Por quê ser ator?

Outubro 11, 2009

Com o forte investimento que vem sendo feito em dramaturgia pelas grandes redes de televisão, mais e mais pessoas tem procurado cursos de teatro com o intuito de conseguir uma formação mínima que lhes dê condições para disputar uma vaga no concorrido mundo dos atores de televisão. Muitos fazem isso, impulsionados pelo anseio de se tornarem uma celebridade.

Muitos até decidem serem atores por modismo, para fazerem sucesso com as meninas, para passarem imagem de culto e intelectual, para fazerem parte de uma turma legal e acham que a qualquer momento vão ser guindados a um papel de uma telenovela. Não que isso não possa acontecer.

Só que muitos não tem uma resposta clara sobre o porquê querem ser atores. Minto, a maioria sabe sim. Quer ser ator para fazer a novela das nove. A idéia de fama e sucesso contamina de tal forma, que uma cortina de fumaça encobre o rosto e distorce o verdadeiro sentido do que venha a ser um ator e o porquê se tornar um.

É claro que todo mundo tem o direito de fazer da sua vida o que bem entender, mas ao resolver se tornar um ator, esta pessoa precisa ter a consciência e a certeza da sua escolha, pois qualquer celebridade instantânea ou não, pode participar de uma telenovela, mas raramente será um ator.

Quando se resolve se tornar um ator, é preciso entender o porquê desta decisão e ela deve estar pautada, além de uma certeza de vocação, na consciência do papel que o ator tem, de ser um veículo e um instrumento que conta a evolução de uma sociedade, pois é através da interpretação de um ator que a sociedade é vista, revista e reinventada.

Ser ator não é apenas subir no palco, conhecer as teorias de Stanislavski, é preciso ser um investigador da alma humana, dos conflitos sociais, do mundo que nos cerca. É ser um observador do comportamento humano, dos anseios e vontades dos homens do nosso tempo, saber que servirá de filtro para que uma sociedade se reconheça. E, acima de tudo, contribuir para a constante evolução em que vive o ser humano.

Você pode ainda decidir ser ator para crescer como pessoa, entender os seus limites, compreender até que ponto suas ações como cidadão comum, podem interferir num contexto global na sociedade em que você vive. E fazer isso tudo centrifugar dentro de você e devolver tudo em forma de interpretação.

Então, quando você decidir se tornar um ator tem que saber o porquê, pois só assim fará sentido todo o sacrifício que a arte vai lhe impor.


Aos olhos do público ou do crítico?

Setembro 1, 2009

Sempre que se pensa em colocar um espetáculo nas ruas, muitos fatores são e devem ser analisados. Mas, o que mais interessa é ter a consciência de estar fazendo um trabalho com a mais pura honestidade. Desde a escolha do texto, passando pelo elenco até chegar à direção do espetáculo. E o que se quer afinal? Ora, se quer os aplausos do público!

E é isso mesmo que interessa. Qualquer outra resposta é puro discurso politicamente correto para fugir de eventuais insucessos. Agradar o público é o principal objetivo de quem monta um espetáculo, e não adianta dizer que não. E a palavra da crítica, como fica nessa história? Se vier para ajudar, muito que bem! Mas se tiver apenas o caráter pichador, deixe-a, não lhe acrescentará nada.

Dizer que um espetáculo é bom porque foi aprovado pela crítica é conversa fiada, pois desde quando a opinião e o gosto do crítico traduzem a opinião e o gosto do público? Quantos espetáculos são aclamados pelo público e desprezados pela critica? Se o crítico não entendeu, paciência. O que interessa e sempre vai interessar, é a opinião do público.

Ter a certeza que se fez o melhor que se foi possível (sim, pois ás vezes não se tem recursos para se fazer o mínimo). é o que basta. E tê-lo feito para o público e não para crítica (pois, existem muitas coisas feitas exclusivamente para agradar a crítica) já é o suficiente para justificar a sua produção.

Vise sempre dirigir um espetáculo para conquistar o público. Escreva sempre para conquistar o ator, atue sempre para conquistar a platéia. Esqueça a crítica, pois na maioria das vezes aos olhos da crítica, nada presta. O “gostar” é uma coisa muito subjetiva na vida das pessoas e não se agrada à todos, não tem jeito.

Se por acaso, algum dia, a crítica lhe “tascar” a lenha, não lhe dê muito importância, continue firme no seu propósito de levar a sua arte da maneira que você ache mais honesta possível, pois, a crítica… bem… essa, volta e meia também muda de opinião. É só o público aclamar o espetáculo como divino, para o que antes era besta, passar a ser bestial.

Aos olhos do público, não interessa o que vê os olhos da crítica, pois o público é inteligente, sabe discernir o bom do ruim. E é assim que deve e tem de ser, fazer arte para o público, se a crítica gostar, muito que bem, mas se não gostar, paciência!…


O tempo é senhor da razão

Agosto 26, 2009

Nada na vida nos acontece por acaso, nem da noite para o dia. Nem mesmo por um golpe da sorte ou do destino. Tudo o que nos acontece é o resultado de todos os esforços que fomos capazes de fazer para realizar aquilo em que acreditávamos. De toda a decepção, que fomos capazes de suportar quando não atingimos o que desejávamos e de tudo aquilo que conseguimos adquirir e aprender durante a nossa dura caminhada.

Quem pensa que a vida de artista é um mar de rosa, nunca navegou realmente por esse mar. Nem sempre se tem a coragem suficiente para enfrentar as suas fortes correntezas que arrastam os mais despreparados para longe de margens seguras. Por vezes falta a coragem para desafiar esse mar, que o mais prudente é permanecer em porto seguro até se sentir realmente preparado para seguir viagem.

Muitos jovens, ávidos por uma aventura, não medem as conseqüências e se atiram neste mar, certos que vão ser capazes de segurar o leme do barco, mas se perdem na primeira tempestade. Nem sempre se precisa ter presa, mas tem de ter a consciência que quanto maior for a demora, mais longo será o seu caminho.

E durante esse longo caminho, por várias vezes, em muitos momentos, ele nos parecerá tão longo e o final tão distante, que se pensará seriamente em desistir. Mas, a esta certa hora, isso já não será mais possível, pois voltar pode ser um caminho ainda mais longo. E como superar esse momento? Com o tempo, pois o tempo é o senhor da razão.

Ás vezes, as decepções e as injustiças são tão grandes, que a emoção nos domina e nos faz achar que nada valeu a pena, que ninguém reconhece os nossos esforços, que não temos talento suficiente para chegar ao topo, que não recebemos o reconhecimento que achamos que deveríamos, e que enfrentamos inutilmente o tal mar bravio.

Mas, o tempo, sempre o tempo, o velho senhor da razão, nos faz ver que tudo valeu a pena, que estão sim, reconhecendo os nossos esforços, que sabem o quão grande é o nosso talento, pois sempre vem um incentivo aqui, um comentário nos elogiando ali, um, “parabéns pelo trabalho” acolá, um “continue assim, pois você está no caminho certo”, e pronto, já é o suficiente para nos sentirmos revigorados e plenamente capazes de enfrentar novamente o mar bravio.

É, a vida artística pode refletir somente o seu lado glamuroso, mas tal e qual qualquer outra profissão, é feita de altos e baixos, vitórias e derrotas, sucessos  e fracassos, só precisamos saber escutar a voz do tempo, pois ele saberá nos dizer o quanto o nosso trabalho é bom e vitorioso e o tanto de mar que nós fomos capazes de atravessar.


O ator e seus fantasmas

Agosto 10, 2009

Muito mais difícil que possa parecer, estar em cima de um palco interpretando a vida de uma personagem, é enfrentar e ter de conviver e esconder os medos e os fantasmas que atormentam a vida real de um ator. E não é nada fácil conviver com todos eles, pois, o glamour em que foi transformada a profissão do ator torna as coisas ainda mais difíceis.

Quando um ator pisa em um palco, o medo de esquecer o texto, o atormenta por todo o espetáculo. O fantasma do fracasso ronda toda a temporada em que o espetáculo fica em cartaz. A opinião pública é sempre aguardada e a crítica, por muitas vezes, apavora. Esses são apenas alguns sintomas que um ator tem de enfrentar.

Ser ator requer muito mais que saber interpretar o texto, que saber colocar a voz, que saber comover, emocionar ou fazer rir. Ser ator não é apenas querer aparecer na TV, receber aplausos e elogios. Ser ator é estar preparado para vencer os medos e os fantasmas. É saber que nem todo fracasso é definitivo, nem o sucesso. Muitos não resistem ao primeiro espetáculo.

Nada há nada mais decepcionante do que se sentir senhor de si, dono da situação, certo de estar fazendo uma grande apresentação sobre um palco, e, ao final, receber uma crítica, ou vaias e apupos, ou ainda, comentários pejorativos sobre sua atuação, mesmo que você ainda seja iniciante. Por isso, se preparar para esses percalços pode fortalecer a sua carreira profissional.

O ator não pode e não deve se achar, acima do bem e do mal. Não pode nunca estar satisfeito com o seu trabalho. Tem que estar sempre buscando melhor. Tem ainda de saber assimilar as críticas e ter a humildade suficiente para se aprimorar cada dia, mais e mais. Só assim, conseguirá reunir as condições necessárias para enfrentar todos os medos e fantasmas que atormentam um ator, e vencê-los todos.

Preparar o seu psicológico para o sucesso e para o fracasso, deve ter a mesma medida do que se preparar para atuar e ser um grande ator. Um ator psicologicamente preparado para enfrentar todos os medos e fantasmas, saberá lidar melhor com a carreira tão difícil quanto está. E não perderá o foco quando esses medos e fantasmas rondarem a sua vida.

Lembre-se que nem sempre se agrada à todos. O que pode ser bom pra mim, pode não ser bom para você, mas nem por isso, significa que você faz algo que lhe desmereça. Saber vencer os medos e os fantasmas fortalece um ator e o tornará cada dia melhor. E isso vale para o diretor, para o dramaturgo, para o iluminador, para o cenógrafo, para todos.


A importância de um prêmio

Julho 5, 2009

Todo artista de grande expressão sempre procura deixar bem claro que os prêmios não são tão importantes como o fato de se ter uma carreira bem sucedida e ter a respeitabilidade da crítica e do público, mas um prêmio é sempre um prêmio, principalmente quando se está iniciando uma carreira.

É claro que os aplausos recebidos quando do encerramento de uma apresen-tação refletem que um bom trabalho acabou de ser realizado e funcionam como um prêmio para quem está em cena, mas a conquista de um prêmio individual pela atuação de um ator, atriz, diretor, dramaturgo, por mais singelo que seja, tem um poder ainda maior.

Quando se está começando e se tem a felicidade de ganhar um prêmio, mesmo que seja em um festival realizado nas dependências de uma escola de teatro, mesmo que este não tem nenhuma repercussão além dos limites da escola, no íntimo daquele estudante de teatro, esse prêmio funcionará como uma injeção de ânimo para prosseguir. Até aqueles que não são premiados, acabam sendo estimulados a se aplicarem para que na próxima vez, seja ele o contemplado com a premiação.

Muitos podem até discordar e afirmar que os prêmios, quase sempre, não refletem a realidade e, que muitas vezes, aqueles que tem de fato talento, são preteridos pelo gosto pessoal de um ou outro jurado. Pode até ser, mas o que não se pode negar é a importância de um prêmio.

Quando se tem uma carreira consolidada e consagrada e se é detentor de todos os prêmios possíveis e imagináveis em uma carreira artística, pode-se momento da carreira, um prêmio, mesmo sem nenhuma repercussão, serviu de estimulo para que esse artista seguisse o seu caminho rumo à uma carreira de sucesso.

Por isso, meus aplausos para aqueles que entendem a importância de um prêmio, principalmente aos que estão iniciando uma carreira. Um simples certificado indicando “melhor ator” ou “melhor atriz”, “melhor diretor”, ou “melhor dramaturgo”, pode parecer que não, mas pode representar o surgimento de um grande artista.

E aqueles que ainda não conseguiram nenhum prêmio, fica aqui a minha torcida para que esse dia chegue logo, pois um prêmio sempre é um divisor de águas em uma carreira. Só não se pode deslumbra-se com um prêmio, senão, ele pode representar o fim de uma carreira promissora.


Pela valorização do teatro

Abril 26, 2009

Não é de hoje que se sabe que fazer teatro no Brasil não é nada fácil. Acontece que cada dia que passa, está ficando mais difícil fazer teatro. É chegada á hora de se fazer algo em prol do teatro, queixas já não basta.

 

A classe artística precisa se unir em busca de uma unidade na questão da valorização do teatro, pois, todos nós, corremos o risco de perdermos o nosso espaço pouco a pouco. Depois, de nada vai adiantar reclamar.

 

Hoje o teatro quase não tem espaço na mídia, aliás, para falar a verdade, nun-ca teve, não é mesmo? Mas, quanto mais viramos as costas para o movimento e pensamos apenas em nossas produções, mas afastados do teatro nós vamos ficando.

 

A valorização do teatro só tem a fazer bem à todos, não tenho dúvidas. Sei até que alguns poucos ”don quixotes”, já estão articulando um movimento para essa valorização, o que é muito bom. O que precisamos? É nos juntar à eles. Um intercâmbio maior entre grupos, artistas, diretores e dramaturgos, pode ser muito sadio e contribuir sobre maneira para essa valorização.

 

A força do teatro é imensa, mas parece que nós, que estamos envolvidos com ele, não percebemos, por isso, é que alguns poucos empresários, tem tomado conta das produções teatrais, canalizando para si, incentivos fiscais e fazendo dele, uma arte extremamente comercial que só visa o lucro.

 

É claro que o dinheiro é importante no teatro, quiçá fundamental para manter viva a sua chama, mas não pode ser só isso. O teatro é uma arte que é feita em cada canto do Brasil, muitas vezes com dificuldades, então, é chegada a hora de ser mais valorizado.

 

Que cada grupo, profissional, amador, ou estudantil levante a bandeira da valorização do teatro. E que em cada canto do país, mais e mais pessoas tenham a oportunidade de experimentar o teatro. Só assim faremos dele, uma arte cada vez mais popular.


A função do artista

Março 31, 2009

Mais do que entreter, o artista tem papel fundamental na sociedade, pois é através dele que se é capaz de exorcizar todos os fantasmas da vida comum. Seja lá através da música, do teatro, ou do cinema, são as histórias contadas pelos artistas que refletem toda uma sociedade.

 

É através da arte que muitas pessoas conseguem mudar os rumos de suas vidas, ou olharem a vida sobre um outro prisma, vide as oficinas culturais em comunidades carentes e as aulas de teatro freqüentadas pelo cidadão comum.

 

Quem pensa em ser artista, deve pensar e ter a consciência de que seu papel na sociedade é bem maior do que aquele que ele representa em cima de um palco. Na maioria das vezes, o artista acaba sendo o “norte” de muita gente.

 

É claro, que os problemas do mundo não podem e nem serão resolvidos pelo artista e sua arte, mas com certeza é através do artista que se retratam os problemas, mostram-se a tirania, a violência da sociedade, bem como as “neuras”, ambições, tristezas e as alegrias dos seres humanos.

 

Mesmo que a sociedade não veja o artista deste jeito, e ache sempre o seu trabalho de menor importância, a função do artista estará presente ali, na vida de cada um, influindo de uma forma ou de outra,mesmo que a sociedade não queira admitir a importância que o artista tem na vida de cada um.

 

Por isso, quando lhe perguntarem porque você quer ser ou é um artista, responda-lhe que faz isso não só para exercitar o seu talento ou massagear o seu ego, diga-lhe que você, enquanto cidadão, faz da arte e através dela, um instrumento de auxílio para uma sociedade melhor.

 

Triste é a sociedade onde a cultura não é enxergada como um instrumento de crescimento, não apenas cultural e intelectual, mas também com um instrumento de engrandecimento do ser humano.

 

 

 

 


O fantasma do fracasso

Janeiro 20, 2009

Quando se pensa na vida de um artista, só se enxerga o lado do glamour, do estrelato, dificilmente as pessoas pensam, que assim como em qualquer profissão, a profissão do artista, seja ele, cantor, ator, bailarino, está sujeita a altos e baixos e que o fantasma do fracasso está sempre à espreita.

 

Vocês podem perguntar: Mas que pessimismo é esse? Ninguém pensa em ser alguma coisa, achando que vai fracassar. Eu sei, mas a questão não é pensar no fracasso. A questão é que se deve ter sempre em mente, que ele está ali, ao seu lado, pronto a lhe dar o pote, assim que você lhe der a oportunidade.

 

É claro que têm pessoas que estão fadadas ao fracasso. Exemplo disso são as pessoas que se submetem à fama a qualquer preço. Na mesma velocidade que alcançam status de celebridades são jogadas no limbo do esquecimento. E muitas delas, não agüentam a pressão.

 

Como toda profissão, a de artista tem e deve ser levada a sério. Esqueça essa coisa de fama, o seu trabalho contínuo e consistente, o levará até ela. E é esse o antídoto para afastar o fantasma do fracasso, pois quem tem um trabalho de fato, tem sempre mais facilidade de alcançar o espaço.

 

Também é sabido que isso não é garantia de nada. Tem hora que você realiza um espetáculo e ele simplesmente não acontece. Não é porque o seu projeto não vingou, que sua carreira é um fracasso total. Toda história bem solidificada deixa marcas, que são capazes de inibir qualquer tentativa de aproximação deste mal feitor do fantasma do fracasso.

 

Por isso, não se perca em devaneios, achando que quando você for um artista famoso as coisas melhorarão. Esteja certo que as coisas tendem a piorar muito, pois a pressão sob aquilo que você já conquistou lhe obrigará a se manter sempre a frente do que seja considerado o normal.

 

É meu amigo, a vida de artista realmente não é nenhum mar de rosas, por de trás de toda badalação, tem muita ralação para afastar de sua sombra, o tal do fantasma do fracasso. Mas a vida é assim mesmo, aconteceu com todo profissional. Só que aqueles que vigiam o fantasma do fracasso de perto, têm mais chance de alcançarem um sucesso duradouro.


Sou artista, me respeite, por favor!

Janeiro 13, 2009

Outro dia ouvi uma conversa… Não!  Acho que alguém  me  con-tou. Ou será que li isso em algum lugar? Não sei, não lembro direito. O fato é que o assunto era o seguinte:

Dois amigos que não se viam desde os tempos de criança se encontraram numa condução. Conversa vai, conversa vem, um perguntou para o outro: “O que você faz da vida?”. O outro então respondeu: “Sou ator!”. E o outro amigo emendou: “Que novela você está fazendo?”. O outro, ficou meio sem jeito e disse: “Nenhuma”. Então o velho amigo fez o seguinte comentário: “Então você não é um ator de verdade!”. E antes que o outro pudesse retrucar, o amigo que teceu o “nobre” comentário, desceu da condução.

O pior é que o amigo insultado, pois, ele foi insultado, sim, ficou ali, cabisbaixo pela falta de respeito do velho amigo. Mostrava-se até um pouco constrangido com os olhares das pessoas que ouviram um último comentário irônico lançado pelo velho amigo ainda antes de descer da condução: “Espero te ver logo na novela, hein?”.

Que conversa é essa? Eu sou artista, me respeite, por favor! Quer dizer que se não estiver na novela, não é artista? Que absurdo! As pessoas desdenham do artista, querem o circo, mas não têm a idéia do sacrifício que é conseguir o pão nosso de cada dia.

Mal sabem elas que muitos artistas precisam ter jornadas duplas, ás vezes triplas, para se segurarem na profissão. Uns precisam até ter outros empregos fora da área, porque senão… E dão aulas de teatro, fazem cursos, poucas horas de sono, só para se manterem na profissão. E ainda ouvem absurdos do tipo que o nosso amigo teve de ouvir.

Para maioria que tem lá seu emprego fixo, carteira assinada, jornada de trabalho, etc, ainda consegue, quando acaba o expediente, desfrutar de um “happy hour” com os amigos do escritório, enquanto o artista que não está na novela, corta um doze para não deixar a peteca cair. Quanta falta de respeito! 

Mas, não se deve ligar para essas pessoas, nem ficar constrangido com comentários infames, nem mesmo se sentir inferiorizado, pois mais cedo ou mais tarde, o reconhecimento vem. Mas há de se exigir respeito, mesmo porque, o artista é um profissional. E não é porque não se trabalha no banco, na indústria, no comércio, que não se tem profissão. A arte é um ofício e merece respeito.

E o pior é que isso não acontece só com o ator. É com o músico, com o escritor, com o dramaturgo, com o diretor, com o bailarino, se não está na mídia, não desfruta de nenhum respeito. Lamentável! É, infelizmente, essa é mais uma dificuldade que o artista tem de enfrentar e aprender a conviver.