Pra quê dramaturgo?

Novembro 17, 2009

Engraçada essa relação entre os atores, diretores e produtores com o dramaturgo, faço um esforço danado pra tentar entender e, ás vezes, finjo até entender, para não parecer antipático. Mas o fato é que: por que será que os direitos do dramaturgo nunca fazem parte do orçamento de um espetáculo?

Uma noite dessas encontrei um colega dramaturgo antes da apresentação de uma peça e não precisou mais do que cinco minutos de prosa para estarmos nos queixando da mesma coisa: a falta do pagamento de nossos direitos autorais.

É um profundo desrespeito para com quem passa horas, dias e noites escrevendo e reescrevendo um texto. É certo, que talvez, muitos não se dêem conta desse detalhe, ou fazem de conta que não sabem da necessidade de se pagar direitos autorais para quem escreve um texto. Ora, um dramaturgo não precisa, não é mesmo?

Até mesmo no circuito amador, onde se luta com dificuldades para colocar um espetáculo em cartaz, se faz necessário um orçamento para discutir gastos com figurinos, cenários, impressos, etc… O que custa incluir neste orçamento a verba do dramaturgo? Ou não é o texto escrito pelo dramaturgo a razão da tal montagem? Isso desanima quem escreve para teatro.

É óbvio que a satisfação de ter um texto escrito por você, montado, não tem preço, mas dramaturgo também tem contas pra pagar. Um esforço e uma consciência maior de atores, diretores e produtores, podia contribuir para diminuir um pouco esse abismo que existe entre o direito de receber e a obrigação de pagar os direitos autorais.

Muito mais se pode fazer para isso, não só apenas o esforço e a consciência de atores, diretores e produtores. Os teatros e as casas de espetáculos onde são apresentadas as peças teatrais, podem servir como fiscais dos direitos, ficando responsáveis pela retenção dos direitos do dramaturgo e os repassando para a SBAT, que se encarregaria de repassar os devidos direitos autorais aos legítimos donos. Uma ação simples e viável.

Um dia, ainda espero que as horas, dias e noites em que passei e passo, escrevendo os meus textos, sejam devidamente recompensadas. Espero também pelo dia em que todo o dramaturgo possa fazer parte do orçamento para montagem de um espetáculo teatral e figurar na planilha dos pagamentos no final de cada borderô. 


É brincando que se aprende

Novembro 3, 2009

Pode parecer que não, mas a maneira descompromissada com que o teatro é levado aos jovens em cursos livres de teatro em várias escolas, onde o clima de brincadeira de imitação é predominante, já que o intuito é passar cultura de uma forma lúdica, deixa marcas profundas em alguns jovens.

Nada pejorativo quando digo: “brincadeira de imitação”, apenas a constatação de que é brincando que se aprende tudo nesta vida. E a forma com que os jovens tomam contato com “fazer teatral” nestes cursos livres, faz com que o teatro faça parte na vida de cada um, ou pelo menos de alguns que se identificam com o “fazer teatral”.

A “peçinha” apresentada no final de ano na escola, mesmo tendo apenas um caráter festivo, com certeza, para alguns, é algo da maior importância, pois desperta neles, a vontade de continuar a trilhar os caminhos de um palco de teatro. A brincadeira ensinou para alguns, como o teatro é maravilhoso.

E já contaminados pelo bichinho do teatro, já não se satisfazem com os espetáculos de final de ano, querem festivais estudantis, mostras de cenas curtas, querem dividir o que aprenderam. E o que começou de brincadeira, já passou a ter um sentido na vida nestes jovens.

Pena que são poucas as escolas que oferecem aos seus alunos a oportunidade de experimentar as maravilhas do “fazer teatral”. Nem todos entendem o quanto é importante incluir cultura na formação dos jovens. A cultura, tal como o esporte, transforma a vida de um jovem.

Mas, como nem tudo na vida é perfeito, resta-nos lamentar com os que não tem essa visão e parabenizar todos àqueles que, ás vezes com muita dificuldade e enfrentando enormes obstáculos, procuram levar um pouco de teatro aos jovens por este país afora.

Pois, brincando é que se aprende e aprendendo que se é capaz de transformar o mundo. E assim, de maneira despretensiosa vai se brincando de ensinar teatro e trazendo cada vez mais jovens para engrandecer o movimento teatral.


Uma arte para poucos

Outubro 26, 2009

Mesmo que muitas pessoas ainda insistam em divulgar o teatro como uma arte popular, parece que cada vez fica mais difícil popularizá-lo. Se o espetáculo não tiver um apelo popular, como por exemplo: se tratar de uma comédia rasgado com a participação de um artista da mídia televisiva, a frequência do público fica restrita a pessoas que militam no meio.

É raro se encontrar uma situação onde o público vai ao encontro do teatro. Ainda mais quando se tem a plena consciência de que a grande mídia não tem lá tanto interesse em divulgá-lo. Quanto mais o tempo passa, mais fica claro que o teatro é uma arte para poucos.

Sem levar em conta a questão dos altos preços cobrados no teatro e tratando única e exclusivamente da questão da arte, por mais lúdica que a magia do teatro possa ser, ela não consegue seduzir o espectador comum, a ponto desde se deslocar de sua casa para ir assistir a um espetáculo, quando este é apresentado por artistas locais ou sem tanto popularidade.

Creio que esta é uma situação consolidada. Teatro, por mais interesse que cause, jamais será uma arte plenamente popular. Mesmo que os jovens nunca se cansem de procurá-lo. E não existem culpados para isso. É apenas uma questão de característica da arte de representar sobre um palco.

Talvez, a postura meio erudita que a imagem do teatro transparece, contribua para afastar e alongar a distância entre o palco e o público, ou talvez não. Mas, a certeza que tenho, é que quanto mais pessoas se aproximam do teatro, mais ele vai se tornando uma arte para poucos. Mesmo que estes poucos pareçam muitos.

A arte efêmera do teatro escapa da percepção do cidadão comum, e são poucos aqueles que não fazendo parte da cadeia produtiva da arte de representar que entendem e se deixam seduzir pela magia do teatro.

E por mais que este quadro não mude, o teatro é e sempre será imortal, pois representar faz parte da natureza humana. Isso tudo nos dá a certeza, que sempre encontraremos alguns poucos interessados, tanto em fazer, como assistir uma peça teatral.


A importância do texto infantil

Outubro 18, 2009

Muito mais do que conter e contar fábulas, um texto infantil para teatro, tem uma função ainda pouco explorada, ou pelo menos, não se vê muita divulgação de sua utilização para esse fim: o de servir como um forte instrumento de apoio pedagógico, auxiliando na educação da criança.

Enfatizar apenas o lado lúdico que o teatro, com toda sua magia, é capaz de passar, é muito pouco para um texto infantil de teatro. Ele pode ser muito melhor explorado, do que ser apenas uma parte de um espetáculo infantil oferecido à criança como passeios em datas festivas.

Utilizar o texto infantil de teatro na sala de aula, servindo-se de suas histórias para trabalhar de maneira mais lúdica, assuntos por vezes difíceis de lidar, até mesmo pela complexidade do tema, a princípio pode parecer que não, mas é sim, um diferencial para a educação infantil.

A pedagogia precisa se ater a esse detalhe, pois o teatro como arte pura e o seu texto infantil utilizados como instrumentos multiplicadores de idéias e, acima de tudo, como facilitadores para trabalhar ações e sentimentos, só tem a acrescentar na melhoria da educação, seja ela de forma informal, ou de forma didática.

Mais e mais fica claro, que não bastam apenas os métodos ortodoxos de educação para ensinar a criança dos dias de hoje, e cada vez mais é preciso se buscar um diferencial para estimular a criança á aprender. E a utilização do texto infantil de um espetáculo teatral caminha neste sentido.

É claro que não é sempre que se pode se utilizar de textos infantis, mesmo porque, ainda são raros, ou de pouco conhecimento, textos que possam servir de fato, como apoio pedagógico. E também, não se deve incorrer no mesmo erro de outrora, forçando a criança a ler vários textos infantis, assim como se fez, e se faz com a literatura, pois assim, corre-se o risco de se obter o efeito contrário.

O texto infantil se faz importante quando ele é usado na medida certa entre o que é lúdico e o que é didático, servindo de estimulo, instigando a investigação, apoiando a pedagogia no dia-a-dia e trazendo para sala de aula, a magia existente no teatro de uma forma natural, para que todos possam usufruir de cada pedacinho da história.


Por quê ser ator?

Outubro 11, 2009

Com o forte investimento que vem sendo feito em dramaturgia pelas grandes redes de televisão, mais e mais pessoas tem procurado cursos de teatro com o intuito de conseguir uma formação mínima que lhes dê condições para disputar uma vaga no concorrido mundo dos atores de televisão. Muitos fazem isso, impulsionados pelo anseio de se tornarem uma celebridade.

Muitos até decidem serem atores por modismo, para fazerem sucesso com as meninas, para passarem imagem de culto e intelectual, para fazerem parte de uma turma legal e acham que a qualquer momento vão ser guindados a um papel de uma telenovela. Não que isso não possa acontecer.

Só que muitos não tem uma resposta clara sobre o porquê querem ser atores. Minto, a maioria sabe sim. Quer ser ator para fazer a novela das nove. A idéia de fama e sucesso contamina de tal forma, que uma cortina de fumaça encobre o rosto e distorce o verdadeiro sentido do que venha a ser um ator e o porquê se tornar um.

É claro que todo mundo tem o direito de fazer da sua vida o que bem entender, mas ao resolver se tornar um ator, esta pessoa precisa ter a consciência e a certeza da sua escolha, pois qualquer celebridade instantânea ou não, pode participar de uma telenovela, mas raramente será um ator.

Quando se resolve se tornar um ator, é preciso entender o porquê desta decisão e ela deve estar pautada, além de uma certeza de vocação, na consciência do papel que o ator tem, de ser um veículo e um instrumento que conta a evolução de uma sociedade, pois é através da interpretação de um ator que a sociedade é vista, revista e reinventada.

Ser ator não é apenas subir no palco, conhecer as teorias de Stanislavski, é preciso ser um investigador da alma humana, dos conflitos sociais, do mundo que nos cerca. É ser um observador do comportamento humano, dos anseios e vontades dos homens do nosso tempo, saber que servirá de filtro para que uma sociedade se reconheça. E, acima de tudo, contribuir para a constante evolução em que vive o ser humano.

Você pode ainda decidir ser ator para crescer como pessoa, entender os seus limites, compreender até que ponto suas ações como cidadão comum, podem interferir num contexto global na sociedade em que você vive. E fazer isso tudo centrifugar dentro de você e devolver tudo em forma de interpretação.

Então, quando você decidir se tornar um ator tem que saber o porquê, pois só assim fará sentido todo o sacrifício que a arte vai lhe impor.


A arte de ser um fingidor

Outubro 4, 2009

Muitos passam anos mentindo sobre si mesmo. Outros passam anos tentando ser o que não são e outros tantos passam anos achando que enganam alguém e não convencem nem a si mesmo. O ser humano vive sempre se enganado, mas só o ator sabe a arte de ser um fingidor.

Só o ator sabe sentir a dor que não sente, sabe rir a gargalhada que não quer dar, sabe ser quem não é e dar a impressão de que é aquele que não é. Só o ator sabe chorar sem sofrer de verdade a sua dor e sabe sofrer por algo como se a dor fosse toda sua.

É assim, o ator é acima de tudo um verdadeiro filtro de sentimentos, capaz de emprestar toda a sua emoção para contar as várias facetas de uma mesma história. Só o ator é capaz de mostrar como pode ser possível, um bandido ter suas razões para o que faz e ao mesmo tempo, mostrar que um mocinho nem sempre é só mocinho. O ator é alguém capaz de esquecer de quem se é para dar lugar à alguém que pouco se conhece.

Pena que alguns acham que seja assim tão simples ser um fingidor e se aventuram em fazer aquilo para o qual não estão preparados. Não é porque se é um fingidor, que se finge simplesmente. A arte de fingir vai muito além do fazer de conta. É fingir que sente aquilo que não se sente, mas sentindo. Isso, só o ator, com a experiência que vai adquirindo durante a sua estrada, é capaz.

E quando se vê um espetáculo onde o ator esbanja a arte de ser um fingidor, aí sim a gente se deixa levar pela história. E ri, se emociona, compartilha cada ação e cada reação do que se vê em cena e sai de alma lavada, certos de que somos tudo aquilo que acabamos de ver.

Felizes aqueles atores que dominam a arte de ser um fingidor, que não poupam esforços para nos convencer de algo que a gente sabe que não é verdade, mas sai convencido de que é. Que nos hipnotiza e que nos conquista com o seu talento de ser um grande fingidor.

Ainda bem que o ser humano pode contar com um fingidor para lhe mostrar o quanto se é patético e boçal, o quanto se é ninguém, o quanto se é mortal, o quanto fingimos ser aquilo que não somos e o quanto queremos viver aquilo que não podemos. Ave, atores com o dom da arte de ser um fingidor, reverencio aqui, a cada um de vocês.


Marginal ou Popular?

Setembro 20, 2009

O teatro sempre foi considerado uma arte marginal. Um ambiente freqüentado por desocupados, prostitutas, homossexuais e ébrios boêmios, onde, aos filhos de uma sociedade, não lhes era permitido freqüentar. E, por muito tempo, fazer parte de um grupo de teatro, dava este rótulo para quem o fazia.

Passava longe das cabeças de uma sociedade pequeno burguesa, que teatro fosse algo maior, algo que engrandecesse o ser humano como pessoa, e que a arte de interpretar podia ser algo desfrutada por todos. E na esteira deste rótulo de marginalidade, o teatro seguiu e, resistente como ele só, aos poucos, foi vencendo as barreiras do preconceito.

Hoje em dia, é certo que, muito por conta do sucesso das telenovelas, essa imagem do teatro deixou de ser assim, tão marginal, pois, interessados no sucesso como futuras celebridades de uma próxima novela, pais incentivam os seus filhos a freqüentarem o ambiente do teatro, dando-lhe então, um caráter cada vez mais popular.

Mas, a essência marginal permanece nos arredores de alguns poucos grupos, que ainda preferem que seu teatro seja reconhecido pela sociedade, como uma arte marginal, mesmo que entre os seus freqüentadores, não circulem mais, nenhum dos estereótipos de outrora, pois a idéia de fazer um teatro popular acaba indo de encontro a alguma de suas convicções.

Pontos de vista diferentes para uma mesma arte, marginal ou popular, o que  deve sim ser deixado de lado, é essa coisa preconceituosa de que teatro de verdade tem que ser marginal. A arte de interpretar tem que ser o “x” da questão, a forma pela qual cada um vai se dispor a passar sua mensagem, pouco importa.

Nos tempos de agora, burgueses e marginais, cada qual sabe muito bem, o quão o teatro é importante como instrumento enriquecedor da alma humana, e não cabe tratar com desdém, nem o lado “A”, nem o lado “B” de uma mesma arte, pois já bastou todo o preconceito enfrentado por aqueles que encararam os olhares tortos de uma sociedade, para fazerem do teatro, uma arte realmente popular, na verdadeira concepção da palavra.

O teatro é a arte do povo, seja ele marginal ou não, pois, em cima do palco, pouco importa a origem do ator.


Eu quero o papel principal!

Setembro 11, 2009

Muitos que nem bem começaram a conhecer como se dá o “fazer teatral”, e nem sabem direito o que é interpretar uma personagem, iludidos com a pretensão de figurar como astros das telenovelas, já chegam certos que farão o papel principal da peça.

É sempre isso, que invariavelmente acontece, quando algumas pessoas que querem fazer teatro vão em busca de cursos ou grupos teatrais. Chegam se achando os melhores, que fazem e acontecem, mas quando ficam sabendo que não vão fazer o papel principal, a “brincadeira” acaba.

Acho que a confusão está justamente aí: “brincadeira”. Muitos vão parar no teatro por pura curtição. Pra fazer pose de culto e intelectual, pra se juntar a uma turma legal, pra fazer amigos, pra se libertar, são poucos que realmente encaram o sacrifício que é, o “fazer teatro”. Tem gente que não agüenta nem os ritmos de ensaios. Como pode achar que é ator?

O que precisa ficar claro também, é que teatro além dos muros do colégio, é muito diferente. O Teatro feito nas escolas tem um caráter muito mais pedagógico do que artístico, e ás vezes até pode ter um tom de brincadeira. Já quando se decide integrar um grupo de teatro, deve-se entender logo de início, que o papel principal é o que menos importa.

O que interessa é que quando se decide entrar para a “turma do teatro”, deve-se ter a consciência de que realmente se quer ser um ator e, se dedicar a isso, até mesmo se tiver que ficar na coxia como contra-regra, ou ajudando nas trocas figurinos. É preciso, antes de reivindicar o papel principal, ter a plena consciência que teatro é uma arte de grupo.

O teatro sempre vai estar de braços abertos, esperando todos aqueles que vão procurá-lo dispostos a integrar e abraçar essa arte como uma profissão, que por vezes, é quase um sacerdócio, por isso, se realmente é isso que você quer, esquece essa história de fazer o papel principal logo de cara, quando se vive o teatro de verdade, qualquer papel que se faça, é e será o papel principal.

 


E viva os festivais!

Setembro 4, 2009

Não existe nada mais democrático do que um festival e quando se trata de festival de teatro, seja ele amador ou estudantil, de cenas ou de monólogos, isso se mostra muito mais verdadeiro e valoroso, pois, quantos grupos, atores, diretores, de vários lugares do país, tem a oportunidade única de trocar informações, conceitos e concepções, e ainda por cima mostrar o seu trabalho quando de um festival?

Poder levar o seu espetáculo além de sua aldeia, ou até mesmo dentro dela, inovando, experimentando, ousando, ou simplesmente colocando em cena aquilo que você sempre idealizou, muitas vezes só é possível nos palcos de um festival e muitos, esperam, ansiosos, a realização de cada um deles.

Graças ao deus Dionísio, cada vez mais, mais cidades estão realizando festivais de teatro pelo Brasil afora e muitas das cidades que já os realizavam, vem ratificando as suas exibições, solidificando assim, o movimento por um teatro mais forte, o que por si só, acaba contribuindo de uma maneira geral para todo o segmento teatral.

É claro, que muitos destes festivais, não contam com nenhum tipo de apoio de órgãos governamentais ou de mídia e são, na sua grande maioria, realizados com esforços de algumas pessoas que sabem da importância de um festival para quem faz teatro e precisa desse tipo de intercâmbio, até mesmo para avaliar como anda o seu trabalho.

Não existe lugar mais propício para se descobrir talentos. Quantos atores, diretores, dramaturgos, cenógrafos, iluminadores, sonoplastas, despontaram para uma carreira de sucesso nos palcos de um festival? Mesmo que nem todos os espetáculos mostrem qualidade, um festival de teatro sempre valerá a pena.

Então, a todos aqueles que tem a oportunidade única de participar de um festival, que façam de suas apresentações um momento de engrandecimento de sua arte, independentemente de ganharem ou não algum prêmio, pois num festival, o que vale, é a participação, o intercâmbio e a chance de poder mostrar o seu trabalho.

Agora, desliguem os seus celulares, não fotografem com flash, pois já vai começar em algum lugar do Brasil, mais um festival de teatro. Merda à todos!


Aos olhos do público ou do crítico?

Setembro 1, 2009

Sempre que se pensa em colocar um espetáculo nas ruas, muitos fatores são e devem ser analisados. Mas, o que mais interessa é ter a consciência de estar fazendo um trabalho com a mais pura honestidade. Desde a escolha do texto, passando pelo elenco até chegar à direção do espetáculo. E o que se quer afinal? Ora, se quer os aplausos do público!

E é isso mesmo que interessa. Qualquer outra resposta é puro discurso politicamente correto para fugir de eventuais insucessos. Agradar o público é o principal objetivo de quem monta um espetáculo, e não adianta dizer que não. E a palavra da crítica, como fica nessa história? Se vier para ajudar, muito que bem! Mas se tiver apenas o caráter pichador, deixe-a, não lhe acrescentará nada.

Dizer que um espetáculo é bom porque foi aprovado pela crítica é conversa fiada, pois desde quando a opinião e o gosto do crítico traduzem a opinião e o gosto do público? Quantos espetáculos são aclamados pelo público e desprezados pela critica? Se o crítico não entendeu, paciência. O que interessa e sempre vai interessar, é a opinião do público.

Ter a certeza que se fez o melhor que se foi possível (sim, pois ás vezes não se tem recursos para se fazer o mínimo). é o que basta. E tê-lo feito para o público e não para crítica (pois, existem muitas coisas feitas exclusivamente para agradar a crítica) já é o suficiente para justificar a sua produção.

Vise sempre dirigir um espetáculo para conquistar o público. Escreva sempre para conquistar o ator, atue sempre para conquistar a platéia. Esqueça a crítica, pois na maioria das vezes aos olhos da crítica, nada presta. O “gostar” é uma coisa muito subjetiva na vida das pessoas e não se agrada à todos, não tem jeito.

Se por acaso, algum dia, a crítica lhe “tascar” a lenha, não lhe dê muito importância, continue firme no seu propósito de levar a sua arte da maneira que você ache mais honesta possível, pois, a crítica… bem… essa, volta e meia também muda de opinião. É só o público aclamar o espetáculo como divino, para o que antes era besta, passar a ser bestial.

Aos olhos do público, não interessa o que vê os olhos da crítica, pois o público é inteligente, sabe discernir o bom do ruim. E é assim que deve e tem de ser, fazer arte para o público, se a crítica gostar, muito que bem, mas se não gostar, paciência!…