Uma arte para poucos

Outubro 26, 2009

Mesmo que muitas pessoas ainda insistam em divulgar o teatro como uma arte popular, parece que cada vez fica mais difícil popularizá-lo. Se o espetáculo não tiver um apelo popular, como por exemplo: se tratar de uma comédia rasgado com a participação de um artista da mídia televisiva, a frequência do público fica restrita a pessoas que militam no meio.

É raro se encontrar uma situação onde o público vai ao encontro do teatro. Ainda mais quando se tem a plena consciência de que a grande mídia não tem lá tanto interesse em divulgá-lo. Quanto mais o tempo passa, mais fica claro que o teatro é uma arte para poucos.

Sem levar em conta a questão dos altos preços cobrados no teatro e tratando única e exclusivamente da questão da arte, por mais lúdica que a magia do teatro possa ser, ela não consegue seduzir o espectador comum, a ponto desde se deslocar de sua casa para ir assistir a um espetáculo, quando este é apresentado por artistas locais ou sem tanto popularidade.

Creio que esta é uma situação consolidada. Teatro, por mais interesse que cause, jamais será uma arte plenamente popular. Mesmo que os jovens nunca se cansem de procurá-lo. E não existem culpados para isso. É apenas uma questão de característica da arte de representar sobre um palco.

Talvez, a postura meio erudita que a imagem do teatro transparece, contribua para afastar e alongar a distância entre o palco e o público, ou talvez não. Mas, a certeza que tenho, é que quanto mais pessoas se aproximam do teatro, mais ele vai se tornando uma arte para poucos. Mesmo que estes poucos pareçam muitos.

A arte efêmera do teatro escapa da percepção do cidadão comum, e são poucos aqueles que não fazendo parte da cadeia produtiva da arte de representar que entendem e se deixam seduzir pela magia do teatro.

E por mais que este quadro não mude, o teatro é e sempre será imortal, pois representar faz parte da natureza humana. Isso tudo nos dá a certeza, que sempre encontraremos alguns poucos interessados, tanto em fazer, como assistir uma peça teatral.


A nova dramaturgia

Agosto 17, 2009

Quando algum grupo de teatro pensa em montar um espetáculo, pensa logo em algum texto de um dramaturgo famoso. Dificilmente se aposta em um novo dramaturgo. Será mais fácil partir para um espetáculo com um texto de um dramaturgo consagrado? Ou será que não existe uma nova dramaturgia que valha a pena?

Os poucos novos dramaturgos que surgem no cenário teatral, estão quase sempre ligados a algum grupo e conseguem assim, ter uma maior facilidade para mostrar os seus trabalhos. E deve-se deixar bem claro que dentre estes grupos teatrais, muitos novos dramaturgos tem se destacado, mostrando que existe sim, uma nova dramaturgia sendo feita.

Complicado é para aqueles que não estão ligados à nenhuma companhia teatral, pois parece faltar coragem a certos grupos para apostarem do novo. Existe muita coisa boa sendo produzida em termos de dramaturgia, só que não há espaço para que esta seja apresentada ao público. São raras as oportunidades que surgem e são poucos aqueles que conseguem mostrar o seu trabalho.

A comodidade de remontar por várias vezes o que já foi incansavelmente montado, parece não incomodar certos grupos, que não titubeiam na escolha de clássicos, certos que terão uma bilheteria garantida. Mas, muitas vezes, o público já se cansou tanto de ver a mesma coisa, que desiste de ir ao teatro. E o que poderia ser uma consagração, acaba sendo um fiasco.

A nova dramaturgia clama por novas oportunidades e pede espaço para mostrar que existe. Enquanto os grupos de teatro não abrirem espaço, muita coisa boa vai continuar escondida nos discos rígidos de computadores pelo país afora. A renovação de teatro não se faz apenas com novos atores, se faz também com uma nova dramaturgia.

De nada adianta as instituições ligadas à cultura realizarem concursos para escolher novos dramaturgos, se esses premiados novos dramaturgos não conseguem ver seus textos montados, pois os grupos de teatro preferem, por via das dúvidas, optarem pelo que já é tão consagrado.

Idéias novas, de gente nova, com um novo olhar teatral, revigora, estimula, incentiva a experimentação, por isso, você que tem um grupo de teatro, pesquise, busque, abra espaço para que o novo dramaturgo possa mostrar o seu trabalho, pois só assim, a nova dramaturgia vai poder mostrar a sua cara.


Quando falta a inspiração

Julho 12, 2009

De repente você está ali, de frente ao computador, aquela tela em branco olhando para você, esperando que você comece a digitar as letras que vão contar mais uma história, a necessidade de cumprir o compromisso de escre-ver mais um texto martela o seu pensamento, mas, cadê a inspiração?

Quantos de vocês que escrevem já não passaram por isso? Por muitas vezes isso já aconteceu comigo. Tem hora que a inspiração não vem e não adianta insistir. Parece que cada vez que se insiste, mais a inspiração se afasta. Mas, como resolver essa equação entre a obrigação e a falta de inspiração?

É nessa hora que se entende como foi importante se criar uma disciplina de escrever todos os dias. Essa rotina de escrever qualquer coisa, de qualquer tamanho, sobre qualquer assunto, que não tenha nenhuma importância e que nunca vai se transformar em nada, é que vai nos dar o suporte para enfrentar essa falta de inspiração.

Como já é sabido por todos, quando se trata de arte, cinco por cento é inspiração e noventa e cinco por cento é transpiração, e quando a inspiração não dá o ar da graça, arregaçamos as mangas e suamos sangue para suprir essa falta, usando para isso, todos os artifícios adquiridos com os exercícios constantes da escrita.

Não adianta pensar que o simples talento para escrever vai salva-lo quando da falta da inspiração, se não há um exercício contínuo da escrita, mais cedo ou mais tarde vai se passar um apuro por não se conseguir escrever quando inspiração não vier.

Escrever é assim, só se aprende, escrevendo. Não tem outro jeito. E quanto a inspiração? Bem, com ela tudo fica bem mais fácil e o trabalho muito menos cansativo, mas, como não é sempre que se pode contar com ela, é melhor estar sempre se exercitando.

Agora, como hoje a inspiração não me deu o ar de sua graça, vou ficando por aqui, pois ainda preciso trabalhar muito para terminar alguns textos. E como nem sempre se pode contar com a inspiração, eu vou aproveitar também para praticar um pouco mais a minha escrita. Boa semana para todos!


O que o público quer?

Junho 11, 2009

Muito se tem falado da crise nas telenovelas brasileiras. Muitos apontam à falta de criatividade, outros, que existe um leque maior de opções, uns até já pregam o fim das novelas na televisão, mesmo que nenhuma das emissoras que as produzem, ventilem qualquer coisa sobre o assunto. Mas talvez o problema esteja com o público.

Não que o público brasileiro tenha se cansado de assistir novelas, visto que a audiência, mesmo que em queda, ainda representa a maior fatia de telespec-tadores em um canal de TV. Talvez, o problema possa estar em não perceber o que realmente o público esteja interessado em assistir na telinha.

A repetição de temas, elencos, remakes, fórmulas batidas, parece ter cansado o telespectador ao ponto dele trocar a televisão por outra coisa. A lógica de uma telenovela é previsível e o público, principalmente o mais jovem, não se vê seduzido por algo tão óbvio, com finais sempre iguais e que contam histórias nada interessantes.

O público, hoje em dia, talvez nem esteja tão interessado em mocinhas despro-tegidas em busca de um príncipe encantado. Talvez, nem se identifique com os heróis de caráter ilibado, nem por tramas de histórias comuns exaustivamente repetidas. Quem sabe já esteja cansado do jeito que essas tramas vêem sendo contadas? Identificar o que o público quer, talvez venha a ser o novo pulo do gato.

O hábito de assistir novelas já está arraigado no âmago do povo brasileiro e isso, não se perde da noite para o dia. Assistir novelas faz parte do dia-a-dia do brasileiro quase que até instintivamente. Dizer que simplesmente o povo deixou de gostar de assistir novelas é tapar o sol com a peneira.

Eu, enquanto telespectador, não me vejo lá muito interessado em assistir a maioria das novelas veiculadas atualmente na TV e isso acontece também com as pessoas que me cercam, por certo, esse também pode ser o motivo do êxodo que vem acometendo as novelas brasileiras, o puro desinteresse de acompanhar uma novela. E por quê?

Recuperar o interesse do público em acompanhar uma novela, passa por levar à telinha, histórias que esse público queira ver de fato. Temas e tramas que o arremate pelo simples interesse pode ser um começo. Ás vezes, ouvir a voz rouca das ruas é bem melhor do que acreditar na receita de uma mesma história por vezes repetida. 

Novela é feita para o telespectador e se esse telespectador já não vê interesse em assisti-la é sinal que o problema não é no formato da novela e sim, no conteúdo e na forma que essa novela se desenrola, pois já não está atendendo o que esse público quer.


Teatro é resistente

Junho 2, 2009

Mesmo com todas as dificuldades conhecidas por todos que fazem teatro pelo país afora, o teatro sobrevive e sobreviverá, pois o Teatro é resistente e está sim, impregnado na alma de algumas centenas de abnegados que emprestam suas vidas a arte de representar.

No submundo da arte, amadores e amantes do teatro fazem e sempre farão de tudo para colocar um espetáculo na estrada. Muitas vezes até sem a devida preocupação com a qualidade do cenário, do figurino, pois, todos, somos sabedores da total falta de verba, mas, afinal, o que importa é o teatro.

Em cada canto do país, pessoas resistentes lutam para fazer seus espetáculos, não se preocupando com retornos financeiros, com reconhecimentos artísticos, com críticas… brincam de fazer teatro e fazem do teatro uma brincadeira. E é assim, que a cada dia, o teatro se torna mais resistente.

Não é porque uns elitistas monopolizam as verbas de incentivos culturais e fazem do teatro um comércio, ás vezes até maculando a verdadeira missão do artista, que o teatro se perderá pelo caminho. Ele está nas escolas, nas comunidades carentes, nos circuitos amadores e sempre se renovará.

Está certo que a má qualidade de certos espetáculos que muitas vezes são produzidos por aí, prejudica a imagem e sequer podem ser chamados de teatro, tem-se de relevar certas situações em prol de se privilegiar a intenção de se manter viva a arte do teatro. Ás vezes, fechar os olhos para alguns defeitos, não faz mal a ninguém.

É assim, meus amigos, da mesma forma que não devemos dar muita importân-cia para espetáculos puramente comerciais que visam apenas retornos financeiros, não devemos levar muito em conta, os espetáculos produzidos amadoristicamente, pois, o que deve ficar é a certeza de que o teatro é resistente e perdurará por todo sempre. Assim seja, amém!


Roteiros X Textos Teatrais

Maio 10, 2009

Existe certa confusão, principalmente em quem está se iniciando no mundo das artes, entre o que seja um roteiro para cinema e/ou TV e um texto teatral. Muito embora, aparentemente, os dois se utilizem da mesma estrutura de diálogos para contar uma história, eles são completamente diferentes em seus resultados finais.

Enquanto num roteiro é possível apresentar a história de uma forma não linear, onde a descrição de fatos não segue uma ordem cronológica e ainda se é possível utilizar-se de imagens para reforçar a ação, no texto teatral, principalmente, aqueles que optam pela estrutura “Aristotélica”, a história é contada através de uma forma linear, obedecendo a seguinte ordem: exposição, conflito e resolução.

Embora, ambos se alimentem de uma mesma ação dramática, pois colocam os seus personagens em conflitos em busca de suas resoluções, a forma em que eles são apresentados é completamente distinta e não pode ser confundida, pois cada qual representa uma linguagem diferente.

Um roteiro é peça de uma obra áudio-visual, onde além das interpretações dos atores, outros elementos, como imagens, completam a ação, já um texto teatral é peça de uma obra de artes cênicas, onde a dramaturgia está baseada nos diálogos que permeiam as ações e interpretações dos atores.

Muitos diretores de teatro até se arriscam em misturar as duas linguagens, trabalhando artes cênicas com incursões de recursos áudio-visuais. Uns, até organizam espetáculos teatrais partindo de um roteiro e não de um texto dramatúrgico, só que no meu ponto de vista, eles estão criando uma outra linguagem e que não deve ser confundida nem como roteiro de áudio-visual, nem como texto teatral.

Mas, uma coisa precisa ficar bem clara, principalmente para quem está conhe-cendo o mundo das artes, roteiro não tem nada a ver com texto teatral, mesmo que volta e meia eles se cruzem e confundam a cabeça das pessoas, cada um tem a sua praia.

Por isso, se você faz teatro, vai se utilizar sempre de textos teatrais, já se você faz ou pretende fazer cinema, vai sempre se utilizar de roteiros. Mas, se você freqüentar as duas praias, vai ter de saber diferenciar um do outro, pois Roteiro não é Texto Teatral e nem Texto Teatral é Roteiro, ok?


Longe dos holofotes

Maio 5, 2009

Pode parecer que não, mas você pode encontrar trabalhos muito interessantes longe dos holofotes. Aliás, acho que os melhores trabalhos sempre são feitos longe dos holofotes. Quantos e quantos espetáculos de qualidade são apresentados em pequenas salas sem nenhuma divulgação de mídia?

Já falei por várias vezes em outros artigos, que o artista não precisa viver correndo atrás de uma vaga na televisão, ele tem que se preocupar em fazer o seu trabalho com verdade, pois, só assim, terá o seu trabalho reconhecido. Isso acaba acontecendo uma hora ou outra e a tão sonhada chance na televisão chega, e chega por mérito.

É claro que também existem os artistas que preferem fazer carreira longe dos holofotes televisivos. Cada um sabe melhor a forma pela qual quer transmitir a sua arte. Mesmo porque, a televisão não dá um atestado indiscutível de que o trabalho é de excelência, pois, por muitas vezes, na televisão, vimos trabalhos de pouca qualidade artística e sem nenhum valor cultural.

Talvez, a vantagem de estar sob os holofotes, seja uma maior visibilidade ao trabalho que se faz, bem como o reconhecimento por um número maior de pessoas, isso, com certeza, dará “up grade” na carreira do artista.

A única coisa com a qual discordo é com esse pessoal novo que vem fazer teatro achando que só o caminho da televisão é que é o supra-sumo. Se eles soubessem o quanto se pode ser reconhecido longe dos holofotes, na certa, teriam um outro pensamento e buscariam engrandecer o seu trabalho, para aí sim, depois, se for o caso, chegarem à televisão.

Ás vezes, muito tempo exposto às luzes dos holofotes, pode fazer que um trabalho de boa qualidade, perca o seu foco, por isso, é preciso saber levar seu trabalho à sombra, para depois se acostumar com as luzes fortes dos holofotes.

Então, não se preocupe muito com essa questão, faça o seu trabalho com toda sua verdade e sinta-se sempre sob a luz de um holofote, pois mesmo na sombra existe um público ávido para apreciar o seu trabalho.


Escrever é sempre um desafio

Fevereiro 24, 2009

Quando resolvi trilhar o caminho das letras, sempre tive conselhos que me alertavam da necessidade que se tem de se escrever todo dia, mesmo que aquilo que se escreva não sirva para nada. Mas uma coisa ninguém me disse: o quanto é difícil escrever uma história após a outra. Escrever é mesmo um grande desafio.

 

Quando penso numa história é óbvio que o tema não será inédito, já não há assunto novo a ser abordado, apenas o ponto de vista de quem o aborda. Quem já não falou de amores impossíveis, por exemplo? Quantas histórias de bruxas, vampiros, ladrões, corrupção, angústias, de traição, de medo… E como conseguir contar uma nova história de um tema já tão batido?

 

É claro que a narrativa, o jeito de contar, a maneira como o autor desenvolve o tema são chaves importantes para tornar a história uma novidade. Mas, confesso que é sempre um grande desafio quando começo escrever uma nova história, mesmo porque, o perigo de se tornar repetitivo, ou o risco de cair na comodidade de trilhar a história por um caminho já consagrado, podem colocar por terra toda a história.

 

Mas, apesar de toda a dificuldade que é, poder se colocar frente a frente com o desafio de escrever uma nova história com um tema que todo mundo conhece, de uma maneira diferente, tenho que admitir, é estimulante. Quem escreve sabe muito bem do que estou falando.

 

Agora entendo o porque os mais experientes sempre aconselham quem quer se tornar um escritor, a escrever, escrever e escrever, todo dia, qualquer coisa. É essa disciplina desenvolvida dia após dia que vai dar os subsídios para enfrentar o desafio de estar sempre pronto a superar as dificuldades de se escrever uma nova história.

 

Bom, e como é escrevendo que se aprende a escrever e estou sempre pronto a novos desafios, vou seguindo pelo caminho das letras, traçando minhas linhas e enfrentando os desafios que vão sempre aparecer.


A busca pela fama

Dezembro 15, 2008

Hoje em dia é impressionante a  preocupação  que  as  pessoas tem em alcançar a fama. Ninguém mais se preocupa em levar algo realmente construtivo ao público. Se tornar uma celebridade passou a ser o objetivo e o trabalho, algo meramente secundário.

Parece que a inversão de valores chegou a um ponto que está quase impossível reverter a situação, visto que as pessoas se submetem a toda e qualquer aberração, apenas para terem seus quinze minutos de fama e depois, para prolongá-los, se submetem a outras tantas coisas, ás vezes, inimagináveis.

O pior disso tudo é que a “galerinha” que vem vindo aí e que está ávida em se tornar artista, acaba sendo prejudicada, ao ver essa busca desenfreada pela fama distorcer o conceito do que é ser artista de verdade.

E de quem é a culpa? Acho que um conjunto de fatores contribui para esse quadro, desde os “realitys shows” até programas de baixa qualidade que expõem e mostra o culto às futilidades, onde a importância de se bater o recorde de maior peito siliconado é maior do que a de anunciar a peça que está em cartaz.

É claro que cada um tem o direito de fazer o que quer da sua vida e cada um se sustenta do jeito que acha ser o mais conveniente para si, só que para isso, deve assumir os riscos da exposição a que se propõem. Depois, não adianta ficar com raiva da imprensa e pedir por privacidade. Quem quer a fama a qualquer custo, deve estar disposto a pagar o preço que essa fama vai lhe custar.

Penso, que esse tipo de fama é meramente efêmera e descartável e quem optar por ela deve saber que ela é passageira e que quando passar, dificilmente dará outra chance à pessoa que a ela se submeteu e a colocará num ostracismo tamanho, podendo ocasionar sérios problemas a essa pessoa. A história está cheia de exemplos desse tipo.

Por isso, busque o sucesso, pois ele é algo que será alcançado paulatinamente através do crescimento do seu trabalho e que quando atingido, será por puro merecimento e reconhecimento de algo que foi plantado, semeado e cultivado com amor. Essa falsa fama de celebridade instantânea, não paga e nunca pagará o preço de um verdadeiro sucesso.


O duro trabalho de criação

Dezembro 3, 2008

Quando se vê a peça em cartaz, o livro publicado, a peça   escri-ta, não se imagina o quão duro foi o trabalho de criação até que se chegasse ao resultado final. As noites em claro atrás da palavra perfeita, os ensaios intermináveis até a interpretação ideal, mas quase ninguém leva isso em conta.

O processo de criação é como a gestação de um filho e a tarefa árdua de conceber um trabalho bacana é por muitas vezes desgastante. É a idéia que emperra. É a emoção que não se consegue atingir. Ás vezes, quase que com o trabalho pronto, se percebe que não é bem aquilo que se buscava e tem-se de recomeçar. Não é fácil!

Não estou discutindo a questão da qualidade, ás vezes as pessoas concebem coisas ruins mesmo, mas nem por isso, não tiveram um trabalho duro de criação, mesmo que o resultado final mostre uma total falta de criatividade ou falta de talento. Mas, tem gente que não tem jeito pra coisa, mas isso é assunto para outro dia.

A questão é que todo trabalho artístico passa por um processo muito duro de criação, na maioria das vezes, extremamente exaustivo. É a idéia que não vem. É a palavra que não encaixa. É o gesto que não combina com a personagem, o andar, o se portar, o sotaque, nada combina. São muitas idas e vindas até o produto final, por mais simples que ele seja.

Só que muitas pessoas, depois do espetáculo em cartaz, do livro pronto, da peça escrita, fazem comentários monossilábicos ou críticas do tipo não gostei disso, não gostei daquilo. Tudo bem que a crítica pode falar o que quiser e o artista deve e tem de estar sempre preparado para recebê-la, por pior que seja, mas no mínimo, tem de se respeitar o duro trabalho de criação que o artista teve.

Mas é dificílimo alguém notar e comentar ou mesmo levar em conta, todo esse trabalho duro de criação que o artista tem de passar, não importando qual será o resultado final da arte produzida. Trabalhar com a criação é muito mais complicado do que possa parecer. Até mesmo se tratando de um simples artigo como este.

Por isso, sempre que for assistir a um espetáculo, for ler um livro ou uma peça de teatro, tenha em mente o quão duro o artista teve que dar até chegar ao ponto final, mesmo que na sua opinião o resultado tenha sido uma droga. Lembre-se sempre que sem que se haja o trabalho duro de criação, não se terá nenhum produto artístico, nem bom, nem ruim.