Escrever é sempre um desafio

Fevereiro 24, 2009

Quando resolvi trilhar o caminho das letras, sempre tive conselhos que me alertavam da necessidade que se tem de se escrever todo dia, mesmo que aquilo que se escreva não sirva para nada. Mas uma coisa ninguém me disse: o quanto é difícil escrever uma história após a outra. Escrever é mesmo um grande desafio.

 

Quando penso numa história é óbvio que o tema não será inédito, já não há assunto novo a ser abordado, apenas o ponto de vista de quem o aborda. Quem já não falou de amores impossíveis, por exemplo? Quantas histórias de bruxas, vampiros, ladrões, corrupção, angústias, de traição, de medo… E como conseguir contar uma nova história de um tema já tão batido?

 

É claro que a narrativa, o jeito de contar, a maneira como o autor desenvolve o tema são chaves importantes para tornar a história uma novidade. Mas, confesso que é sempre um grande desafio quando começo escrever uma nova história, mesmo porque, o perigo de se tornar repetitivo, ou o risco de cair na comodidade de trilhar a história por um caminho já consagrado, podem colocar por terra toda a história.

 

Mas, apesar de toda a dificuldade que é, poder se colocar frente a frente com o desafio de escrever uma nova história com um tema que todo mundo conhece, de uma maneira diferente, tenho que admitir, é estimulante. Quem escreve sabe muito bem do que estou falando.

 

Agora entendo o porque os mais experientes sempre aconselham quem quer se tornar um escritor, a escrever, escrever e escrever, todo dia, qualquer coisa. É essa disciplina desenvolvida dia após dia que vai dar os subsídios para enfrentar o desafio de estar sempre pronto a superar as dificuldades de se escrever uma nova história.

 

Bom, e como é escrevendo que se aprende a escrever e estou sempre pronto a novos desafios, vou seguindo pelo caminho das letras, traçando minhas linhas e enfrentando os desafios que vão sempre aparecer.


UMA VIAGEM SEM SAIR DO LUGAR

Fevereiro 6, 2009

Oi gente, quanto tempo, né?  Mas, não tinha jeito, o tio Paulo não deixava eu mexer na internet dele, muito menos entrar no blog. Tio Paulo anda cheio de trabalho, graças à Deus, né? Eu bem que tentei outras vezes, mas não tinha jeito, Tio Paulo tava usando o computador dia e noite, noite e dia. Eu até perguntava pra ele:

 

“Tio, você não fica cansado de tanto escrever?”

 

 

Ele só deu uma risada e disse que estava fazendo o que gostava.

 

Hoje, eu aproveitei que ele disse que ia tomar banho e jantar, e vim rapidinho aqui no blog dele. Vou ter que ser rápida,  senão, ele vai me dar a maior bronca!

 

Quero contar uma história pra vocês. Vocês não vão acreditar! Sabe, não sei se falei pra vocês, eu moro na cidade de Santos, aqui tem uma praia enorme. Mas, o que eu não sabia, era que a minha cidade tinha tanta coisa legal.

 

Nessas férias, fiz uma viagem sem sair do lugar. Foi uma aventura inesquecível. Mas, antes, fiz birra, disse que não ia.

 

“Quero fazer uma viagem de verdade!”

 

“Você vai gostar do passeio!” disse a minha mãe.

 

Pra começar, eu, o meu pai e a minha mãe, andamos de Bonde. Eu nunca tinha andado de bonde. Não sei muito bem explicar o que é um bonde, pois ele não é trem, mas anda em trilhos, não é ônibus, mas o moço explicou que todo mundo andava nele pra trabalhar. O que o posso dizer é que ele é muito legal. Ele anda bem devagarzinho, é todo aberto, a gente vai vendo a rua, as pessoas. Devia ser bom quando tinha bonde.

 

“Eu ainda cheguei a ver o bonde.” Disse meu pai.

 

Foi nesse passei de bonde que aprendi um monte de coisa. Tanta coisa que acho que nem vai dar pra contar tudo porque o tio Paulo já saiu do banho e já começou jantar.

 

Bem, mas foi tentar contar as coisas que eu conseguir lembrar. No bonde, tinha um moço, como é mesmo o nome? Guia… guia… Ah, não sei! O guia lá. Sempre que o bonde parava, ele falava alguma coisa.

 

“Estamos agora em frente a Casa da Frontaria Azulejada”

 

Eu olhava, olhava, mas não entendia por que uma casa sem telhado e sem portas, toda cheia de azulejo velho, era tão importante!

 

“Essa Casa data do século XIX e é toda revestida de azulejos portugeses, azuis e amarelos, todos feitos a mão.”

 

Depois ele parou numa igreja. Na verdade, achei ela um pouco velha.

 

“Agora estamos em frente a Igreja de Santo Antônio do Valongo. Ela foi construída em 1640”…

 

Puxa vida! Viu isso, pai?

 

É, filha! Vai prestando atenção que você vai aprender mais aqui do que no colégio”

 

O bonde continuou a sua viagem, bem devagarzinho, foi passando pelos velhos armazéns do porto, as casas antigas. Naquela altura, eu já estava achando tudo uma grande aventura.

 

De repente, a gente parou num lugar que parecia uma igreja, mas não era. Era a bolsa do café.

 

“Bolsa do café?” Não entendí

 

“Aqui, nesse prédio, funcionou a famosa Bolsa de Café de Santos, onde eram comercializadas a sacas de café no início do século XX. Todo café passava por aqui. Hoje isso ainda acontece, mas a forma de comercialização é outra.”

 

Enquanto o moço ia explicando, eu ficava olhando tudo. Não achava que tinha tanta coisa interessante pra se fazer sem sair da minha cidade.

 

O bonde seguiu lentamente e sem que eu percebesse ele parou de vez.

 

“Já acabou, pai? Que pena!”

 

“Viu só quanta coisa legal?” Disse minha mãe.

 

“Eu quero mais! Eu quero mais”

 

“Agora vamos andar pelas ruas. Você vai ver quanta coisa legal ainda tem por aqui” Disse meu pai.

 

E meu pai foi me mostrando tudo. O prédio da Prefeitura também é muito bonito. Parece um palácio!

 

Passei pelo um Teatro enorme, O Teatro Coliseu. Meu pai falou  que tudo que era artista importante, já passou por lá. Que agora ele está novinho, porque foi reformado. E ficou bem bonito.

Mas, o que eu achei mais legal, foi saber que fica aqui na minha cidade, a Fonte do Itororó! Não conhece? Daquela música…

 

“Eu fui no Itororó

Beber água e não achei,

Achei a bela Helena

Que no Itororó deixei” Cantou pra mim, a minha mãe.

 

E pra finalizar a nossa viagem, subimos de bondinho, o Monte Serrat. Lá fica a igreja da padroeira da cidade. E tem uma coisa que eu adorei. Lá, a gente pode ver a cidade toda. É tão bonito!

 

Bem, agora preciso ir, tio Paulo já passou por aqui e já ordenou que eu saia. E não quero que o tio Paulo brigue comigo.

 

Ah, espero que na cidade de vocês, tenha tanta coisa legal pra fazer que nem na minha.

 

To indo. Um beijão pra todo mundo! Espero que o tio Paulo não demore muito pra me deixe voltar por aqui.