A herança de um teatro marginal

Dezembro 7, 2009

Cada dia que passa, o teatro necessita de uma visão mais profissional, aquela visão de outrora, de que teatro é uma arte marginal e etc e tal, já não combina com os dias de hoje. Querer colocar-se sempre à margem, como uma arte miserável, já está ficando uma coisa ultrapassada. Tem-se que pensar o teatro como uma indústria e, cada grupo de teatro, como uma empresa dessa cadeia produtiva.

A postura de catadores de migalhas que circunda entre alguns daqueles que fazem teatro, ás vezes, se mostra deprimente, dá impressão que se planta dificuldades para colher facilidades. Arma-se a choradeira, mas sempre se coloca o espetáculo em cartaz. Algum retorno deve haver, pois ninguém que se diz miserável colocaria um espetáculo em cartaz apenas pela arte. Puro ranço do tempo em que o teatro era de fato marginal.

É sabido e de conhecimento pleno de todos que militam na arte do teatro, que não é nada fácil, nem manter um grupo, nem realizar um espetáculo. Mas qual atividade produtiva tem facilidade para manter seus negócios lucrativos num mundo extremamente capitalista e voraz? O teatro não pode permanecer com esse pensamento pequeno e com características minimalistas.

Essa idéia de marginalidade que insiste em permanecer em certos setores do teatro, acaba por torná-lo, cada vez mais, uma arte secundária em termos de arrecadação e captação de patrocínio. À medida que o cinema brasileiro adotou uma atitude mais profissional, seu negócio como indústria só faz crescer no cenário nacional.

Está mais do que na hora, de deixar para trás, esse pensamento de arte marginal que sempre pairou sobre o teatro. Não cabe mais tratar o teatro como algo menor e desprezível. Cabe á todos que pensam o teatro como uma arte que pode ser grande e, que de fato é, mudar esse quadro de miserabilidade e de que só a marginalidade retrata o verdadeiro teatro.

A indústria da cultura merece que o teatro, tal qual o cinema, figure como um de seus pilares de sustentação, podendo contribuir cada vez mais, para o desenvolvimento do país e mostrando o quanto um espetáculo teatral pode ser viável e rentável.

Deixemos essa herança de um teatro marginal apenas como história para os livros que contam e contarão a história do teatro no Brasil. A hora é de fortalecer o teatro como uma cultura que faz parte de uma grande indústria que está em franca evolução e não de se apequenar como uma arte relegada à migalhas e a marginalidade.


É brincando que se aprende

Novembro 3, 2009

Pode parecer que não, mas a maneira descompromissada com que o teatro é levado aos jovens em cursos livres de teatro em várias escolas, onde o clima de brincadeira de imitação é predominante, já que o intuito é passar cultura de uma forma lúdica, deixa marcas profundas em alguns jovens.

Nada pejorativo quando digo: “brincadeira de imitação”, apenas a constatação de que é brincando que se aprende tudo nesta vida. E a forma com que os jovens tomam contato com “fazer teatral” nestes cursos livres, faz com que o teatro faça parte na vida de cada um, ou pelo menos de alguns que se identificam com o “fazer teatral”.

A “peçinha” apresentada no final de ano na escola, mesmo tendo apenas um caráter festivo, com certeza, para alguns, é algo da maior importância, pois desperta neles, a vontade de continuar a trilhar os caminhos de um palco de teatro. A brincadeira ensinou para alguns, como o teatro é maravilhoso.

E já contaminados pelo bichinho do teatro, já não se satisfazem com os espetáculos de final de ano, querem festivais estudantis, mostras de cenas curtas, querem dividir o que aprenderam. E o que começou de brincadeira, já passou a ter um sentido na vida nestes jovens.

Pena que são poucas as escolas que oferecem aos seus alunos a oportunidade de experimentar as maravilhas do “fazer teatral”. Nem todos entendem o quanto é importante incluir cultura na formação dos jovens. A cultura, tal como o esporte, transforma a vida de um jovem.

Mas, como nem tudo na vida é perfeito, resta-nos lamentar com os que não tem essa visão e parabenizar todos àqueles que, ás vezes com muita dificuldade e enfrentando enormes obstáculos, procuram levar um pouco de teatro aos jovens por este país afora.

Pois, brincando é que se aprende e aprendendo que se é capaz de transformar o mundo. E assim, de maneira despretensiosa vai se brincando de ensinar teatro e trazendo cada vez mais jovens para engrandecer o movimento teatral.


Viva o Folclore Brasileiro!

Outubro 31, 2008

Longe dos bancos escolares, posso apostar que são poucas as pessoas que têm o conhecimento em que dia se comemora o folclore brasileiro, mas por outro lado, arrisco com toda a certeza, que a maioria sabe o dia em que os americanos (e nós) comemoram o seu “halloween”.

 

Por que a valorização de uma data que nada tem a ver com a nossa cultura? Sabiam que 31 de Outubro se comemora o dia do Saci?

 

Uma análise fria da situação, mostra que a falta de valorização das nossas raízes e da nossa cultura popular como um todo, acabou deixando uma lacuna que foi sendo preenchida (com a ajuda do comércio, diga-se de passagem) por outra cultura, transformando uma data tipicamente americana, mais importante do que o dia em que se comemora nosso folclore.

 

Acho que está mais do que na hora de se fazer um movimento de valorização às nossas lendas, aos nossos “causos populares”. É hora de se fazer chegar á maioria da população a necessidade de se manter viva nossa cultura popular, para que nossa história não se perca pelo caminho. É chegada a hora do governo incentivar a comemoração desse dia, buscando assim, um resgate cultural.

 

Cada Estado, cada Cidade desse país, tem suas lendas, sua cultura, suas raízes, e todas elas juntas, foram e são importantes para construção de uma identidade cultural. Mesmo que você seja descrente das histórias do Lobisomem, da Mula-sem-cabeça, do Saci-Pererê, do Neguinho do Pastoreio, da Vitória Régia, e de tantas outras que povoam o imaginário popular, elas, de uma maneira ou de outra, influenciaram e influenciam na sua formação, mesmo que você diga que não.

 

Se temos uma data em que podemos comemorar a grandiosidade de nossa cultura popular, por que não fazemos? Não basta apenas que a comemoração seja feita no âmbito dos bancos escolares, há de se fazê-la em todo o país, nem que para isso, num primeiro momento, institua-se o “feriado nacional do folclore brasileiro”.

 

A preservação de nossas lendas é fundamental para que não percamos nossa identidade e para que possamos nos diferenciar culturalmente de outras nações. Então, que cada brasileiro, faça do dia 22 de Agosto, um verdadeiro dia de festa em comemoração a nossa cultura popular.