Trocando sonhos por objetivos

Janeiro 27, 2009

Mais um ano se inicia e você já faz planos de entrar em  um  gru-po de teatro, em produzir um espetáculo, planeja realizar tudo o que sonhou no ano que passou, e que acabou mais uma vez ficando no campo dos sonhos, por tantas dificuldades que você se colocou. Só que tudo é possível, por mais impossível que possa parecer, quando se troca sonhos por objetivos, as coisas acontecem.

Houve um tempo que meu maior sonho era poder ganhar dinheiro escrevendo e então eu ficava lá, sonhando, sonhando e sonhando, até o dia em que decidi trocar o sonho pelo objetivo de me tornar um escritor de fato. E hoje, mesmo que ainda não seja um escritor de livros editados e nem consiga ganhar dinheiro com o que escrevo, o objetivo de levar meus textos de teatro, meus artigos e minhas idéias e opiniões ao crivo de outras pessoas, já vem sendo realizado a contento.

Sei que o objetivo de me tornar um escritor não é nada fácil, demanda tempo e a força de um trabalho contínuo, e que cada vez que esmoreço, acabo retrocedendo um pouco no caminho que já percorri, por isso, que á cada dia, preciso renovar meus objetivos, pois o tempo de sonhar já ficou para trás.

É certo que nada cai do céu e quem acha que pode ficar sonhando e esperando que alguém venha lhe guindar para tornar realidade àquilo que tanto sonha, pode passar uma vida sonhando e quando pensar em buscar aquilo que tanto sonhou, pode ter se tornado um pouco tarde demais.

Então, já que mal iniciamos um novo ano e estamos com ânimos revigorados e cheios de energia, dispostos a novas realizações, é chegada á hora de trazer seus sonhos ao plano da realidade e torná-los um objetivo de vida para esse tempo presente. E muito mais do que acreditar que pode dar certo, ir ao encontro do que se quer, pode tornar as coisas muito mais fáceis.

Bem, acho que já vou ficando por aqui, pois mais um ano ficou para trás, alguns objetivos foram alcançados, mas outros, não, e como ano novo é sempre o início de novos tempos, preciso colocar minhas mãos à obra, pois tenho muitos objetivos a serem alcançados.


O fantasma do fracasso

Janeiro 20, 2009

Quando se pensa na vida de um artista, só se enxerga o lado do glamour, do estrelato, dificilmente as pessoas pensam, que assim como em qualquer profissão, a profissão do artista, seja ele, cantor, ator, bailarino, está sujeita a altos e baixos e que o fantasma do fracasso está sempre à espreita.

 

Vocês podem perguntar: Mas que pessimismo é esse? Ninguém pensa em ser alguma coisa, achando que vai fracassar. Eu sei, mas a questão não é pensar no fracasso. A questão é que se deve ter sempre em mente, que ele está ali, ao seu lado, pronto a lhe dar o pote, assim que você lhe der a oportunidade.

 

É claro que têm pessoas que estão fadadas ao fracasso. Exemplo disso são as pessoas que se submetem à fama a qualquer preço. Na mesma velocidade que alcançam status de celebridades são jogadas no limbo do esquecimento. E muitas delas, não agüentam a pressão.

 

Como toda profissão, a de artista tem e deve ser levada a sério. Esqueça essa coisa de fama, o seu trabalho contínuo e consistente, o levará até ela. E é esse o antídoto para afastar o fantasma do fracasso, pois quem tem um trabalho de fato, tem sempre mais facilidade de alcançar o espaço.

 

Também é sabido que isso não é garantia de nada. Tem hora que você realiza um espetáculo e ele simplesmente não acontece. Não é porque o seu projeto não vingou, que sua carreira é um fracasso total. Toda história bem solidificada deixa marcas, que são capazes de inibir qualquer tentativa de aproximação deste mal feitor do fantasma do fracasso.

 

Por isso, não se perca em devaneios, achando que quando você for um artista famoso as coisas melhorarão. Esteja certo que as coisas tendem a piorar muito, pois a pressão sob aquilo que você já conquistou lhe obrigará a se manter sempre a frente do que seja considerado o normal.

 

É meu amigo, a vida de artista realmente não é nenhum mar de rosas, por de trás de toda badalação, tem muita ralação para afastar de sua sombra, o tal do fantasma do fracasso. Mas a vida é assim mesmo, aconteceu com todo profissional. Só que aqueles que vigiam o fantasma do fracasso de perto, têm mais chance de alcançarem um sucesso duradouro.


Sou artista, me respeite, por favor!

Janeiro 13, 2009

Outro dia ouvi uma conversa… Não!  Acho que alguém  me  con-tou. Ou será que li isso em algum lugar? Não sei, não lembro direito. O fato é que o assunto era o seguinte:

Dois amigos que não se viam desde os tempos de criança se encontraram numa condução. Conversa vai, conversa vem, um perguntou para o outro: “O que você faz da vida?”. O outro então respondeu: “Sou ator!”. E o outro amigo emendou: “Que novela você está fazendo?”. O outro, ficou meio sem jeito e disse: “Nenhuma”. Então o velho amigo fez o seguinte comentário: “Então você não é um ator de verdade!”. E antes que o outro pudesse retrucar, o amigo que teceu o “nobre” comentário, desceu da condução.

O pior é que o amigo insultado, pois, ele foi insultado, sim, ficou ali, cabisbaixo pela falta de respeito do velho amigo. Mostrava-se até um pouco constrangido com os olhares das pessoas que ouviram um último comentário irônico lançado pelo velho amigo ainda antes de descer da condução: “Espero te ver logo na novela, hein?”.

Que conversa é essa? Eu sou artista, me respeite, por favor! Quer dizer que se não estiver na novela, não é artista? Que absurdo! As pessoas desdenham do artista, querem o circo, mas não têm a idéia do sacrifício que é conseguir o pão nosso de cada dia.

Mal sabem elas que muitos artistas precisam ter jornadas duplas, ás vezes triplas, para se segurarem na profissão. Uns precisam até ter outros empregos fora da área, porque senão… E dão aulas de teatro, fazem cursos, poucas horas de sono, só para se manterem na profissão. E ainda ouvem absurdos do tipo que o nosso amigo teve de ouvir.

Para maioria que tem lá seu emprego fixo, carteira assinada, jornada de trabalho, etc, ainda consegue, quando acaba o expediente, desfrutar de um “happy hour” com os amigos do escritório, enquanto o artista que não está na novela, corta um doze para não deixar a peteca cair. Quanta falta de respeito! 

Mas, não se deve ligar para essas pessoas, nem ficar constrangido com comentários infames, nem mesmo se sentir inferiorizado, pois mais cedo ou mais tarde, o reconhecimento vem. Mas há de se exigir respeito, mesmo porque, o artista é um profissional. E não é porque não se trabalha no banco, na indústria, no comércio, que não se tem profissão. A arte é um ofício e merece respeito.

E o pior é que isso não acontece só com o ator. É com o músico, com o escritor, com o dramaturgo, com o diretor, com o bailarino, se não está na mídia, não desfruta de nenhum respeito. Lamentável! É, infelizmente, essa é mais uma dificuldade que o artista tem de enfrentar e aprender a conviver.


EU ACREDITO NA PAZ

Janeiro 9, 2009

MESMO QUE A VIOLÊNCIA

TOME DE ASSALTO UMA FESTA

E QUE A PACIÊNCIA

ESTEJA SEMPRE POR UM TRIZ

MESMO QUE A IGNORÂNCIA

POSSA PARECER O QUE RESTA

E QUE A ARROGÂNCIA

ACHE MESMO QUE É FELIZ

 

EU ACREDITO NA PAZ

 

MESMO QUE TIROTEIOS

RASGUEM OS CÉUS

MATANDO PEQUENOS INOCENTES

MESMO QUE AVENTUREIROS

ANDEM VAGANDO AO LÉU

SAQUEANDO POBRES CARENTES

 

EU ACREDITO NA PAZ

 

MESMO QUE A MINHA CASA

SEJA AGORA UMA PRISÃO

E EU NÃO POSSA SAIR

MESMO QUE EU SEJA A CAÇADA

E TUDO CAMINHE PARA A DESTRUIÇÃO

EU NÃO VOU DESISTIR

 

ENQUANTO HOUVER ESPERANÇA

UM SORRISO DE CRIANÇA

HOUVER MÚSICA E DANÇA

A VIDA VALERÁ A PENA

E COMO A VIDA VALE A PENA…

 

EU ACREDITO NA PAZ


A dualidade do teatro

Janeiro 5, 2009

Conhecidamente por ser uma arte elitista cuja classe  de  menor poder aquisitivo quase nunca tem acesso, o teatro, curiosamente, é usado em muitas comunidades carentes do país, como um virtuoso instrumento de inclusão cultural e opera verdadeiros milagres.

Sempre se toma conhecimento de alguns casos de jovens que foram resgatados do mundo da criminalidade ao entrarem em contato com o teatro, quase sempre através de oficinas realizadas por alguns abnegados, que raramente contam com algum tipo de ajuda.

Realmente é muito engraçada essa coisa de dualidade quem tem o teatro, ao mesmo tempo, que é capaz de educar e levar cultura a jovens de poucas oportunidades, não é capaz de oferecer-se como uma opção de diversão barata à esse mesmo povo, mesmo sabendo que esse povo não tem lá muito interesse em assisti-lo, nem tão pouco possui o hábito de fazê-lo.

Talvez uma explicação para essa dualidade é que existe uma enorme diferença entre aprender teatro e assistir teatro e talvez isso acabe também contribuindo para que o teatro tenha enormes dificuldades em se tornar uma arte de massa.

Quando uma pessoa toma contato com o teatro e começa a participar das oficinas, não é só a magia que toma conta da sua alma, ela aprende a se entender como ser humano, começa a conhecer e entender seus sentimentos, algo muito mais além do que a interpretação que se dá sobre o palco.

Já quando se tem um espetáculo pronto, não são todas as pessoas que vão assisti-lo que conseguem captar a energia ou até mesmo entendem a profundidade que o ator quer passar, pois essas pessoas não são e nem estão preparadas para verem teatro, e por conseguinte, acabam por não entender ou não gostar de certos espetáculos. Isso faz com que o público não tenha o teatro como um hábito de diversão, a despeito dos preços dos ingressos (isso é assunto para um outro dia).

Por isso que um espetáculo de teatro dificilmente vai conseguir o mesmo efeito que consegue uma oficina de teatro, pois quem é apenas um espectador de teatro e não conhece os seus ensinamentos, vai sempre encará-lo como mais uma diversão e quando essa pessoa é desprovida de recursos e não tem a oportunidade de assistir ao espetáculo de graça, não demonstrará nenhum interesse para com ele, diferentemente de quem conhece o teatro por dentro.

E é essa dualidade que possui o teatro que faz dele “dois teatros” dentro de uma mesma arte, o teatro produto, que é consumido por quem quer se fartar de cultura e tem poder aquisitivo para isso e o outro teatro, aquele que é feito como um instrumento de inclusão e de crescimento à quem se dispõe a fazê-lo, mesmo que seja apenas para seu crescimento como ser humano.

E é isso, para uns o teatro é crescimento, para outros, puro entretenimento. E pode ser que essa sensível diferença, quando  percebida, torne mais fácil o entendimento do porque existem diversas formas de se enxergar o teatro, para uns ”é tudo na vida”, para outros “nada demais”.