Eu quero o papel principal!

Setembro 11, 2009

Muitos que nem bem começaram a conhecer como se dá o “fazer teatral”, e nem sabem direito o que é interpretar uma personagem, iludidos com a pretensão de figurar como astros das telenovelas, já chegam certos que farão o papel principal da peça.

É sempre isso, que invariavelmente acontece, quando algumas pessoas que querem fazer teatro vão em busca de cursos ou grupos teatrais. Chegam se achando os melhores, que fazem e acontecem, mas quando ficam sabendo que não vão fazer o papel principal, a “brincadeira” acaba.

Acho que a confusão está justamente aí: “brincadeira”. Muitos vão parar no teatro por pura curtição. Pra fazer pose de culto e intelectual, pra se juntar a uma turma legal, pra fazer amigos, pra se libertar, são poucos que realmente encaram o sacrifício que é, o “fazer teatro”. Tem gente que não agüenta nem os ritmos de ensaios. Como pode achar que é ator?

O que precisa ficar claro também, é que teatro além dos muros do colégio, é muito diferente. O Teatro feito nas escolas tem um caráter muito mais pedagógico do que artístico, e ás vezes até pode ter um tom de brincadeira. Já quando se decide integrar um grupo de teatro, deve-se entender logo de início, que o papel principal é o que menos importa.

O que interessa é que quando se decide entrar para a “turma do teatro”, deve-se ter a consciência de que realmente se quer ser um ator e, se dedicar a isso, até mesmo se tiver que ficar na coxia como contra-regra, ou ajudando nas trocas figurinos. É preciso, antes de reivindicar o papel principal, ter a plena consciência que teatro é uma arte de grupo.

O teatro sempre vai estar de braços abertos, esperando todos aqueles que vão procurá-lo dispostos a integrar e abraçar essa arte como uma profissão, que por vezes, é quase um sacerdócio, por isso, se realmente é isso que você quer, esquece essa história de fazer o papel principal logo de cara, quando se vive o teatro de verdade, qualquer papel que se faça, é e será o papel principal.

 


Os fins não justificam os meios

Julho 30, 2009

A cada dia que passa, a busca por um lugar no já não tão seleto grupo das chamadas “celebridades”, aumenta. Mais e mais, as emissoras de televisão colocam em suas grades, programas do tipo “reality show”, onde anônimos ou artistas de segundos e terceiros escalões fazem coisas que jamais se pensou ver algum dia.

O programa da hora atende pelo nome de “A Fazenda”, uma espécie de BBB com A Casa dos Artistas, onde “pseudos” artistas criam casos, fazem intrigas e armam mil e um barracos para chamar a atenção dos telespectadores, se colocando em situações deprimentes. Os fins não justificam os meios.

Quando se pensa em alcançar um espaço na televisão, é porque se quer dar uma maior visibilidade a um trabalho que está limitado a um pequeno número de pessoas, mas algumas pessoas buscam apenas quinze minutos de fama. A custa do quê? E pra quê? Parece uma doença contagiosa, que a cada dia que passa, se espalha feito epidemia.

O pior, é que quanto mais essas pessoas se submetem à situações degradan-tes, se satisfazendo em ocupar espaços em coisas do tipo “reality show”, mais e mais vão sendo chamadas à participar de programas do gênero, estando sempre no rol das chamadas “celebridades”, mas vivendo feito cachorro correndo atrás do rabo, não chegam a lugar nenhum.

É tão difícil formar um público que respeite o seu trabalho, que compre as suas idéias, que acompanhe sua carreira com respeito. Será que vale trocar tudo isso em nome de quinze minutos de fama e o título de celebridade da hora? Mas, também, o que interessa isso para quem só quer aparecer? Pois se tivessem algo realmente de interessante para mostrar, estariam muito ocupadas para se submeterem à coisas desse tipo, não é mesmo?

Mil vezes um trabalho suado por um pequeno espaço conquistado, do que um espaço enorme para não se ter trabalho nenhum para mostrar. Os fins não justificam os meios, e isso deve ser uma conduta de vida. Ás vezes o “ser” pequeno é tão grande, que as luzes dos holofotes da televisão não conse-guem ofuscar.

Quando se pensa em ser artista, esse deve ser um cuidado a mais que se precisa tomar, pois para se construir uma carreira dá muito trabalho e conquistar o respeito dos outros dá um trabalho ainda maior. E talvez, quinze minutos de fama, não lhe valerá a pena.


Longe dos holofotes

Maio 5, 2009

Pode parecer que não, mas você pode encontrar trabalhos muito interessantes longe dos holofotes. Aliás, acho que os melhores trabalhos sempre são feitos longe dos holofotes. Quantos e quantos espetáculos de qualidade são apresentados em pequenas salas sem nenhuma divulgação de mídia?

Já falei por várias vezes em outros artigos, que o artista não precisa viver correndo atrás de uma vaga na televisão, ele tem que se preocupar em fazer o seu trabalho com verdade, pois, só assim, terá o seu trabalho reconhecido. Isso acaba acontecendo uma hora ou outra e a tão sonhada chance na televisão chega, e chega por mérito.

É claro que também existem os artistas que preferem fazer carreira longe dos holofotes televisivos. Cada um sabe melhor a forma pela qual quer transmitir a sua arte. Mesmo porque, a televisão não dá um atestado indiscutível de que o trabalho é de excelência, pois, por muitas vezes, na televisão, vimos trabalhos de pouca qualidade artística e sem nenhum valor cultural.

Talvez, a vantagem de estar sob os holofotes, seja uma maior visibilidade ao trabalho que se faz, bem como o reconhecimento por um número maior de pessoas, isso, com certeza, dará “up grade” na carreira do artista.

A única coisa com a qual discordo é com esse pessoal novo que vem fazer teatro achando que só o caminho da televisão é que é o supra-sumo. Se eles soubessem o quanto se pode ser reconhecido longe dos holofotes, na certa, teriam um outro pensamento e buscariam engrandecer o seu trabalho, para aí sim, depois, se for o caso, chegarem à televisão.

Ás vezes, muito tempo exposto às luzes dos holofotes, pode fazer que um trabalho de boa qualidade, perca o seu foco, por isso, é preciso saber levar seu trabalho à sombra, para depois se acostumar com as luzes fortes dos holofotes.

Então, não se preocupe muito com essa questão, faça o seu trabalho com toda sua verdade e sinta-se sempre sob a luz de um holofote, pois mesmo na sombra existe um público ávido para apreciar o seu trabalho.