A hora é de festa

Dezembro 30, 2008

A chegada de mais um final de ano vai colocar em  cartaz  diver-sas pequenas produções realizadas pelos alunos de várias oficinas teatrais espalhadas pelo país afora. É a hora de mostrar aos parentes e aos amigos, o resultado de mais um ano de dedicação a arte do Teatro.

Mesmo que algumas dessas produções sejam simples ou aconteçam em salões com palcos improvisados, a hora é de festa e todos devem se sentir orgulhosos, independentemente do resultado final.

Pois é certo que valeu à pena toda correria, toda a dificuldade dos ensaios, após a exaustiva procura por um texto onde todos pudessem participar e toda a preocupação com a produção para que tudo saísse como o planejado. E ao final, mais uma vez, existe a certeza que tudo será prazeroso à todos os professores-oficineiros, que se empenharam em ensinar, por mais um ano, a arte do Teatro.

Não há dúvidas que os palcos estarão repletos, que a platéia estará lotada como em nenhum outro dia do ano e as centenas de alunos que estão dispostos a mostrarem o que aprenderam, ávidos por seus primeiros aplausos, transbordando nervosismo e satisfação, nem perceberão que ao final de sua apresentação, tudo será uma grande festa.

E não importará se nem todos não mostrarem talento suficiente para se tornarem artistas de verdade, o que valerá como sempre, é saber que o teatro ainda consegue reunir inúmeras pessoas dispostas a lhe conhecer um pouco mais, e com certeza, estará sendo formado mais um novo público apreciador das artes cênicas.

Enfim, é certo que professores-oficineiros e alunos, ansiosos para que o grande dia chegue logo, estão acertando os últimos detalhes. E que em todas essas produções que se espalharão pelo país afora, o que contará não será a atuação, e sim, o aprendizado que foi absorvido por cada um, pois nesses pequenos espetáculos de final de ano, todos, mas todos mesmo, são os protagonistas.

Então, que se faça mais uma vez a festa do teatro por todo o país. E que cada ator ao entrar em cena, seja capaz de transmitir toda a emoção que só o teatro é capaz de passar. E que todos os professores-oficineiros, ao se encerrar as cortinas, se sintam plenos e emocionados por mais um objetivo alcançado.

Um Feliz Ano Novo e que em 2009 todos possam estar novamente apresentando novamente seus trabalhos e mostrando novas turmas interessadas pelo Teatro.


AMIZADE NÃO TEM COR

Dezembro 19, 2008

Oi, gente! Tava morrendo de saudades de vocês! Sabem o que aconteceu? Não! Eu não fiquei doente, não! É que o tio Paulo mudou e foi aquela correria. Ele teve que desligar o computador e com a mudança, acabou ficando sem a Internet um tempão! E aí eu não tinha como entrar no blog dele pra falar com vocês. Mas agora já está tudo resolvido e eu vou poder contar uma coisa super legal que aconteceu comigo! Foi uma aventura e tanto. Como sempre, né?

 

Eu e a minha amiga Joana fomos com os pais dela a praia. Até aí, nenhuma novidade, não é mesmo? Nenhuma novidade porque eu ainda não contei pra vocês que a Joana levou junto o primo dela, o Paulinho.

 

“Pô, Joana, porque você disse que esse menino vinha?”

“Ele veio passar as férias na minha casa.”

“Que saco!”

 

Pra falar a verdade, eu e o Paulinho nunca conversamos. Eu achava que por ele ser um menino, marronzinho, de cabelo de molinha, não tinha nada a ver comigo, só que depois desse passeio na praia… Vou contar tudo pra vocês!

 

Então, eu, a Joana e o primo dela chegamos na praia. Nós duas corremos logo para entrar na água. Já o Paulinho, ficou na areia jogando bola.

 

“Não vão pr’o fundo!” Gritou a mãe da Joana.

“Pode deixar! Vamos brincar de fazer castelinho na areia, Helena?”

“A última que chegar na areia, vai virar uma sereia!”

 

Chegamos na areia onde a mãe de Joana estava, nos jogamos no chão e começamos a cavar, cavar e cavar na areia para podermos fazer nosso castelinho.

 

“Vou buscar um pouco de água.” Disse a Joana. E foi correndo até a beira d’água para encher o baldinho.

 

Eu fiquei na areia fazendo um monte de montinho. Tava preparando o terreno para que a gente pudesse fazer um castelo enorme. Só que aquele bobo do primo da Joana, o Paulinho, ficava chutando a bola dele bem em cima dos montinhos, e desmanchava todos.

 

“Dá pra você parar?… Menino bobo!”

“Eu to jogando bola, você não ta vendo?”

“Poxa , Paulinho, pára de ficar chutando a bola nos nossos montinhos!” Disse a Joana, que já tinha voltado trazendo o baldinho cheio de água.

 

A mãe da Joana até pedia pro Paulinho ir brincar longe da gente, mas ele ficava ali, de propósito, chutando a bola em cima nos nossos montinhos.

 

“Quer saber de uma coisa? Não quero saber mais de ficar fazendo castelinho. Vou brincar na água!” E saí correndo.

“Helena, espera!” Disse a Joana, já vindo atrás de mim!

 

Eu nem dei bola. Nem olhei pra trás. Tava morrendo de raiva daquele primo bobo da Joana.

 

“O que é que esse menino marronzinho tinha que vir pra estragar nosso passeio!”

“Helena, não vai pro fundo heim?” Gritou a mãe da Joana lá da areia. Mas eu também nem dei bola. E entrei na água.

 

Comecei a brincar de pular as ondas.

 

“Uma… Duas… Três… Quatro…”

 

Só que de repente, alguma coisa mordeu meu pé e acabei caindo. As ondas começaram a passar por cima de mim. Não conseguia levantar.

 

“Socorro!… Socorro!”

 

Parecia que estava me afogando. Bebi um monte de água. Tentava levantar e não conseguia.

 

“Socorro!…

 

Eu já estava ficando sem ar. Foi aí que senti que alguém me puxou de dentro da água. Não via nada. Meus olhos estavam muito vermelhos. Quando eu consegui abrir os olhos, vi que o Paulinho me carregava pelos braços até a areia. E olha que ele não é muito maior do que eu, não!

 

“Pronto, Helena, agora já passou!”

“Que susto, heim Helena!”

“Quase você mata todo mundo do coração, viu Helena?” Disse a mãe de Joana. Ela ficou muita brava comigo.

 

E tudo isso aconteceu porque eu estava morrendo de raiva do Paulinho. E logo ele foi lá na água e me salvou.

 

“Obrigada, Paulinho! Me desculpa!… Você aceita ser meu amigo?”

“Claro, Helena! Eu sempre considerei você minha amiga!”

“Então, vamos todos brincar de fazer castelos de areia?”

“Só que agora quem vai pegar água vai ser o Paulinho!”

 

E foi a partir dessa aventura que me tornei amiga de verdade do Paulinho. Sabem, ele é menino, marronzinho, de cabelo de molinha e de vez em quando é muito bobo, mas eu sei que ele gosta de mim, pois ele me salvou, não é mesmo? Agora, ele vai ser meu amigo pra sempre! Que nem é a Joana.

 

Apesar de tudo, foi super legal descobrir que ganhei um novo amigo. Pra falar a verdade, acho que não gostava do Paulinho, porque ele é marrozinho, mas o que importa mesmo é saber que amizade não tem cor. E o Paulinho mostrou que gosta de mim, mesmo eu sendo assim uma branquela! Espero que vocês fiquem amigos do Paulinho também!

 

Bem, agora preciso ir, pois como falei pra vocês, o tio Paulo mudou e ta aqui do meu lado dizendo que precisa usar o blog. Ele me disse que faz um tempão que não consegue entrar do blog dele.

 

Então, tchauzinho pessoal! Assim que der, eu volto, ta? Beijos!

 


A busca pela fama

Dezembro 15, 2008

Hoje em dia é impressionante a  preocupação  que  as  pessoas tem em alcançar a fama. Ninguém mais se preocupa em levar algo realmente construtivo ao público. Se tornar uma celebridade passou a ser o objetivo e o trabalho, algo meramente secundário.

Parece que a inversão de valores chegou a um ponto que está quase impossível reverter a situação, visto que as pessoas se submetem a toda e qualquer aberração, apenas para terem seus quinze minutos de fama e depois, para prolongá-los, se submetem a outras tantas coisas, ás vezes, inimagináveis.

O pior disso tudo é que a “galerinha” que vem vindo aí e que está ávida em se tornar artista, acaba sendo prejudicada, ao ver essa busca desenfreada pela fama distorcer o conceito do que é ser artista de verdade.

E de quem é a culpa? Acho que um conjunto de fatores contribui para esse quadro, desde os “realitys shows” até programas de baixa qualidade que expõem e mostra o culto às futilidades, onde a importância de se bater o recorde de maior peito siliconado é maior do que a de anunciar a peça que está em cartaz.

É claro que cada um tem o direito de fazer o que quer da sua vida e cada um se sustenta do jeito que acha ser o mais conveniente para si, só que para isso, deve assumir os riscos da exposição a que se propõem. Depois, não adianta ficar com raiva da imprensa e pedir por privacidade. Quem quer a fama a qualquer custo, deve estar disposto a pagar o preço que essa fama vai lhe custar.

Penso, que esse tipo de fama é meramente efêmera e descartável e quem optar por ela deve saber que ela é passageira e que quando passar, dificilmente dará outra chance à pessoa que a ela se submeteu e a colocará num ostracismo tamanho, podendo ocasionar sérios problemas a essa pessoa. A história está cheia de exemplos desse tipo.

Por isso, busque o sucesso, pois ele é algo que será alcançado paulatinamente através do crescimento do seu trabalho e que quando atingido, será por puro merecimento e reconhecimento de algo que foi plantado, semeado e cultivado com amor. Essa falsa fama de celebridade instantânea, não paga e nunca pagará o preço de um verdadeiro sucesso.


O Teatro Estudantil

Dezembro 8, 2008

Em tempos idos, o teatro estudantil brasileiro já teve muita importância no cenário das artes cênicas nacional. Tempo de Paschoal Carlos Magno, um dos maiores incentivadores do teatro para estudante. Hoje, mesmo que timidamente, parece que o movimento quer ressurgir.

No Rio Grande do Norte, a Universidade Federal realizou este ano, a 6ª. edição de um Festival voltado só para estudantes, em Santos, em Outubro, ocorreu a 3ª.  do Festival de Teatro Estudantil que leva o nome de Paschoal Carlos Magno. São apenas amostras de que existe um movimento, ainda sem grandes proporções, para que se retome a tradição dos Festivais Estudantis no Brasil.

É claro, que hoje, talvez não se consiga a magnitude dos Festivais dos tempos de Paschoal Carlos Magno, mas pelo menos, existe a iniciativa que sinaliza para uma retomada forte e isso, no momento é o que importa. Além dos festivais citados, há ainda informações de quem em várias escolas do país, muitas peças têm sido encenadas por alunos de várias faixas etárias, e até mesmo pequenos festivais estão sendo realizados.

Mesmo que a maioria dos alunos não tenha o devido talento para tornar-se um artista de sucesso, é possível garimpar nesse tipo de iniciativa, potenciais talentos, que lapidados, tornar-se-ão artistas de grande sucesso. Quantos atores que contam com prestígio nacional hoje em dia, não vieram dos palcos dos festivais realizados por Paschoal Carlos Magno?

Sem contar que a participação de estudantes nesses festivais, acaba despertando o interesse e o gosto pelo teatro e com certeza mais tarde, mesmo que nenhum deles resolva seguir a trajetória de um ator, terá formado por certo, espectadores assíduos do teatro. Só por isso, a iniciativa de realizar festivais estudantis, já terá valido a pena.

Uma pena que ainda são poucas as iniciativas de reavivar o Teatro Estudantil no país. QUem sabe se mais e mais festivais começassem a despontar pelo país á fora, fomentando a arte do teatro e transmitindo cultura para os jovens, o cenário do teatro fosse outro?

Festival é o lugar do novo, do experimento, do arriscar. E que lugar melhor para que se faça isso que um festival estudantil? Que essas poucas iniciativas não percam fôlego e acabem ficando pelo caminho.


O duro trabalho de criação

Dezembro 3, 2008

Quando se vê a peça em cartaz, o livro publicado, a peça   escri-ta, não se imagina o quão duro foi o trabalho de criação até que se chegasse ao resultado final. As noites em claro atrás da palavra perfeita, os ensaios intermináveis até a interpretação ideal, mas quase ninguém leva isso em conta.

O processo de criação é como a gestação de um filho e a tarefa árdua de conceber um trabalho bacana é por muitas vezes desgastante. É a idéia que emperra. É a emoção que não se consegue atingir. Ás vezes, quase que com o trabalho pronto, se percebe que não é bem aquilo que se buscava e tem-se de recomeçar. Não é fácil!

Não estou discutindo a questão da qualidade, ás vezes as pessoas concebem coisas ruins mesmo, mas nem por isso, não tiveram um trabalho duro de criação, mesmo que o resultado final mostre uma total falta de criatividade ou falta de talento. Mas, tem gente que não tem jeito pra coisa, mas isso é assunto para outro dia.

A questão é que todo trabalho artístico passa por um processo muito duro de criação, na maioria das vezes, extremamente exaustivo. É a idéia que não vem. É a palavra que não encaixa. É o gesto que não combina com a personagem, o andar, o se portar, o sotaque, nada combina. São muitas idas e vindas até o produto final, por mais simples que ele seja.

Só que muitas pessoas, depois do espetáculo em cartaz, do livro pronto, da peça escrita, fazem comentários monossilábicos ou críticas do tipo não gostei disso, não gostei daquilo. Tudo bem que a crítica pode falar o que quiser e o artista deve e tem de estar sempre preparado para recebê-la, por pior que seja, mas no mínimo, tem de se respeitar o duro trabalho de criação que o artista teve.

Mas é dificílimo alguém notar e comentar ou mesmo levar em conta, todo esse trabalho duro de criação que o artista tem de passar, não importando qual será o resultado final da arte produzida. Trabalhar com a criação é muito mais complicado do que possa parecer. Até mesmo se tratando de um simples artigo como este.

Por isso, sempre que for assistir a um espetáculo, for ler um livro ou uma peça de teatro, tenha em mente o quão duro o artista teve que dar até chegar ao ponto final, mesmo que na sua opinião o resultado tenha sido uma droga. Lembre-se sempre que sem que se haja o trabalho duro de criação, não se terá nenhum produto artístico, nem bom, nem ruim.