Uma arte para poucos

Outubro 26, 2009

Mesmo que muitas pessoas ainda insistam em divulgar o teatro como uma arte popular, parece que cada vez fica mais difícil popularizá-lo. Se o espetáculo não tiver um apelo popular, como por exemplo: se tratar de uma comédia rasgado com a participação de um artista da mídia televisiva, a frequência do público fica restrita a pessoas que militam no meio.

É raro se encontrar uma situação onde o público vai ao encontro do teatro. Ainda mais quando se tem a plena consciência de que a grande mídia não tem lá tanto interesse em divulgá-lo. Quanto mais o tempo passa, mais fica claro que o teatro é uma arte para poucos.

Sem levar em conta a questão dos altos preços cobrados no teatro e tratando única e exclusivamente da questão da arte, por mais lúdica que a magia do teatro possa ser, ela não consegue seduzir o espectador comum, a ponto desde se deslocar de sua casa para ir assistir a um espetáculo, quando este é apresentado por artistas locais ou sem tanto popularidade.

Creio que esta é uma situação consolidada. Teatro, por mais interesse que cause, jamais será uma arte plenamente popular. Mesmo que os jovens nunca se cansem de procurá-lo. E não existem culpados para isso. É apenas uma questão de característica da arte de representar sobre um palco.

Talvez, a postura meio erudita que a imagem do teatro transparece, contribua para afastar e alongar a distância entre o palco e o público, ou talvez não. Mas, a certeza que tenho, é que quanto mais pessoas se aproximam do teatro, mais ele vai se tornando uma arte para poucos. Mesmo que estes poucos pareçam muitos.

A arte efêmera do teatro escapa da percepção do cidadão comum, e são poucos aqueles que não fazendo parte da cadeia produtiva da arte de representar que entendem e se deixam seduzir pela magia do teatro.

E por mais que este quadro não mude, o teatro é e sempre será imortal, pois representar faz parte da natureza humana. Isso tudo nos dá a certeza, que sempre encontraremos alguns poucos interessados, tanto em fazer, como assistir uma peça teatral.


O popular também pode ser arte

Março 14, 2009

Não é de hoje que a discussão entre o erudito e o popular toma conta da cena cultural. Prega-se sempre que o sofisticado e o rebuscado, são atributos que representam genuinamente a arte, seja ela, literatura, pintura, música, teatro. Mas, como fica a arte feita para o povo?

Muitos podem atém dizer que não se faz arte verdadeira para o povo, coisa que até concordo. A arte que é entregue ao povo, não passa de arremedo, de engodo, puro entretenimento, e há de convir que a música, representa muito bem esse quadro de falta de qualidade artística, basta ouvir o que toca nas rádios.

Mas, partindo do princípio de que tudo que é fruto da criação é a manifestação pura da arte, o que deve ser discutido é se ela é de bom ou mau gosto. Acho que o resto faz parte de uma discussão infindável. A única coisa que não é e nem pode ser considerada arte, é foto de mulher pelada em revista masculina (mesmo que de vez em quando valha a pena dar uma espiadinha! Por pura curiosidade, não me levem a mal!) Mas, chamar a exposição da anatomia feminina revisada por photoshop de nu artístico, chega a ser um acinte à todos os pintores que nos presentearam com as imperfeições dos corpos femininos em óleo sobre tela. Bem, só que isso é assunto para outra hora. A questão é se a arte pode ou não ser popular.

Analisando bem o quadro, pode se notar que o popular pode ser arte, tanto quanto o erudito pode se tornar uma arte feita para o povo, mas é claro que tudo depende de interesses mercadológicos. Se for lucrativo levar a orquestra à favela ou levar o funk para as festas da alta roda (coisa que já acontece), tudo se acerta através do preço que se paga.

Falando em funk, está aí a demonstração de que o popular pode virar arte desde que interesses mercadológicos sejam satisfeitos. Tanto que até já se cogita transformar o funk em patrimônio cultural. Pode?

É isso aí, meus amigos, não vale a pena arrancar os cabelos em busca de fazer a verdadeira arte, aos olhos do povo e aos interesses da mídia, isso não tem lá muito importância. Se a mídia quiser fazer do ballet clássico, do teatro, algo realmente popular, isso acontecerá, enquanto isso, apure bem os seus sentidos e não se aborreça tanto, pois o popular também pode ser arte, mesmo que seja através de interesses mercadológicos e não agrade quem vê a arte de outra maneira.

Ah, e antes que me atirem pedras, quero deixar claro que esse popular não tem nada a ver com a cultura popular, que a manifestação artística de um povo, onde a arte encontra refúgio para se realizar plenamente e o artista se sente completo. Mas essa, coitada, não é assim tão popular, a não ser uma ou outra festa que atende os tais interesses mercadológicos.


O fantasma do fracasso

Janeiro 20, 2009

Quando se pensa na vida de um artista, só se enxerga o lado do glamour, do estrelato, dificilmente as pessoas pensam, que assim como em qualquer profissão, a profissão do artista, seja ele, cantor, ator, bailarino, está sujeita a altos e baixos e que o fantasma do fracasso está sempre à espreita.

 

Vocês podem perguntar: Mas que pessimismo é esse? Ninguém pensa em ser alguma coisa, achando que vai fracassar. Eu sei, mas a questão não é pensar no fracasso. A questão é que se deve ter sempre em mente, que ele está ali, ao seu lado, pronto a lhe dar o pote, assim que você lhe der a oportunidade.

 

É claro que têm pessoas que estão fadadas ao fracasso. Exemplo disso são as pessoas que se submetem à fama a qualquer preço. Na mesma velocidade que alcançam status de celebridades são jogadas no limbo do esquecimento. E muitas delas, não agüentam a pressão.

 

Como toda profissão, a de artista tem e deve ser levada a sério. Esqueça essa coisa de fama, o seu trabalho contínuo e consistente, o levará até ela. E é esse o antídoto para afastar o fantasma do fracasso, pois quem tem um trabalho de fato, tem sempre mais facilidade de alcançar o espaço.

 

Também é sabido que isso não é garantia de nada. Tem hora que você realiza um espetáculo e ele simplesmente não acontece. Não é porque o seu projeto não vingou, que sua carreira é um fracasso total. Toda história bem solidificada deixa marcas, que são capazes de inibir qualquer tentativa de aproximação deste mal feitor do fantasma do fracasso.

 

Por isso, não se perca em devaneios, achando que quando você for um artista famoso as coisas melhorarão. Esteja certo que as coisas tendem a piorar muito, pois a pressão sob aquilo que você já conquistou lhe obrigará a se manter sempre a frente do que seja considerado o normal.

 

É meu amigo, a vida de artista realmente não é nenhum mar de rosas, por de trás de toda badalação, tem muita ralação para afastar de sua sombra, o tal do fantasma do fracasso. Mas a vida é assim mesmo, aconteceu com todo profissional. Só que aqueles que vigiam o fantasma do fracasso de perto, têm mais chance de alcançarem um sucesso duradouro.