Ratimbum!

Junho 28, 2009

Ratimbum! no Mapa Cultural Paulista

Ratimbum

O primeiro dia do Mapa Cultural Paulista/Teatro realizado na Universidade de Mogi das Cruzes trouxe a crianças e adultos toda a magia da arte milenar da interpretação em três espetáculos do Núcleo de Teatro TWL – Ousadia, que surpreenderam o público. O primeiro deles foi “Ratimbum! Pararatimbum!” de PAULO SACALDASSY, que conquistou a admiração infantil e passou seu recado aos pais e professores: a necessidade de ensinar os filhos a dividir seu tempo entre brincadeiras e estudo, sem a interferência “hipnótica” da televisão.

Os personagens do espetáculo – um casal de irmãos, o palhaço, o soldadinho de chumbo, a boneca de pano e a malvada televisão – prenderam a atenção da garotada, crianças de 3 a 7 anos. Com olhares atentos, os pequenos participaram ativamente do show, avisando dos perigos e rindo das travessuras.

“O que mais gostei foi das brincadeiras. Foi muito bonito”, disse Lucas Felipe de Carvalho Fonseca, 7 anos, participante do projeto Estrela da Associação Missionária Catequista do Sagrado Coração. Uma das educadoras do Estrela, Nádia Martins, considerou o conteúdo da peça muito rico. “Hoje em dia as crianças só se interessam por televisão, videogame e computador e se esqueceram de curtir a infância, com as brincadeiras que tínhamos antigamente.” A mensagem de respeito e amor ao colega também foi destacada pela educadora Geane Rodrigues de Moraes, da Creche Nossa Senhora do Socorro. “Eles aprenderam bastante hoje e de uma forma bem simples. Muito bom.”

 


A iniciação teatral

Junho 27, 2009

É sempre muito louvável todas as tentativas e iniciativas de iniciar as crianças nas artes cênicas. Muitos e muitos colégios pelo país afora incluem como atividades extracurriculares, aulas de teatro, desde os seus pequeninos até a turma do ensino médio, só que tem um porém. Aliás, como sempre, em tudo tem um porém.

Há de se ter muito cuidado quando se propõe incluir aulas de teatro para crianças, pois, como tudo nessa vida, existe os muitos aproveitadores que se perfazem e se dizem conhecedores das artes cênicas, mas na verdade, não passam de picaretas, interessados sabe lá em quê!

É óbvio que não se espera que as crianças saiam desses cursos, com habilidades suficientes para brilharem sobre um palco, se espera apenas, que lhe sejam dadas informações suficientes para que elas saibam discernir sobre a arte e não distorcer o sentido das coisas.

E esse cuidado também deve ser tomado nos muitos cursos livres de teatro espalhados pelo país, pois, hoje em dia, muitos e muitos pais levam seus filhos para esses cursos, pensando em torná-los astros das novelas das nove, por isso, a responsabilidade por essa iniciação é muito grande.

Não temos como afastar esses aproveitadores, pois, como em todas as áreas, existem os maus e os bons profissionais. O que podemos fazer, enquanto pessoas interessadas em iniciar crianças no mundo das artes cênicas, é nos dedicar ao máximo para passar os ensinamentos necessários para que elas possam se tornar, no mínimo, grandes apreciadoras de espetáculos, sabendo a noção exata entre o bom e o mau teatro.

Então, que mais e mais crianças sejam iniciadas nas artes cênicas, pois, por certo, no futuro, teremos, quem sabe, alguns atores excelentes, mas com certeza, teremos um público altamente crítico e conhecedor do que vê em cena.

E tenham certeza que vale muito à pena toda a dedicação para iniciar as crianças nas artes cênicas, mesmo tendo o caminho atrapalhado por certos aproveitadores, interessados apenas em faturar em cima da ilusão de pais afoitos em fazer de seus filhos, astros da televisão.


O cotchucotchuco da mamãe

Junho 18, 2009

É impressionante a falta de educação de parte do público que vai ao teatro e o pior de tudo é que essa falta de educação vem principalmente do pessoal que milita no próprio teatro, além é claro de seus familiares, que não são devidamente educados para assistirem seus filhos em cena.

Jovens aspirantes a atores, experimentando seus primeiros passos no teatro amador, levam seus amigos e familiares para lhe assistirem pela primeira vez em cima do palco, só que não lhes avisam que teatro não é estádio de futebol, nem feira e muito menos mercado e o resultado é uma perfeita balburdia.

Basta cair á luz que antecede o início do espetáculo para se ouvir assobios, gritinhos histéricos e comentários do tipo: “vai, cotchucotchuco da mamãe!”. É impossível tentar acompanhar alguma coisa. E esse movimento se repente a cada nova entrada em cena. Assobios, gritinhos e o mesmo comentário enaltecendo o “cotchucotchuco da mamãe”.

A gente prega a importância de se ir ao teatro, mas esse pessoal que faz teatro, principalmente os amadores precisa encarar o teatro com o devido respeito. É claro que é gratificante para o pai ver seu filho ali em cena, ainda mais nos tempos de hoje, onde os pais fazem de tudo para que os seus filhos façam teatro com o intuito de chegar o mais rápido até a televisão, mas falta a esse pessoal, um pouco de consciência.

O entusiasmo que toma conta do ator aspirante, não deve ser repassado para os amigos e nem aos parentes que vão lhe assistir e cabe ao próprio ator estreante, educar seus parentes e amigos, de como se deve se portar quando do início do espetáculo, pois gritinhos e assobios, só vão lhe prejudicar em cima de cena.

E aqueles que são os “cotcucotchos da mamãe”, precisam deixar bem claro à elas, que teatro não se resume a presença de seu filho em cena. Teatro é muito mais do que a simples presença de um ator em cena, ás vezes, existem outros “atores” em cena que podem ser prejudicados por essa tremenda falta de educação da mamãe do cotchutchuco.

Que mais e mais pessoas façam teatro pelo país afora, mas que essas pessoas aprendam a educar o seu público para que mais tarde não sejam prejudicados quando entrarem em cena. E quanto a você que sabe bem a mãe que tem, avise-a a resistir ao lhe ver em ação, viu, cotchucutcho da mamãe!


O que o público quer?

Junho 11, 2009

Muito se tem falado da crise nas telenovelas brasileiras. Muitos apontam à falta de criatividade, outros, que existe um leque maior de opções, uns até já pregam o fim das novelas na televisão, mesmo que nenhuma das emissoras que as produzem, ventilem qualquer coisa sobre o assunto. Mas talvez o problema esteja com o público.

Não que o público brasileiro tenha se cansado de assistir novelas, visto que a audiência, mesmo que em queda, ainda representa a maior fatia de telespec-tadores em um canal de TV. Talvez, o problema possa estar em não perceber o que realmente o público esteja interessado em assistir na telinha.

A repetição de temas, elencos, remakes, fórmulas batidas, parece ter cansado o telespectador ao ponto dele trocar a televisão por outra coisa. A lógica de uma telenovela é previsível e o público, principalmente o mais jovem, não se vê seduzido por algo tão óbvio, com finais sempre iguais e que contam histórias nada interessantes.

O público, hoje em dia, talvez nem esteja tão interessado em mocinhas despro-tegidas em busca de um príncipe encantado. Talvez, nem se identifique com os heróis de caráter ilibado, nem por tramas de histórias comuns exaustivamente repetidas. Quem sabe já esteja cansado do jeito que essas tramas vêem sendo contadas? Identificar o que o público quer, talvez venha a ser o novo pulo do gato.

O hábito de assistir novelas já está arraigado no âmago do povo brasileiro e isso, não se perde da noite para o dia. Assistir novelas faz parte do dia-a-dia do brasileiro quase que até instintivamente. Dizer que simplesmente o povo deixou de gostar de assistir novelas é tapar o sol com a peneira.

Eu, enquanto telespectador, não me vejo lá muito interessado em assistir a maioria das novelas veiculadas atualmente na TV e isso acontece também com as pessoas que me cercam, por certo, esse também pode ser o motivo do êxodo que vem acometendo as novelas brasileiras, o puro desinteresse de acompanhar uma novela. E por quê?

Recuperar o interesse do público em acompanhar uma novela, passa por levar à telinha, histórias que esse público queira ver de fato. Temas e tramas que o arremate pelo simples interesse pode ser um começo. Ás vezes, ouvir a voz rouca das ruas é bem melhor do que acreditar na receita de uma mesma história por vezes repetida. 

Novela é feita para o telespectador e se esse telespectador já não vê interesse em assisti-la é sinal que o problema não é no formato da novela e sim, no conteúdo e na forma que essa novela se desenrola, pois já não está atendendo o que esse público quer.


Teatro é resistente

Junho 2, 2009

Mesmo com todas as dificuldades conhecidas por todos que fazem teatro pelo país afora, o teatro sobrevive e sobreviverá, pois o Teatro é resistente e está sim, impregnado na alma de algumas centenas de abnegados que emprestam suas vidas a arte de representar.

No submundo da arte, amadores e amantes do teatro fazem e sempre farão de tudo para colocar um espetáculo na estrada. Muitas vezes até sem a devida preocupação com a qualidade do cenário, do figurino, pois, todos, somos sabedores da total falta de verba, mas, afinal, o que importa é o teatro.

Em cada canto do país, pessoas resistentes lutam para fazer seus espetáculos, não se preocupando com retornos financeiros, com reconhecimentos artísticos, com críticas… brincam de fazer teatro e fazem do teatro uma brincadeira. E é assim, que a cada dia, o teatro se torna mais resistente.

Não é porque uns elitistas monopolizam as verbas de incentivos culturais e fazem do teatro um comércio, ás vezes até maculando a verdadeira missão do artista, que o teatro se perderá pelo caminho. Ele está nas escolas, nas comunidades carentes, nos circuitos amadores e sempre se renovará.

Está certo que a má qualidade de certos espetáculos que muitas vezes são produzidos por aí, prejudica a imagem e sequer podem ser chamados de teatro, tem-se de relevar certas situações em prol de se privilegiar a intenção de se manter viva a arte do teatro. Ás vezes, fechar os olhos para alguns defeitos, não faz mal a ninguém.

É assim, meus amigos, da mesma forma que não devemos dar muita importân-cia para espetáculos puramente comerciais que visam apenas retornos financeiros, não devemos levar muito em conta, os espetáculos produzidos amadoristicamente, pois, o que deve ficar é a certeza de que o teatro é resistente e perdurará por todo sempre. Assim seja, amém!