Extra! Extra!

Setembro 30, 2008

                                             NOTÍCIAS

 

“VAMPIRILDO EM UMA HISTÓRIA DE VAMPIRO” participará do 4º PIRIMPIMPIM – Festival Nacional de Espetáculos Infantis de Mogi das Cruzes.

4ºPIRIMPIMPIM                                                                                                                           

FESTIVAL NACIONAL DE ESPETÁCULOS INFANTIS DE MOGI DAS CRUZES

                                             

endação: a partir de 4 anos)

07/10/2008 – 15h – VAMPIRILDO EM UMA HISTÓRIA DE VAMPIRO (duração: 60 min.) AUTOR: PAULO SACALDASSY

GRUPO: TPE – Teatro Paulista dos Estudantes – Mogi das Cruzes


O ADEUS NA HORA H

Setembro 27, 2008

PALCO VAZIO, A MEIA LUZ, TRÊS ATORES FAZEM UM BALÉ, SIMULANDO MOVIMENTOS DO ATO SEXUAL. EM OFF, SUSSURROS DE UM CASAL FAZENDO AMOR.

LUZ GERAL. OS TRÊS ATORES SE ACOTOVELAM, COMO SE QUISESSEM PASSAR JUNTOS POR UMA ÚNICA PORTA.

Esperma 1 – Não adianta entrar na frente que eu cheguei primeiro!

Esperma 2 – Tu pensa que é quem?

Esperma 3 – Ele acha só porque é grande, que é dois!

Esperma 1 – Vocês estão me devendo essa!

Esperma 2 – Sai da frente que hoje acerto o alvo!

Esperma 3 – Eu que vou entrar primeiro!

Esperma 1 – Não adianta forçar a barra!… Já falei que eu vou na frente!

O ESPERMA 1 ABRE OS BRAÇOS DERRUBANDO OS OUTROS NO CHÃO. EM OFF, SUSSURROS DE UM CASAL FAZENDO AMOR. OS TRÊS SE AFASTAM.

Esperma 1 – (Para o Esperma 2) Não sei o que você ta fazendo aqui? To sabendo que tu não é chegado na fruta…

Esperma 2 – Ih, qualé? Sou um esperma macho!

Esperma 3 – (Para o Esperma 1) Você fala, mas, na hora H, se esconde atrás no primeiro que aparece!

Esperma 2 – Isso é verdade!

Esperma 3 – Se lembra de ontem? Fingiu que tava dormindo…

Esperma 1 – Vocês é que não me chamaram pra festa!

Esperma 2 – O teu negócio é papo… Na verdade, tu não é de nada!

Esperma 1 – Vocês vão ver!

Esperma 2 – Quer saber? Deixa ele ir!  Que faça um bom proveito!

Esperma 1 – Olha aí, não falei!… É um maricão!

Esperma 3 – (Para o Esperma 2) To te estranhando!

Esperma 2 – É que pensando bem… quem for até o fim e não atingir o alvo, morre!

Esperma 1 – O menino ta sensível hoje!

Esperma 3 – (Para o Esperma 2) Estou te estranhando, meu!

Esperma 2 – É sério! Você já pensaram nisso?

O ESPERMA 2 SENTA-SE NUM CANTO PENSATIVO.

Esperma 1 – Sabia que ele não ia agüentar…

Esperma 3 – Poxa, ele ta super afim!

Esperma 1 – Deixa ele pra lá!… Vamos que o movimento ta pegando!

O ESPERMA 2 SE LEVANTA.

Esperma 2 – Vocês não têm medo de morrer?

Esperma 1 – Sai dessa!

Esperma 3 – Que papo careta!

Esperma 2 – Eu sou um espermatozóide muito novo… Me despedir assim da vida!

Esperma 1 – Que vida?… Nós é quem vamos fabricar a vida!

Esperma 3 – É isso aí… Vamos com a gente!

Esperma 2 – Não sei, não!

Esperma 1 – Vamos fazer um trato: Quem chegar primeiro, leva, certo?

OS TRÊS SE JUNTAM E RECOMEÇAM OS MOVIMENTOS SIMULANDO O ATO SEXUAL. EM OFF OS SUSSURROS VÃO AUMENTANDO. MEIA LUZ, OS MOVIMENTOS VÃO AUMENTANDO E ELES VÃO SE ACOTOVELANDO…

Esperma 1 – É hoje!

Esperma 3 – Hoje eu chego primeiro!

Esperma 2 – Eu to com medo!

Esperma 1 – Sai da frente!

Esperma 3 – Não vem, que hoje sou eu!

Esperma 2 – Eu to na frente… Eu to na frente….

A LUZ VAI CAINDO EM RESISTÊNCIA. DE REPENTE UM GRITO.

Mulher/Off  - Pára!… Pára!…. Põe a camisinha! Põe a camisinha!

Esperma 2 – Eu cheguei!… Eu cheguei!…

Esperma 1 – Não vai!… Não vai!…

Esperma 3 – Ele vai colocar a camisinha!… Volta!…

BLACK OUT.

Mulher/Off  - Vai… Põe logo a camisinha!

LUZ GERAL. APENAS O ESPERMA 1 E 3 ESTÃO EM CENA.

Esperma 1 – Coitado! O cara acabou morrendo… Nem se despediu da gente!…

Esperma 3 – Pois é! E ele nem queria, não é mesmo?

OS DOIS RECOMEÇAM LEVEMENTE OS MOVIMENTOS SIMULANDO O ATO SE-XUAL. A LUZ VAI CAINDO EM RESISTÊNCIA.

Esperma 1 – Agora não adianta mais nada! Não mais clima, pô!…

Esperma 3 – É isso aí!… Quem vai ficar com a fama de broxa e o cara mesmo!

OS DOIS SENTAM-SE, UM EM CADA LADO DO PALCO. OS SUSSURROS DO CASAL VÃO DIMINUINDO. APAGUAM-SE AS LUZES.

Homem/Off – Não consigo! Não consigo!

Mulher/Off   – Seu broxa!

FECHAM-SE AS CORTINAS.

                                                           - FIM -


Teatro ou espetáculo?

Setembro 23, 2008

Pode parecer que não, mas existe uma enorme diferença entre uma peça de teatro e um espetáculo teatral, mesmo que muitos nem percebam, aliás, ás vezes até quem participa de um ou de outro não se atenta para essa diferença e acha que está fazendo um quando na verdade está fazendo o outro. Mas, podem apostar, essa diferença existe.

 

Uma peça de teatro, seja ela, infantil, ou adulta, apresentada no palco, ou na rua, se caracteriza por mostrar algo muito maior, não no sentido da grandiosidade cênica, mas sim de maior na essência teatral, pois o que deve ser levado em conta quando da montagem de uma peça de teatro, é o trabalho do ator, a história que se quer contar, necessita-se de um trabalho mais apurado. Em uma peça de teatro a preocupação está no conteúdo do texto e na interpretação do ator.

 

Já quando se trata de um espetáculo teatral, a coisa é concebida de uma outra forma, se leva mais em conta o efeito visual, preocupa-se com um cenário bonito, com a sonoplastia, o figurino e é justamente a mistura desses elementos que acaba encantando o espectador, até mesmo em detrimento do texto e das atuações.

 

Não que uma seja melhor e o outro pior, são apenas diferentes, O que deve ser feito é se atentar na proposta e na concepção artística que o diretor ou grupo de teatro quer dar a apresentação. Muitas vezes o foco é de se fazer um espetáculo grandioso, outras vezes, opta-se pelo trabalho de conteúdo. Aí reside a tal diferença.

 

Essa é uma diferença que passa despercebida pelo público em geral, pois nós que estamos envolvidos com a arte, sabemos que a maioria não tem uma cultura no teatro para fazer esse discernimento e portanto, isso não lhe faz a menor diferença, mas nós precisamos estar atentos para isso.

 

Mas, não podemos montar uma peça de teatro com ares de espetáculo? Claro que sim! Só que para isso, precisamos primeiramente definir o queremos, se dar prioridade a uma história de conteúdo contundente onde as interpretações são mais importantes que o cenário, figurino, ou sonoplastia, mesmo que todos eles sejam grandiosos, ou se optamos para a grandiosidade cênica ao invés do conteúdo dramático.

 

É claro que na soma de tudo, seja a apresentação de uma peça de teatro, ou de um espetáculo teatral, o mais importante é fazer chegar ao público em geral, um pouco mais de cultura.


O SANTO E A HIPOCRESIA

Setembro 21, 2008

O RICO EMPRESÁRIO

ACIMA DE QUALQUER SUPEITA

QUE NA ESPREITA DO DIA

OU NA CALADA DA NOITE

ATACA DE AÇOITE

A JOVEM ADOLESCENTE

E DE FORMA INDECENTE

SACIA O SEU PRAZER

 

DEBAIXO DA BATINA

NA HORA DA AVE MARIA

NINGUÉM DIRIA QUE FOSSE CAPAZ

DE SEDUZIR O POBRE RAPAZ

QUE DE FORMA INOCENTE

CRENTE DA BOA FÉ

ACABA SE VENDO OBRIGADO

DE FORMA INDEFESA

TORNAR-SE UMA FÁCIL PRESA

PARA UM MOMENTO DE PRAZER

 

O BELO ESTRANGEIRO

ESTAMPADO DE SIMPLES TURISTA

QUE CAPRICHA NA OFERTA

E DESPERTA NOS OLHOS

A MISÉRIA DA POBRE MENINA

QUE NA ESQUINA

COM A VIDA ESQUECIDA

ACABA ALIMENTANDO A VONTADE

DE UMA ALMA PERDIDA

QUE BUSCA SOMENTE PRAZER

 

E A SOCIEDADE ASSISTE PASSIVA

MAS AVISA QUE NÃO TOLERA O ASSUNTO

QUANDO MUITO, SE HORRORIZA

E FICA ENTRE O SANTO E A HIPOCRESIA

MAS, ENQUANTO O PROBLEMA É DO LADO

ESBRAVEJA CONTRA OS DESALMADOS

E A VIDA DE FORMA APRESSADA

CONTINUA FIRME, A SUA CAMINHADA

ENQUANTO MUITOS DE FORMA INDECENTE

ATACAM OUTROS TANTOS INOCENTES

APENAS POR PURO PRAZER.


COM OLHOS DO AMOR

Setembro 13, 2008

ENTRE CARROS APRESSADOS,

FUMAÇAS, CONGESTIONAMENTOS,

PARA TUDO FALTA TEMPO.

FALTA TEMPO PARA UM: “BOM DIA!”

PARA UM SORRISO LARGO,

UM ABRAÇO APERTADO,

UM SIMPLES ACENO.

NINGUÉM TEM OLHOS PARA NADA.

Ê… VIDA ANGUSTIADA!

PASSA UM DIA, OUTRO DIA,

E AS ALMAS CADA VEZ MAIS VAZIAS,

PERDIDAS EM MEIO A MULTIDÃO.

AS PESSOAS SE OLHAM E NÃO SE VÊEM

NÃO SE OLHAM COM OLHOS DO AMOR.

 

ENTRE RELÓGIOS APRESSADOS,

COMPROMISSOS, ACONTECIMENTOS,

PARA TUDO SE ARRUMA UM TEMPO.

SE ARRUMA TEMPO PRA FESTA,

PARA A BADALAÇÃO,

PARA UM CHOPE NO HAPPY HOUR.

MAS, TUDO É TÃO ARTIFICIAL!

SÃO ENCONTROS BANAIS

QUE ENCHEM OS DIAS VAZIOS.

SÃO ECONTROS CASUAIS…

O SER HUMANO ESTÁ TÃO FRIO…

O CALOR DE UM ABRAÇO

JÁ NÃO MAIS AQUECE,

AS PESSOAS SEM ENTRISTECEM

VIRARAM AMIGAS DA SOLIDÃO,

POIS NÃO OLHAM MAIS A VIDA

COM OS OLHOS DO AMOR.


Arte e entretenimento

Setembro 9, 2008

Quando o público em geral resolve assistir a um espetáculo de teatro, ou a um filme, ou mesmo a um programa de tv, o que será que o move, a oportunidade de enriquecimento cultural através da arte, ou simplesmente a opção pelo entretenimento que o programa proporcionará?

A linha entre a arte e o entretenimento é mesmo muito tênue, mas será que uma peça de teatro, um filme, ou um programa de tv, podem ser ao mesmo tempo arte e entretenimento? Acho que sim! Talvez seja a mais dura tarefa para um dramaturgo, roteirista e diretor, ainda mais se levarmos em conta, a questão mercadológica dos dias de hoje, onde o que é vendável tem maior importância sobe aquilo que tem um conteúdo mais contundente.

Acontece, que é preciso se atentar ao fato de que muitos procuram apenas bons momentos de descontração, onde possam descarregar todo o estresse que foi acumulado durante um dia, ou uma semana pesada de trabalho, e não se importam tanto se o programa que assistirão, acrescentará ou não, um pouco mais de cultura à eles Ás vezes um programa assim, vem bem a calhar.

É claro que o valor artístico de um produto que busca o engrandecimento cultural do ser humano e de um outro que é feito apenas para pura distração, algo descartável, e que ficará esquecido no tempo, são totalmente diferentes. Mas, no meu ponto de vista, um produto descartável feito para distrair, não deixa de ter lá o seu valor artístico, mesmo que seja algo frívolo.

Talvez nos dias de hoje, encontrar o equilíbrio entre um produto que prime pelo conteúdo e que ao mesmo tempo consiga ter uma boa dose de entretenimento, seja a receita ideal para se ter um programa de sucesso, seja uma peça de teatro, um filme, ou até mesmo um seriado, ou novela de tv.

Não acho que haja o melhor ou o pior nessa questão de um produto de arte e um outro de entretenimento, deixo isso para os intelectuais de plantão, pois, afinal de contas, não é sempre que queremos assistir a um filme de arte, ou a uma peça “cabeça”. Por um outro lado também, tenho que confessar que tem hora que é um saco assistir tanta coisa sem conteúdo.

Mas, o que é certo, é que essa discussão sobre o que é melhor ou pior, será eterna, podem apostar! Eu, na minha humilde opinião, acho que tem espaço para tudo e para todos, cabe sim, a cada um, escolher qual programa quer assistir, se arte ou entretenimento, ou quem sabe ainda, um que tenha os dois. 


A Valise

Setembro 3, 2008

NA SALA DE UM APARTAMENTO, UM HOMEM FALA AO TELEFONE.

 

Homem - A gente leva tudo na minha valise!… Cabe, sim!… Ela é bem espaçosa!

 

ENTRA A EMPREGADA COM UM ESPANADOR NA MÃO, LIMPA OS MÓVEIS. O HOMEM CONTINUA AO TELEFONE.

 

Homem – Você precisa ver! Ela é linda!…. Americana… To te falando!… Já dormi várias noites em cima dela!… Ela agüenta o tranco!

 

A EMPREGADA PÁRA DE LIMPAR E PRESTA A ATENÇÃO NO HOMEM, QUE AINDA FALA AO TELEFONE.

 

Homem – Não, não aconteceu nada com ela!… Olha só, a gente faz assim: Eu ponho as minhas coisas na frente dela e você põe suas coisas atrás dela… É… Se você preferir, eu ponho atrás e você na frente!… É um pouco apertado, mas ela agüenta!… Claro! Já falei pra você!

 

A EMPREGADA FAZ CARA DE ESPANTADA.

 

Homem – Então ta fechado!… Vou pegar a valise e já passo aí pra te pegar!… Um abraço!

 

O HOMEM DESLIGA O TELEFONE.

 

Homem – Que foi, Maria?

Empregada – Não foi nada, não, seu Zé Roberto!

Homem – E que cara é essa?

Empregada  - É que…

Homem – Deixa eu ir que já estou atrasado!

 

O HOME SAI.

 

Empregada  - Ai, meu Deus! Como é que pode um homem tão distinto que nem seu Zé Roberto trair a Dona Ana Maria? Logo com uma Americana!… E a safadeza? Ele, o amigo e a Americana! Cruz credo! (Se benze)… Coitada da Dona Ana Maria!

 

ENTRA A MULHER

 

Mulher – Coitada por quê?

Empregada  - Não foi nada, não!

Mulher – Como não? Você acha que sou uma coitada por nada?

Empregada  - Sabe o que é, dona Ana Maria…

Mulher – Não sei, Maria! Não sei!

Empregada  - Foi sem querer que ouvi a conversa. Eu juro que não queria!

Mulher – Que conversa?

Empregada  - Deixa pra lá, dona Ana Maria. Deixa pra lá!

Mulher – Desembucha, Maria! Coitada por que?

Empregada  - O seu Zé Roberto ta traindo a senhora!

Mulher – O quê?

Empregada – E ainda ta fazendo safadeza com a Americana e com o amigo!

Mulher – Que Americana? Que amigo?

Empregada – Foi assim, ó! Eu vinha entrando pra passar os espanador nos móvel, quando ouvi o seu Zé Roberto falando no telefone.

Mulher – O que é quem tem?

Empregada – Eu ouvi ele falá pro outro que tem uma americana lindona! Que já drumiu num sei quantas noites em cima dela. E se outro quiser, pode colocar as coisa, na frente, ou atrás dela!

Mulher – Que conversa é essa, Maria?

Empregada – Como é mesmo o nome da Americana?

Mulher – E ele falou o nome?

Empregada  - Falou sim! É que não consigo me alembrar! Acho que é Vasile!

 

A MULHER RESPIRANDO ALIVIADA.

 

Mulher – Não seria, valise?

Empregada – Isso! A senhora conhece ela?… Ai, meu Deus (E SE BENZE)

Mulher – Valise não é gente, Maria! Valise é uma mala pequena!

Empregada – A senhora ta brincando!

 

ENTRA O HOMEM TRAZENDO UMA VALISE.

 

Mulher – Olha aí o Zé Roberto com a valise!

Homem – Que é quem tem, a valise?

Empregada – Mas… E aquela conversa no telefone?

Mulher – (APRESENTANDO) Maria! Valise!… Valise! Maria!

Homem – Alguém pode me explicar o que ta acontecendo aqui?

 

A EMPREGADA OLHA ADMIRADA PARA PEQUENA MALA.

 

Mulher – Vamos que eu te acompanho. No caminho, te explico!

Homem – Vamos eu to atrasadíssimo! Até a volta, Maria!

Empregada – Inté!

 

O HOMEM E A MULHER, SAEM.

 

Empregada – Diacho! Mania que esse povo da cidade grande tem de colocar nome difícil nas coisas! Mala é a mala, uaí! Mas, quer saber de uma coisa? Deixa eu cuidar da vida, senão acabo perdendo o emprego!

 

A EMPREGADA SAI DE CENA, PASSANDO O ESPANADOR NOS MÓVEIS.