Depois dizem que criança é birrenta!

Março 28, 2009

Oi, gente! Tá cada vez mais difícil entrar no blog do tio Paulo, viu? Eu peço, peço, peço, mas ele não me deixa. Agora, aproveitei que ele está escrevendo um texto e entrei aqui para contar uma história pra vocês. Não é bem uma aventura como as outras. É uma história muito triste. Na verdade é sobre uma briga que eu vi na televisão. Uma briga, não! Uma guerra!

 

Eu tava brincando com as minhas bonecas, bem no meio da sala, quando o meu pai chegou.

 

“Helena, vê se não faz barulho que eu quero ver o jornal!”

 

Eu nem tava fazendo barulho. E continuei com a minha brincadeira.

 

“Agora a gente vai jantar, viu, Dona Helena?”

 

Minha mãe queria que a gente jantasse logo, pois ela queria ver a novela. Era assim todo dia. Meu pai via o jornal e minha mãe via novela.

 

“Deixa eu ver só essa reportagem!” Disse o pai de Helena.

 

“Eu não consigo entender tanto ódio desse povo!” Retrucou a mãe de Helena.

 

Aquela conversa do meu pai com a minha mãe chamou minha atenção, então, resolvi parar de brincar e não tirei mais os olhos da televisão.

 

“Senta, vamos ver isso!” Disse o pai de Helena a sua mãe.

 

“Eu já não agüento mais assistir tanto absurdo!” Respondeu a mãe de Helena.

 

Enquanto meu pai e minha mão conversavam, eu fiquei ali olhando o moço do jornal da televisão, falando que um povo que morava num lugar chamado Israel, estava brigando com um pessoal que morava num lugar chamado Palestinha. Não! Palestina.

 

“Depois, se a comida ficar fria, não quero nem saber!… Vem comer, Helena!”

 

Eu fiz um sinal com a mão pedindo para minha mãe esperar, pois uma coisa eu não estava entendendo muito bem. O moço do jornal disse que eles estavam brigando num lugar chamado de Terra Santa. Mas, como pode ser santa, se um vive jogando bomba na terra do outro?

 

“A professora disse que todos nós somos filhos de Deus, será que eles não são?”

 

Eu não conseguia entender. Aquelas bombas matando crianças nas duas terras, não era uma coisa boa de fazer.

 

“Olha só isso!… Que absurdo!” Disse o pai de Helena, indignado.

 

“Eles que se matem!” Disse a mãe de Helena, lá da cozinha.

 

Minha mãe estava morrendo de raiva. Acho que ela também não gostava de ver um jogando bomba no outro.

 

“Pai, posso fazer uma pergunta?”

 

“Fala, Helena”.

 

“Eles estão brigando desse jeito porque eles acham que cada um é que é dono da terra de Jesus?”

 

“Mais ou menos. Deixa eu ver a televisão, Helena!”

 

“Mas, Jesus não está no céu?”

 

“Está, minha filha, está!”

 

Aí eu parei de ver a televisão. Não conseguia entender a briga mesmo. Ainda mais quando o moço falou que aquela briga não tinha dia pra acabar.

 

“Manhêêêê!!! To com fome!”

 

Larguei minhas bonecas no meio da sala e sai correndo pra jantar. E tem mais, pra mim, tá todo mundo errado. Onde já se viu, se todo mundo é filho de Deus, não pode um povo ficar brigando com o outro por caso da terra de Jesus. Se a terra é de Jesus, tem de ser de tudo mundo.

 

Ai, esses adultos não tem jeito, depois dizem que criança que é birrenta!

 

Bom, foi mais ou menos isso que entendi na televisão. Agora já vou ficando por aqui. Um beijo para todos vocês. Ah, espero não demorar muito para voltar aqui no blog do tio Paulo. Tchaaaaaaauuuuuuu!!!!


AMIZADE NÃO TEM COR

Dezembro 19, 2008

Oi, gente! Tava morrendo de saudades de vocês! Sabem o que aconteceu? Não! Eu não fiquei doente, não! É que o tio Paulo mudou e foi aquela correria. Ele teve que desligar o computador e com a mudança, acabou ficando sem a Internet um tempão! E aí eu não tinha como entrar no blog dele pra falar com vocês. Mas agora já está tudo resolvido e eu vou poder contar uma coisa super legal que aconteceu comigo! Foi uma aventura e tanto. Como sempre, né?

 

Eu e a minha amiga Joana fomos com os pais dela a praia. Até aí, nenhuma novidade, não é mesmo? Nenhuma novidade porque eu ainda não contei pra vocês que a Joana levou junto o primo dela, o Paulinho.

 

“Pô, Joana, porque você disse que esse menino vinha?”

“Ele veio passar as férias na minha casa.”

“Que saco!”

 

Pra falar a verdade, eu e o Paulinho nunca conversamos. Eu achava que por ele ser um menino, marronzinho, de cabelo de molinha, não tinha nada a ver comigo, só que depois desse passeio na praia… Vou contar tudo pra vocês!

 

Então, eu, a Joana e o primo dela chegamos na praia. Nós duas corremos logo para entrar na água. Já o Paulinho, ficou na areia jogando bola.

 

“Não vão pr’o fundo!” Gritou a mãe da Joana.

“Pode deixar! Vamos brincar de fazer castelinho na areia, Helena?”

“A última que chegar na areia, vai virar uma sereia!”

 

Chegamos na areia onde a mãe de Joana estava, nos jogamos no chão e começamos a cavar, cavar e cavar na areia para podermos fazer nosso castelinho.

 

“Vou buscar um pouco de água.” Disse a Joana. E foi correndo até a beira d’água para encher o baldinho.

 

Eu fiquei na areia fazendo um monte de montinho. Tava preparando o terreno para que a gente pudesse fazer um castelo enorme. Só que aquele bobo do primo da Joana, o Paulinho, ficava chutando a bola dele bem em cima dos montinhos, e desmanchava todos.

 

“Dá pra você parar?… Menino bobo!”

“Eu to jogando bola, você não ta vendo?”

“Poxa , Paulinho, pára de ficar chutando a bola nos nossos montinhos!” Disse a Joana, que já tinha voltado trazendo o baldinho cheio de água.

 

A mãe da Joana até pedia pro Paulinho ir brincar longe da gente, mas ele ficava ali, de propósito, chutando a bola em cima nos nossos montinhos.

 

“Quer saber de uma coisa? Não quero saber mais de ficar fazendo castelinho. Vou brincar na água!” E saí correndo.

“Helena, espera!” Disse a Joana, já vindo atrás de mim!

 

Eu nem dei bola. Nem olhei pra trás. Tava morrendo de raiva daquele primo bobo da Joana.

 

“O que é que esse menino marronzinho tinha que vir pra estragar nosso passeio!”

“Helena, não vai pro fundo heim?” Gritou a mãe da Joana lá da areia. Mas eu também nem dei bola. E entrei na água.

 

Comecei a brincar de pular as ondas.

 

“Uma… Duas… Três… Quatro…”

 

Só que de repente, alguma coisa mordeu meu pé e acabei caindo. As ondas começaram a passar por cima de mim. Não conseguia levantar.

 

“Socorro!… Socorro!”

 

Parecia que estava me afogando. Bebi um monte de água. Tentava levantar e não conseguia.

 

“Socorro!…

 

Eu já estava ficando sem ar. Foi aí que senti que alguém me puxou de dentro da água. Não via nada. Meus olhos estavam muito vermelhos. Quando eu consegui abrir os olhos, vi que o Paulinho me carregava pelos braços até a areia. E olha que ele não é muito maior do que eu, não!

 

“Pronto, Helena, agora já passou!”

“Que susto, heim Helena!”

“Quase você mata todo mundo do coração, viu Helena?” Disse a mãe de Joana. Ela ficou muita brava comigo.

 

E tudo isso aconteceu porque eu estava morrendo de raiva do Paulinho. E logo ele foi lá na água e me salvou.

 

“Obrigada, Paulinho! Me desculpa!… Você aceita ser meu amigo?”

“Claro, Helena! Eu sempre considerei você minha amiga!”

“Então, vamos todos brincar de fazer castelos de areia?”

“Só que agora quem vai pegar água vai ser o Paulinho!”

 

E foi a partir dessa aventura que me tornei amiga de verdade do Paulinho. Sabem, ele é menino, marronzinho, de cabelo de molinha e de vez em quando é muito bobo, mas eu sei que ele gosta de mim, pois ele me salvou, não é mesmo? Agora, ele vai ser meu amigo pra sempre! Que nem é a Joana.

 

Apesar de tudo, foi super legal descobrir que ganhei um novo amigo. Pra falar a verdade, acho que não gostava do Paulinho, porque ele é marrozinho, mas o que importa mesmo é saber que amizade não tem cor. E o Paulinho mostrou que gosta de mim, mesmo eu sendo assim uma branquela! Espero que vocês fiquem amigos do Paulinho também!

 

Bem, agora preciso ir, pois como falei pra vocês, o tio Paulo mudou e ta aqui do meu lado dizendo que precisa usar o blog. Ele me disse que faz um tempão que não consegue entrar do blog dele.

 

Então, tchauzinho pessoal! Assim que der, eu volto, ta? Beijos!