posso fazê isso?

O HOMEM ENTRA DE SURPRESA.

Homem          - Olha só isso! Agora minha caçada ficou completa. Uma onça, um tamanduá e um tatu. Dessa vez vou faturar alto! Fazia tempo que uma caçada não era tão bem sucedida!.

O TATU SE LEVANTE E VAI EM DIREÇÃO AO HOMEM.

Jaguatirica    - Cuidado, cumpade!

Tamanduá     - Num faz isso! Ele vai te pegá!

Tatu                - Ô, seu home! A gente pode tê dois dedinhos de prosa!

Homem          - Não tenho nada pra conversar com você!

Tatu                - É que eu queria contá uma historinha pra vos micê…

Tamanduá     - Lá vai o cumpade com suas histórias!

Jaguatirica    - (PARA O TAMANDUÁ) Aproveita que o cumpade vai contá as suas histórias e tenta sortá esse nó que tá prendendo minha pata.

Homem          - (PARA O TATU) Tudo bem! Mas tem que ser bem rápido, pois preciso levar vocês logo daqui!

Tatu                - Num vai demorá nada. É só um tiquinho…

Tamanduá     - (PARA A JAGUATIRICA) Tá difícil, cumade!

Tatu                - (PARA O HOMEM) Era uma vez um home, lá pra bandas da Mata Larga… Um caboclo valente como ele só… Assim como vos micê aqui! Ele num tinha medo de tatu, de cobra, de tamanduá. Nem mesmo de onça, o caboclo tinha medo. Então, ele entrô na mata mais fechada que existia na região, tava disposto a enfrentá todos os perigos… E chegou lá, no meio da mata, com toda sua corage e valentia…

Homem          - (PARA O TATU) Dá pra ser um pouquinho mais rápido?

Jaguatirica    - (PARA O TAMANDUÁ) Vai cumpade! Tá quase soltando o nó!

Tatu                - (PARA O HOMEM) Tá certo! O home quer que eu seja rápido, então vamô lá!… O caboclo enfrentô todos os bichos daquela mata e vortô pra casa sastisfeito com a sua caçada, assim como vos micê tá, sastisfeito por tê capturado três espécies em extinção… Mas aí, quando o caboclo vortô pra sua casa, que tragédia… um outro bicho home, mais valente do que ele e mais ganancioso do que ele, tinha invadido sua casa e matado toda a sua família…       

Homem          - Ora, isso é conversa fiada. Vou acabar já com essa brincadeira! (E SACA SUA ARMA).

O TAMANDUÁ CONSEGUE SOLTAR A JAGUATIRICA. OS TRÊS BICHOS CER-CAM O HOMEM.

Tatu                - … Só que o bicho home num aprendeu a lição e continua a invadí as matas atrás dos animar em extinção. Ê bicho burro esse tar de home!…

O HOMEM APONTA A ARMA PARA O TATU, MAS A JAGUATIRICA PULA EM CIMA DELE. OS DOIS LUTAM. O HOMEM CONSEGUE ESCAPAR E SAI DE CE-NA. BLACK-OUT.

LUZ GERAL. O TATU ESTÁ SENTADO NA MESMA POSIÇÃO DO INÍCIO, EN-ROLANDO SEU FUMINHO.

Tatu                - Ê bicho mais burro, não, sô!

Jaguatirica    - Mas também se num fosse eu?

Tamanduá     - Mas seu eu num tivesse te soltado…

Tatu                - Só, que se num fosse o meu causinho, o tar do bicho home, tinha era papado nós três…

Jaguatirica    - É! Isso bem que é verdade!

Tamanduá     - Ê cumpade mais esperto, sô!

Tatu                - Já que ocês gostaram tanto desse meu causinho, vou contá outro pro’cês…

Tamanduá     - Chega de causo por hoje, cumpade!

Jaguatirica    - Também já tô sastisfeita!

OS DOIS SAEM DE CENA.

Tatu                - E tem cumpade que num acredita nas minhas histórias!

O TATU ACENDE SEU FUMINHO DE ROLO, PEGA SUA VIOLA DE TRÁS DA PEDRA E COMEÇA TOCAR UMA MODA.

                          Coitado do bicho home

                          Que se acha o mais esperto

                          Nós caça porque tem fome

                          E ele por sê anarfabeto

                          Num sabe que samos parte

                          Todos da mesma família 

                          O home só faz besteira

                          E cai sempre na armadilha…

APAGUAM-SE AS LUZES. FECHAM-SE AS CORTINAS.

                                                           - FIM -


QUE PRESENTE!?

novembro 6, 2008

CENÁRIO: INTERIOR DE UM CARRO.

UM CASAL FAZ MALABARISMO PARA ENCONTRAR A MELHOR POSIÇÃO PARA FAZER SEXO. O HOMEM ACABA FICANDO POR CIMA DA MULHER.

MULHER – Chega! Assim não dá! Ou você me leva pro motel ou vou fazer greve de sexo!

A MULHER EMPURRA O HOMEM DE CIMA DE SI.

HOMEM – Pô, não faz isso, coração!

MULHER – E pára de me chamar de coração!

HOMEM – Tudo bem, neguinha!

MULHER – E pára de me chamar de neguinha também!

HOMEM – Você, hein?

CADA UM FICA EM SEU BANCO. PAUSA. O HOMEM COMEÇA A CORRER A MÃO PE-LO CORPO DA MULHER.

MULHER – E vamô parar com essa mão boba!

HOMEM – Tava tão gostoso!… Vem!…

MULHER – Não era em você que a marcha tava entrando, não é?

HOMEM – Esquece a marcha!… Vem, me dá um beijo!

MULHER – Então liga o carro e me leva pro motel, senão…

HOMEM – Poxa, logo hoje que eu trouxe o presentinho pra você, você fica nesse doce!

MULHER – Não vai dizer que é… Deixa eu ver… deixa eu ver!…

HOMEM – Só se você deixar eu pegar nos seus peitinhos…

MULHER – Então me mostra a caixa!

O HOMEM SE CONTORCE E PUXA DO BOLSO DA CALÇA UMA PEQUENA CAIXA.

HOMEM – Olha só!… Tá aqui, mas só depois que…

A MULHER PULA EM CIMA DO HOMEM E ELES RETOMAM O MALABARISMO. OS DOIS SE ENTRELAÇAM COM A MULHER FICANDO POR CIMA.

MULHER – Eu sabia que você me amava!

HOMEM – Ei, pára!… Tem alguma coisa me machucando!…

MULHER – Deve ser a marcha!

HOMEM – Então sai de cima de mim, pô!

MULHER – Relaxa! Esquece a marcha e vem!

HOMEM – Não dá, pô!

MULHER – Ah… vem!…

O HOMEM EMPURRA A MULHER DE CIMA DE SI.

MULHER – Seu grosso!…

HOMEM – Essa porra tava entrando no meu rabo!…

MULHER – Quer dizer que no meu, pode?

HOMEM – Eu sou espada! Tá pensado o quê?

MULHER – Então tá bom!… Já que não quer, me dá meu presente e pronto!

HOMEM – Você não quer ir pro motel?

MULHER – Chega! Perdi a vontade!… Vai, me dá o meu presente!

HOMEM – Caiu do meu bolso!… Deve de tá no chão do carro.

MULHER – Você também, hein?

O HOMEM ABAIXA MEIO CORPO COMO E PROCURA PELO CHÃO.

HOMEM – Ajuda aí também, né?

MULHER – Tá bom!…

A MULHER ABAIXA MEIO CORPO E TAMBÉM PROCURA PELO CHÃO. OS DOIS ACA-BAM FICANDO MEIO QUE DE COSTAS UM PARA OUTRO.

HOMEM – Achou?

MULHER – Como é a caixinha?

HOMEM – Vermelha! Você não lembra? Acabei de te mostrar!

MULHER – Tá aqui!… Achei!… Achei!!

A MULHER SE ACERTA NO BANCO, EM SEGUIDA, O HOMEM.

HOMEM – Espero que você goste! Gastei meu salário todinho com elas!

MULHER – (ABRINDO A CAIXA) Que alianças mais lindas!… Eu te amo!

A MULHER VAI PRA CIMA DO HOMEM E LHE DÁ UM BEIJO. UM LADRÃO SE APRO-XIMA DO CARRO E APONTA UMA ARMA.

LADRÃO – Passa tudo, passa!

O HOMEM MAIS DO QUE DEPRESSA ENTREGA A CARTEIRA E O CELULAR.

LADRÃO – (PARA A MULHER) Essa caixinha aí, também!

O LADRÃO PASSA A MÃO NA CAIXINHA E SAI CORRENDO DE CENA.

MULHER – Minhas alianças!

HOMEM – Meu salário!….

OS DOIS TENTAM SAIR DO CARRO, MAS A PORTA EMPERRA.

MULHER – (PONDO A CABEÇA PRA FORA DA JANELA DO CARRO) Volta aqui!

HOMEM – (DE CABEÇA BAIXA) Não faz isso comigo, seu ladrão!

A MULHER DÁ UM TAPA NO ROSTO DO HOMEM.

MULHER – Olha aí, custava me levar no motel? Liga essa merda e me leva pra casa!

SOM DE MOTOR DE CARRO LIGADO.

HOMEM  Não acredito! Lá se foi o meu salário, as alianças e ainda fiquei na seca!

A LUZ CAI EM RESISTÊNCIA. FECHAM-SE AS CORTINAS.

                                                           - FIM -


UM ATÉ BREVE…

outubro 6, 2008

CENÁRIO: UMA SALA DE UMA CASA QUALQUER.

COM AS CORTINAS FECHADAS, UM CASAL DISCUTE EM OFF.

Mulher/Off   - Você não podia ter feito isso comigo!

Homem/Off – Nem você!

Mulher/Off   - Eu só fiz pra me vingar de você…

Homem/Off – Você é uma vagabunda!

Mulher/Off   - Você é um safado!… Fora da minha vida!…

Homem/Off – Eu vou mesmo!

ABREM-SE AS CORTINAS. EM CENA, UM MENINO ESTÁ SENTADO NO SOFÁ, ASSISTE TELEVISÃO COM ENTUSIASMO. O HOMEM ENTRA, TRAZ UMA MALA.

Menino        - Vem, pai, vamos assistir o jogo!

Homem       - Hoje não vai dar!

Menino        - O nosso time ta ganhando!… Vem ver!

Homem       - Só um pouquinho!

O HOMEM LARGA A MALA E SE SENTA AO LADO DO MENINO NO SOFÁ.    

Menino        - Onde você vai?… Vai viajar?… Mas hoje é domingo!

Homem       - Não vou viajar, não, meu filho!

Menino        - Então, por que a mala?

Homem       - Sabe o que é…

A MULHER ENTRA.

Mulher          - Seu pai está indo embora de casa!

Menino         - Por que, mamãe?

Homem        - Eu e a mamãe estamos de mal!

Mulher          - Nada disso! A gente brigou pra sempre!

Menino         - Eu não quero que você vá embora!

Mulher          - Mas, é preciso, filho!

Homem        - É melhor assim!

O HOMEM SE LEVANTA DO SOFÁ, A APANHA A MALA.

Menino         - Não tem jeito?

Mulher          - Não tem, filho!

Homem        - Infelizmente, não tem!

Menino         - Então, você ficar até acabar o jogo?

Homem        - Não posso!

Menino         - O pai pode, mãe?

Homem        - É melhor não!

Menino         - Deixa, mãe! Só um pouquinho!… Eu gosto tanto do pai!

Mulher          - Tudo bem!

Menino         - Vem, pai, senta aqui!

O HOMEM LARGA A MALA E VAI ATÉ O SOFÁ SE SENTANDO AO LADO DO MENINO.OS DOIS, TORCEM ENTUSIASMADO. A MÃE OBSERVA OS DOIS.

Menino         - Vai… Vai… Vai…

Homem        - Olha só isso, filho!

Menino         - Vai… Vai… Faz o gol!

Homem        - Olha o gol, filho!… Vai… Vai…

Menino         - É gol, pai!

Homem        - Gooooollllllll!!!

OS DOIS SE LEVANTAM DO SOFÁ VIBRANDO E SE ABRAÇAM. O MENINO PUXA A MÃE PARA O ABRAÇO. OS TRÊS SE ABRAÇAM.

Menino         - Deixa o pai ficar, mãe!

Homem        - Eu também quero ir, filho!

Mulher          - Vai ser melhor assim!

O HOMEM SE DESENTRELAÇA DO ABRAÇO. APANHA A MALA E CAMINHA ATÉ O LADO OPOSTO DE ONDE ENTROU.

Homem         - (Para a mulher) Cuida bem dele!

Mulher           - Eu sempre cuidei!

Homem         - (Para o menino) Se cuida, hein campeão!

Menino          - Amanhã você vem me ver?

Homem         - Não sei!

Menino          - Você deixa, mãe?

Mulher           - Seu pai é quem sabe!

Homem         - Se der, eu venho!… (Para o menino) Agora, me dá um abraço.

O MENINO CORRE PARA OS BRAÇOS DO PAI. ELE O BEIJA E SAI.

Mulher           - Vem, filho! Teu pai precisa ir

Menino          - (Para mão) Por quê?

Mulher           - Um dia você vai entender!

Menino          - Eu não entendo!… Pai!… Volta, pai!

O MENINO SAI DE CENA CORRENDO ATRÁS DO PAI.

Mulher           - Ele vai voltar pra te ver!

A MULHER SE SENTA NO SOFÁ E SE FECHA EM CONCHA.

FECHAM-SE AS CORTINAS.

                                                           - FIM –


O ADEUS NA HORA H

setembro 27, 2008

PALCO VAZIO, A MEIA LUZ, TRÊS ATORES FAZEM UM BALÉ, SIMULANDO MOVIMENTOS DO ATO SEXUAL. EM OFF, SUSSURROS DE UM CASAL FAZENDO AMOR.

LUZ GERAL. OS TRÊS ATORES SE ACOTOVELAM, COMO SE QUISESSEM PASSAR JUNTOS POR UMA ÚNICA PORTA.

Esperma 1 – Não adianta entrar na frente que eu cheguei primeiro!

Esperma 2 – Tu pensa que é quem?

Esperma 3 – Ele acha só porque é grande, que é dois!

Esperma 1 – Vocês estão me devendo essa!

Esperma 2 – Sai da frente que hoje acerto o alvo!

Esperma 3 – Eu que vou entrar primeiro!

Esperma 1 – Não adianta forçar a barra!… Já falei que eu vou na frente!

O ESPERMA 1 ABRE OS BRAÇOS DERRUBANDO OS OUTROS NO CHÃO. EM OFF, SUSSURROS DE UM CASAL FAZENDO AMOR. OS TRÊS SE AFASTAM.

Esperma 1 – (Para o Esperma 2) Não sei o que você ta fazendo aqui? To sabendo que tu não é chegado na fruta…

Esperma 2 – Ih, qualé? Sou um esperma macho!

Esperma 3 – (Para o Esperma 1) Você fala, mas, na hora H, se esconde atrás no primeiro que aparece!

Esperma 2 – Isso é verdade!

Esperma 3 – Se lembra de ontem? Fingiu que tava dormindo…

Esperma 1 – Vocês é que não me chamaram pra festa!

Esperma 2 – O teu negócio é papo… Na verdade, tu não é de nada!

Esperma 1 – Vocês vão ver!

Esperma 2 – Quer saber? Deixa ele ir!  Que faça um bom proveito!

Esperma 1 – Olha aí, não falei!… É um maricão!

Esperma 3 – (Para o Esperma 2) To te estranhando!

Esperma 2 – É que pensando bem… quem for até o fim e não atingir o alvo, morre!

Esperma 1 – O menino ta sensível hoje!

Esperma 3 – (Para o Esperma 2) Estou te estranhando, meu!

Esperma 2 – É sério! Você já pensaram nisso?

O ESPERMA 2 SENTA-SE NUM CANTO PENSATIVO.

Esperma 1 – Sabia que ele não ia agüentar…

Esperma 3 – Poxa, ele ta super afim!

Esperma 1 – Deixa ele pra lá!… Vamos que o movimento ta pegando!

O ESPERMA 2 SE LEVANTA.

Esperma 2 – Vocês não têm medo de morrer?

Esperma 1 – Sai dessa!

Esperma 3 – Que papo careta!

Esperma 2 – Eu sou um espermatozóide muito novo… Me despedir assim da vida!

Esperma 1 – Que vida?… Nós é quem vamos fabricar a vida!

Esperma 3 – É isso aí… Vamos com a gente!

Esperma 2 – Não sei, não!

Esperma 1 – Vamos fazer um trato: Quem chegar primeiro, leva, certo?

OS TRÊS SE JUNTAM E RECOMEÇAM OS MOVIMENTOS SIMULANDO O ATO SEXUAL. EM OFF OS SUSSURROS VÃO AUMENTANDO. MEIA LUZ, OS MOVIMENTOS VÃO AUMENTANDO E ELES VÃO SE ACOTOVELANDO…

Esperma 1 – É hoje!

Esperma 3 – Hoje eu chego primeiro!

Esperma 2 – Eu to com medo!

Esperma 1 – Sai da frente!

Esperma 3 – Não vem, que hoje sou eu!

Esperma 2 – Eu to na frente… Eu to na frente….

A LUZ VAI CAINDO EM RESISTÊNCIA. DE REPENTE UM GRITO.

Mulher/Off  - Pára!… Pára!…. Põe a camisinha! Põe a camisinha!

Esperma 2 – Eu cheguei!… Eu cheguei!…

Esperma 1 – Não vai!… Não vai!…

Esperma 3 – Ele vai colocar a camisinha!… Volta!…

BLACK OUT.

Mulher/Off  - Vai… Põe logo a camisinha!

LUZ GERAL. APENAS O ESPERMA 1 E 3 ESTÃO EM CENA.

Esperma 1 – Coitado! O cara acabou morrendo… Nem se despediu da gente!…

Esperma 3 – Pois é! E ele nem queria, não é mesmo?

OS DOIS RECOMEÇAM LEVEMENTE OS MOVIMENTOS SIMULANDO O ATO SE-XUAL. A LUZ VAI CAINDO EM RESISTÊNCIA.

Esperma 1 – Agora não adianta mais nada! Não mais clima, pô!…

Esperma 3 – É isso aí!… Quem vai ficar com a fama de broxa e o cara mesmo!

OS DOIS SENTAM-SE, UM EM CADA LADO DO PALCO. OS SUSSURROS DO CASAL VÃO DIMINUINDO. APAGUAM-SE AS LUZES.

Homem/Off – Não consigo! Não consigo!

Mulher/Off   – Seu broxa!

FECHAM-SE AS CORTINAS.

                                                           - FIM -


A Valise

setembro 3, 2008

NA SALA DE UM APARTAMENTO, UM HOMEM FALA AO TELEFONE.

 

Homem - A gente leva tudo na minha valise!… Cabe, sim!… Ela é bem espaçosa!

 

ENTRA A EMPREGADA COM UM ESPANADOR NA MÃO, LIMPA OS MÓVEIS. O HOMEM CONTINUA AO TELEFONE.

 

Homem – Você precisa ver! Ela é linda!…. Americana… To te falando!… Já dormi várias noites em cima dela!… Ela agüenta o tranco!

 

A EMPREGADA PÁRA DE LIMPAR E PRESTA A ATENÇÃO NO HOMEM, QUE AINDA FALA AO TELEFONE.

 

Homem – Não, não aconteceu nada com ela!… Olha só, a gente faz assim: Eu ponho as minhas coisas na frente dela e você põe suas coisas atrás dela… É… Se você preferir, eu ponho atrás e você na frente!… É um pouco apertado, mas ela agüenta!… Claro! Já falei pra você!

 

A EMPREGADA FAZ CARA DE ESPANTADA.

 

Homem – Então ta fechado!… Vou pegar a valise e já passo aí pra te pegar!… Um abraço!

 

O HOMEM DESLIGA O TELEFONE.

 

Homem – Que foi, Maria?

Empregada – Não foi nada, não, seu Zé Roberto!

Homem – E que cara é essa?

Empregada  - É que…

Homem – Deixa eu ir que já estou atrasado!

 

O HOME SAI.

 

Empregada  - Ai, meu Deus! Como é que pode um homem tão distinto que nem seu Zé Roberto trair a Dona Ana Maria? Logo com uma Americana!… E a safadeza? Ele, o amigo e a Americana! Cruz credo! (Se benze)… Coitada da Dona Ana Maria!

 

ENTRA A MULHER

 

Mulher – Coitada por quê?

Empregada  - Não foi nada, não!

Mulher – Como não? Você acha que sou uma coitada por nada?

Empregada  - Sabe o que é, dona Ana Maria…

Mulher – Não sei, Maria! Não sei!

Empregada  - Foi sem querer que ouvi a conversa. Eu juro que não queria!

Mulher – Que conversa?

Empregada  - Deixa pra lá, dona Ana Maria. Deixa pra lá!

Mulher – Desembucha, Maria! Coitada por que?

Empregada  - O seu Zé Roberto ta traindo a senhora!

Mulher – O quê?

Empregada – E ainda ta fazendo safadeza com a Americana e com o amigo!

Mulher – Que Americana? Que amigo?

Empregada – Foi assim, ó! Eu vinha entrando pra passar os espanador nos móvel, quando ouvi o seu Zé Roberto falando no telefone.

Mulher – O que é quem tem?

Empregada – Eu ouvi ele falá pro outro que tem uma americana lindona! Que já drumiu num sei quantas noites em cima dela. E se outro quiser, pode colocar as coisa, na frente, ou atrás dela!

Mulher – Que conversa é essa, Maria?

Empregada – Como é mesmo o nome da Americana?

Mulher – E ele falou o nome?

Empregada  - Falou sim! É que não consigo me alembrar! Acho que é Vasile!

 

A MULHER RESPIRANDO ALIVIADA.

 

Mulher – Não seria, valise?

Empregada – Isso! A senhora conhece ela?… Ai, meu Deus (E SE BENZE)

Mulher – Valise não é gente, Maria! Valise é uma mala pequena!

Empregada – A senhora ta brincando!

 

ENTRA O HOMEM TRAZENDO UMA VALISE.

 

Mulher – Olha aí o Zé Roberto com a valise!

Homem – Que é quem tem, a valise?

Empregada – Mas… E aquela conversa no telefone?

Mulher – (APRESENTANDO) Maria! Valise!… Valise! Maria!

Homem – Alguém pode me explicar o que ta acontecendo aqui?

 

A EMPREGADA OLHA ADMIRADA PARA PEQUENA MALA.

 

Mulher – Vamos que eu te acompanho. No caminho, te explico!

Homem – Vamos eu to atrasadíssimo! Até a volta, Maria!

Empregada – Inté!

 

O HOMEM E A MULHER, SAEM.

 

Empregada – Diacho! Mania que esse povo da cidade grande tem de colocar nome difícil nas coisas! Mala é a mala, uaí! Mas, quer saber de uma coisa? Deixa eu cuidar da vida, senão acabo perdendo o emprego!

 

A EMPREGADA SAI DE CENA, PASSANDO O ESPANADOR NOS MÓVEIS.


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