A importância do texto infantil

Outubro 18, 2009

Muito mais do que conter e contar fábulas, um texto infantil para teatro, tem uma função ainda pouco explorada, ou pelo menos, não se vê muita divulgação de sua utilização para esse fim: o de servir como um forte instrumento de apoio pedagógico, auxiliando na educação da criança.

Enfatizar apenas o lado lúdico que o teatro, com toda sua magia, é capaz de passar, é muito pouco para um texto infantil de teatro. Ele pode ser muito melhor explorado, do que ser apenas uma parte de um espetáculo infantil oferecido à criança como passeios em datas festivas.

Utilizar o texto infantil de teatro na sala de aula, servindo-se de suas histórias para trabalhar de maneira mais lúdica, assuntos por vezes difíceis de lidar, até mesmo pela complexidade do tema, a princípio pode parecer que não, mas é sim, um diferencial para a educação infantil.

A pedagogia precisa se ater a esse detalhe, pois o teatro como arte pura e o seu texto infantil utilizados como instrumentos multiplicadores de idéias e, acima de tudo, como facilitadores para trabalhar ações e sentimentos, só tem a acrescentar na melhoria da educação, seja ela de forma informal, ou de forma didática.

Mais e mais fica claro, que não bastam apenas os métodos ortodoxos de educação para ensinar a criança dos dias de hoje, e cada vez mais é preciso se buscar um diferencial para estimular a criança á aprender. E a utilização do texto infantil de um espetáculo teatral caminha neste sentido.

É claro que não é sempre que se pode se utilizar de textos infantis, mesmo porque, ainda são raros, ou de pouco conhecimento, textos que possam servir de fato, como apoio pedagógico. E também, não se deve incorrer no mesmo erro de outrora, forçando a criança a ler vários textos infantis, assim como se fez, e se faz com a literatura, pois assim, corre-se o risco de se obter o efeito contrário.

O texto infantil se faz importante quando ele é usado na medida certa entre o que é lúdico e o que é didático, servindo de estimulo, instigando a investigação, apoiando a pedagogia no dia-a-dia e trazendo para sala de aula, a magia existente no teatro de uma forma natural, para que todos possam usufruir de cada pedacinho da história.


A iniciação teatral

Junho 27, 2009

É sempre muito louvável todas as tentativas e iniciativas de iniciar as crianças nas artes cênicas. Muitos e muitos colégios pelo país afora incluem como atividades extracurriculares, aulas de teatro, desde os seus pequeninos até a turma do ensino médio, só que tem um porém. Aliás, como sempre, em tudo tem um porém.

Há de se ter muito cuidado quando se propõe incluir aulas de teatro para crianças, pois, como tudo nessa vida, existe os muitos aproveitadores que se perfazem e se dizem conhecedores das artes cênicas, mas na verdade, não passam de picaretas, interessados sabe lá em quê!

É óbvio que não se espera que as crianças saiam desses cursos, com habilidades suficientes para brilharem sobre um palco, se espera apenas, que lhe sejam dadas informações suficientes para que elas saibam discernir sobre a arte e não distorcer o sentido das coisas.

E esse cuidado também deve ser tomado nos muitos cursos livres de teatro espalhados pelo país, pois, hoje em dia, muitos e muitos pais levam seus filhos para esses cursos, pensando em torná-los astros das novelas das nove, por isso, a responsabilidade por essa iniciação é muito grande.

Não temos como afastar esses aproveitadores, pois, como em todas as áreas, existem os maus e os bons profissionais. O que podemos fazer, enquanto pessoas interessadas em iniciar crianças no mundo das artes cênicas, é nos dedicar ao máximo para passar os ensinamentos necessários para que elas possam se tornar, no mínimo, grandes apreciadoras de espetáculos, sabendo a noção exata entre o bom e o mau teatro.

Então, que mais e mais crianças sejam iniciadas nas artes cênicas, pois, por certo, no futuro, teremos, quem sabe, alguns atores excelentes, mas com certeza, teremos um público altamente crítico e conhecedor do que vê em cena.

E tenham certeza que vale muito à pena toda a dedicação para iniciar as crianças nas artes cênicas, mesmo tendo o caminho atrapalhado por certos aproveitadores, interessados apenas em faturar em cima da ilusão de pais afoitos em fazer de seus filhos, astros da televisão.


Criança merece respeito

Maio 16, 2009

Não é de hoje que ouço comentários que dão conta do desrespeito que alguns atores tem com as crianças. Existem espetáculos infantis que demonstram não se importarem em nenhum instante com a presença da criança na platéia. Talvez seja uma coisa até intuitiva, feita sem se perceber, mas é aí que reside o problema.

Muitos atores não tomam o devido cuidado, principalmente com gestos e com a inclusão de cacos em alguns espetáculos infantis. A inserção de gírias e de um palavreado não condizente com o público infantil que está assistindo o espetáculo pode colocar abaixo algo que tinha tudo para ser um sucesso.

Na apresentação de um espetáculo infantil, muito mais do que tentar fazer caras e bocas para conquistar a criança, há de prestar a atenção com o texto. Respeitar ao máximo o que autor quis passar com a história é muito mais importante. Seguir o texto na íntegra, por si só, pode ser o sucesso do espetáculo.

Há de se tentar sempre buscar a excelência quando o assunto é criança, ela merece ser respeitada. Não adianta cenários bonitos, figurinos luxuosos, um texto bem escolhido e com uma história adequada ao público infantil, se na hora da apresentação o ator em cena descamba para a interpretação de cacos e gírias atuais, apenas para fazer graça com a criança.

Na maioria das vezes, quando os atores enchem os espetáculos infantis de cacos e gírias da moda, acaba atingindo somente os pais, que desarmado de censo crítico, se deixam levar pelas “palhaçadas” e caem na gargalhada. Só que nem sempre se consegue atingir a criança, que às vezes, apenas ri porque o pai está rindo e a mensagem proposta, acaba ficando pelo caminho.

Espetáculo infantil não é, nunca foi e nunca será o objeto de experimento para atores. Quem pensa desta maneira, está redondamente equivocado, pois Teatro Infantil tem que, antes de mais nada, respeitar a criança como criança, pois ela, somente ela, é o público que se quer atingir.

Será assim, buscando a excelência e seguindo o caminho da seriedade, que se fortalecerá o Teatro Infantil e que se tornará possível transformá-lo em um produto sem contra-indicações para uma criança.


Depois dizem que criança é birrenta!

Março 28, 2009

Oi, gente! Tá cada vez mais difícil entrar no blog do tio Paulo, viu? Eu peço, peço, peço, mas ele não me deixa. Agora, aproveitei que ele está escrevendo um texto e entrei aqui para contar uma história pra vocês. Não é bem uma aventura como as outras. É uma história muito triste. Na verdade é sobre uma briga que eu vi na televisão. Uma briga, não! Uma guerra!

 

Eu tava brincando com as minhas bonecas, bem no meio da sala, quando o meu pai chegou.

 

“Helena, vê se não faz barulho que eu quero ver o jornal!”

 

Eu nem tava fazendo barulho. E continuei com a minha brincadeira.

 

“Agora a gente vai jantar, viu, Dona Helena?”

 

Minha mãe queria que a gente jantasse logo, pois ela queria ver a novela. Era assim todo dia. Meu pai via o jornal e minha mãe via novela.

 

“Deixa eu ver só essa reportagem!” Disse o pai de Helena.

 

“Eu não consigo entender tanto ódio desse povo!” Retrucou a mãe de Helena.

 

Aquela conversa do meu pai com a minha mãe chamou minha atenção, então, resolvi parar de brincar e não tirei mais os olhos da televisão.

 

“Senta, vamos ver isso!” Disse o pai de Helena a sua mãe.

 

“Eu já não agüento mais assistir tanto absurdo!” Respondeu a mãe de Helena.

 

Enquanto meu pai e minha mão conversavam, eu fiquei ali olhando o moço do jornal da televisão, falando que um povo que morava num lugar chamado Israel, estava brigando com um pessoal que morava num lugar chamado Palestinha. Não! Palestina.

 

“Depois, se a comida ficar fria, não quero nem saber!… Vem comer, Helena!”

 

Eu fiz um sinal com a mão pedindo para minha mãe esperar, pois uma coisa eu não estava entendendo muito bem. O moço do jornal disse que eles estavam brigando num lugar chamado de Terra Santa. Mas, como pode ser santa, se um vive jogando bomba na terra do outro?

 

“A professora disse que todos nós somos filhos de Deus, será que eles não são?”

 

Eu não conseguia entender. Aquelas bombas matando crianças nas duas terras, não era uma coisa boa de fazer.

 

“Olha só isso!… Que absurdo!” Disse o pai de Helena, indignado.

 

“Eles que se matem!” Disse a mãe de Helena, lá da cozinha.

 

Minha mãe estava morrendo de raiva. Acho que ela também não gostava de ver um jogando bomba no outro.

 

“Pai, posso fazer uma pergunta?”

 

“Fala, Helena”.

 

“Eles estão brigando desse jeito porque eles acham que cada um é que é dono da terra de Jesus?”

 

“Mais ou menos. Deixa eu ver a televisão, Helena!”

 

“Mas, Jesus não está no céu?”

 

“Está, minha filha, está!”

 

Aí eu parei de ver a televisão. Não conseguia entender a briga mesmo. Ainda mais quando o moço falou que aquela briga não tinha dia pra acabar.

 

“Manhêêêê!!! To com fome!”

 

Larguei minhas bonecas no meio da sala e sai correndo pra jantar. E tem mais, pra mim, tá todo mundo errado. Onde já se viu, se todo mundo é filho de Deus, não pode um povo ficar brigando com o outro por caso da terra de Jesus. Se a terra é de Jesus, tem de ser de tudo mundo.

 

Ai, esses adultos não tem jeito, depois dizem que criança que é birrenta!

 

Bom, foi mais ou menos isso que entendi na televisão. Agora já vou ficando por aqui. Um beijo para todos vocês. Ah, espero não demorar muito para voltar aqui no blog do tio Paulo. Tchaaaaaaauuuuuuu!!!!